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O clima nos EUA atiça as especulações em relação a soja e o milho

31.05.2017

Chuvas intensas em algumas regiões indicaram, no final de abril, a possibilidade de atrasos no plantio ou até de replantio

As previsões de clima mais instável se confirmaram na última semana de abril em importantes áreas produtoras de soja e milho dos Estados Unidos, com registro de fortes chuvas no Corn Belt e geada e neve em lavouras do estado de Kansas. Essas condições, segundo analistas e agências internacionais, acendem a possibilidade de replantio e até atraso, o que movimenta os mercados de commodities.
"Todo o complexo sobe com chuvas acima do previsto e da média nos EUA nos últimos dias, inclusive com algumas áreas inundadas com um pouco mais de chuva chegando, o que pode atrasar o plantio americano", disse o analista Étore Baroni, consultor da FCStone
Essa expectativa do mercado manteve as cotações da soja e do milho mais firmes no final de abril, sendo que o mês de maio é o mais importante para o avanço do plantio da soja nos Estados Unidos. De acordo com o analista de mercado da Labhoro Corretora, Ginaldo de Souza, as fortes chuvas que caíram no Meio-Oeste americano, causando alguns alagamentos, podem sem dúvida provocar replantio.
Para o vice-presidente da Cocamar, José Cícero Aderaldo, o fator clima normalmente gera muita especulação durante o período de plantio da safra de milho e soja dos Estados Unidos. “Vamos ter que aguardar até meados de junho para ter uma definição do que poderá acontecer”, disse.
De qualquer forma, se nada der errado, os EUA poderão colher outra grande safra. Relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que é similar ao Ministério da Agricultura no Brasil, estima que a área de plantio de soja norte-americana provavelmente será de 36,2 milhões de hectares, um aumento de 7% em relação à área estimada na safra 2016/17. Se a produtividade for a mesma da safra passada, de 3.500 quilos/hectare, a colheita será de 126,7 milhões de toneladas, contra 117,2 milhões do último ciclo. Porém, o mercado acha pouco provável que essa produtividade volte a acontecer, pois o clima altamente favorável colaborou para que a última safra fosse recorde. A produtividade média esperada pelo mercado deverá girar em torno de 3.200 quilos/hectare, o que dará uma colheita de 115,9 milhões de toneladas, inferior a da safra 2016/17.
Se esse cenário for confirmado e as exportações e os esmagamentos americanos aumentarem como tem acontecido nos últimos anos, há grandes possibilidades, também, de que o estoque recorde americano, estimado em 11,84 milhões de toneladas, abaixe na próxima safra.