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A produtividade da fazenda em outro patamar

07.06.2017

Em Sabáudia, agropecuarista que colheu 190 sacas de soja por alqueire, consegue agora 800 gramas de engorda por cabeça de gado, ao dia, na mesma área

Quem chega à cabeceira da Fazenda Carioca, em Sabaudia, no norte do Paraná, não imagina que em um talhão de 15 alqueires, onde atualmente estão 99 cabeças de gado (todos animais jovens), também se produz soja. A forragem com capim braquiária está bem formada e é a principal fonte de alimento para o rebanho da raça Aberdeem Angus, nesta época. Para alguns, é difícil acreditar que ali, há dois meses, existia uma lavoura de soja. E este será o espaço destinado a esses animais por 90 dias.

De acordo com o pecuarista Edécio Davi Zerbetto, a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) “é um casamento que deu certo”. Na fazenda de 84 alqueires, 25 estão mecanizados e recebem o sistema integrado de forma rotacionada. “O ganho de peso dos animais é muito bom, em média 800 gramas por dia. Se não fosse pela ILP, não poderíamos estar criando este número de bovinos nesta época”, revela.

AMPLIAR - Os resultados têm sido tão positivos que Zerbetto pretende aumentar a área destinada à integração. “Projetamos chegar a 30 alqueires no próximo ano”, cita, lembrando que a ILP já é adotada há cerca de 10 anos, quando os animais de cruzamento industrial começaram a ser criados na propriedade.

Atualmente, dos 25 alqueires, além dos 15 que estão com o capim braquiária para pastagem [em piquetes], 10 receberam milho consorciado com braquiária, que também servirá de alimento para o gado em caso de algum contratempo, como geada ou seca, e cinco alqueires são mantidos com aveia, uma planta que, a exemplo da braquiária, é resistente à geada. “Tenho de me precaver”, diz o produtor.

TRADICIONAL - Na pastagem normal, onde estão 200 animais, o pecuarista estima que o ganho de peso não passa das 500 gramas
dia. “Em um piquete de seis alqueires, por exemplo, nem precisei plantar o capim. É rebrota do ano passado, ou seja, economizei semente.”

No ano que vem, provavelmente, Zerbetto acredita que não precisará semear a braquiária na maior parte das áreas reservadas para a integração. O produtor adverte, no entanto: é importante ficar muito atento ao manejo do gado. “O produtor deve ter um local de refúgio para acomodar os animais em dias de chuva para que o solo não seja compactado e comprometa a próxima cultura”.

CUIDADOS - Outra recomendação do pecuarista é soltar o gado no capim somente depois de 60 dias que a soja foi colhida – o tempo suficiente para crescer. Também não se deve deixar o gado comer toda a massa verde antes da dessecação para o cultivo da soja. As plantas devem ter, no mínimo, 20 centímetros de altura.

“Se o gado comer tudo não vai sobrar capim para a formação da cobertura do solo”, frisa Zerbetto. De acordo com ele, é preciso fazer o manejo de forma correta, visando o boi e a soja. O milho serve como estratégia caso o clima não ajude e a produção de capim não seja suficiente. Se ocorrer tudo bem, há ainda a produção de milho, que pode servir para suplementação posterior.

Ao final dos 90 dias no sistema de ILP, os animais voltam às pastagens comuns, onde recebem suplementação até o ponto de abate. Já as áreas com braquiária e aveia serão dessecadas e, na sequência, recebem o cultivo de soja.

SOJA - Se os ganhos com a pecuária estão sendo positivos, com a soja não foi diferente. A média na fazenda Carioca atingiu 190 sacas de soja [por alqueire] na área de 25 alqueires – com produtividade bruta de 201 sacas.

O engenheiro agrônomo Jacson Bennemann, da unidade da Cocamar em Sabáudia, é quem presta assistência ao produtor e o tem ajudado a obter os altos índices de produtividade.