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Família Maestro, em Maringá desde 1953

30.05.2017

O patriarca Antônio veio com os irmãos primeiramente para Cambé, isso na década de 30; poucos anos depois o destino seria outro

O patriarca, Antônio Maestro, nasceu em Leme (SP). Na década de 30 se mudou para Cambé para cultivar café. Poucos anos depois o destino seria uma das mais importantes cidades do Paraná, localizada na região Noroeste.

Com uma herança de família, de uma propriedade vendida na Itália, foram adquiridos cinco lotes junto a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP). Por alguns anos, “os Maestro” viveram no Norte do Paraná cultivando café. Em 1953, mais uma vez a família pegaria a estrada, dessa vez rumo ao Noroeste paranaense, precisamente para Maringá, cidade que estava se formando. “Como alguns familiares já estavam morando nessa região optamos em nos mudar também”, revelou a matriarca, Rosa Mantovam Maestro, 86 anos.

A primeira moradia foi estabelecida na Gleba Pinguim – nome dado pelos colonizadores da Companhia por ser a região mais fria da cidade. “Ali ficamos por pouco tempo. Logo a família comprou outro sítio na estrada Bandeirantes, mais próximo da região central”, contou. “Desmanchamos a casa construída no Pinguim e a reconstruímos aqui onde existe até hoje”, contou dona Rosa, dizendo que a vida inteira trabalhou na roça. “Fazia tudo o que um homem fazia. Desde capinar, colher café, abanar, quebra milho, arrancar feijão, cortar arroz. A vida era dura. Como meu marido não gostava de varrer o café eu fazia”.

Conforme os quatro filhos do casal foram crescendo o serviço foi sendo repartido. Um deles, Ademir Aparecido Maestro, 67 anos, veio para Maringá com apenas três anos. “Era só mato. Onde hoje é o Maringá Velho existia apenas um hotel. Para chegar ao nosso sítio tinha apenas uma estradinha com mato dos dois lados e a escolinha Bandeirantes em construção”, lembrou. “A vida era sofrida, mas era mais gostosa. Como não tínhamos trator o trabalho era todo manual. Apesar disso a produção era ótima, tínhamos menos pragas que hoje. Por conta disso, quantas vezes tivemos de descartar café. Qualquer probleminha as empresas não queriam comprar, faziam pouco caso”.

As principais dificuldades, segundo Ademir, estavam relacionadas à saúde. “Havia poucos médicos e quando tinha não eram bons. O mesmo acontecia com dentistas, alias era ainda mais complicado achar um que trabalhava bem. Geralmente queiram extrair os dentes e colocar prótese”, revelou. “Gasolina também não tinha, assim como eletricidade. Lembro que meu pai comprava querosene para abastecer as lamparinas. Os rádios eram aqueles antigos tocados à bateria. O telefone foi colocado na década de 90 com o dinheiro de uma herança. Era muito caro”.

Quem também se lembra do passado é produtora rural Ângela Maria Maestro de Azevedo, 58 anos, irmã de Ademir. Assim como ele, ela sempre trabalhou no sítio ao lado dos pais. “Começamos com café, arroz, feijão e depois soja e milho, cultura que plantamos até hoje. Também temos um pedaço de banana”, contou, lembrando que a família também já trabalhou com uva, mas diante das dificuldades de mercado de viu obrigada a parar com a atividade. “Aqui me casei tive três filhos e quatro netos. Tudo o que temos construímos em Maringá. Pra nós não existe lugar melhor”.

Roupas – Nos primeiros anos de Maringá não existiam tantas lojas como hoje. A maioria das famílias compravam fardos de tecido [geralmente de turcos] e costuravam em casa mesmo. “Geladeira também não tinha. Quando matava boi secava a carne em sacos atrás das portas”, lembrou Ângela. “Criava porco, galinha, plantava horta. Era uma fartura danada. Caçar a gente não caçava, mas pescar era direto. Inclusive existiam onças que rodeavam as propriedades”.


A família cresceu

Hoje, 64 anos depois de pisar pela primeira vez em Maringá dona Rosa Maestro tem 13 netos e 10 bisnetos – infelizmente o marido Antônio já é falecido. Boa parte da família ainda vive no sítio de oito alqueires ás margens da Estrada Bandeirantes, praticamente dentro de Maringá. “A trajetória de nossa família está ligada a essa bela cidade. Pra gente é um orgulho fazer parte dessa história”, finalizou a matriarca, Rosa Maestro.

Desde 1972 atendendo os “Maestro”

O colaborador Lourenço Gonçalves, mais conhecido como “Tio Lorenço”, está na Cocamar, em Maringá, desde 1972; sempre percorrendo as propriedades rurais, visitando os cooperados, ajudando a difundir o cooperativismo. Uma das primeiras famílias atendidas por ele é a Maestro. E esse trabalho continua até os dias de hoje. “Seo Antônio, o pai dos meninos, foi uma das primeiras pessoas que atendi uma pessoa responsável e muito correta”, comentou.

Assim como os “Maestro”, tio Lorenço lembra que atende família que já estão na terceira geração cooperando com a Cocamar. “Meu trabalho sempre foi mostrar para os produtores rurais os benefícios proporcionados pelo cooperativismo, seja para a aquisição dos produtos, como para a comercialização da produção. Eu vejo a cooperativa como uma religião, pois ela é muito transparente, seriedade e honestidade. Jamais faz distinção entre os cooperados, atende todos de forma igual”, disse.

No começo, segundo tio Lourenço, os agricultores tinham um pouco de receio do cooperativismo. “Tudo o que é novo gera um pouco de desconfiança não é mesmo!? Com o cooperativismo não foi diferente. Mas aos poucos fomos mostrando as vantagens do sistema e os agricultores perceberam os benefícios”, contou.


Maringá está entre as melhores
cidades do Brasil para se morar

Com 403 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Maringá está entre as melhores do Brasil para se morar. Planejada, possui ruas e avenidas largas, sem contar a arborização. A cidade é a terceira maior do Paraná e a sétima mais populosa da região Sul do Brasil. Ela completa 70 anos no dia 10 de maio, teve grande influência de imigrantes japoneses, alemães, italianos, portugueses, ucranianos e árabes. Além da agricultura forte, o município se destaca na prestação de serviços.