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Ano seco facilita a chegada do frio

21.05.2021

Em um ano em que o fenômeno La Niña está ativo, como é o caso de 2021, ocorre diminuição do volume de chuvas, conforme explica a meteorologista Ângela Costa, do IDR-Paraná. A notícia não é boa para os cafeicultores, em especial, pois a falta de umidade facilita o ingresso de massas de ar polar na região cafeeira do estado, podendo causar danos às lavouras. “O fenômeno climático se caracteriza pela diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico tropical central e oriental, o que gera reflexos nos padrões de chuva e temperatura em todo o planeta”, explica a especialista.

Recomendação – Em razão disso, para lavouras de café com idade entre seis e 24 meses, a recomendação é amontoar terra no tronco das árvores, até o primeiro par de folhas, já neste mês de maio, para proteger as gemas e evitar a morte da planta no caso de geada severa. Essa prática é chamada de “chegamento de terra” pelos cafeicultores e técnicos do setor.

Até o final - Essa terra que protege os troncos dos cafeeiros deve ser mantida até o final do período frio, em meados de setembro, e então retirada preferencialmente com as mãos.

Enterrar - Em plantios novos, com até seis meses de idade, recomenda-se simplesmente enterrar as mudas quando houver emissão do serviço Alerta Geada, ativado na terça-feira (11/5). Viveiros devem ser protegidos com várias camadas de cobertura plástica.

Quando retirar - Nos dois últimos casos, lavouras novas e viveiros, a proteção deve ser retirada rapidamente, assim que a massa de ar frio se afastar e cessar o risco imediato de geada.

Área – De acordo com o economista Paulo Sérgio Franzini, do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, a área ocupada com lavouras de café no Paraná é de 35,2 mil hectares.

Recente - Desse total, 1.950 hectares são ocupados com lavouras de até dois anos — 550 com implantação ainda mais recente, até seis meses — e se beneficiam do Alerta Geada. Franzini explica que a implantação de um hectare de cafeeiros custa em torno de R$ 18 mil.

Vale a pena - Para a proteção dos cafeeiros, o enterrio e o desenterrio de plantas com até seis meses custa em torno de R$ 1,6 mil. Nas lavouras maiores, o dispêndio para fazer o “chegamento de terra” e posterior limpeza dos troncos é de aproximadamente R$ 1,1 mil. “A aplicação das técnicas contra a geada é um custo que vale a pena, protege o patrimônio do cafeicultor”, avalia Franzini.

Pequenos – A maior parte das lavouras paranaenses é conduzida por pequenos produtores familiares. Em início de colheita, a expectativa é de que sejam colhidas entre 850 e 900 mil sacas de café beneficiado na atual safra.

Quebra - De acordo com Franzini, espera-se uma quebra de aproximadamente 10% em relação à produção do ano passado, em razão da seca prolongada que atingiu as lavouras em 2020.