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Mercado prevê oferta elevada de grãos

14.06.2017

Patamares são considerados confortáveis mas ainda há a possibilidade de surpresas em caso de El Niño

No que depender das primeiras projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para a oferta e a demanda mundiais de grãos na safra 2017/18, que está em fase de plantio no Hemisfério Norte, é difícil imaginar que as cotações internacionais de milho, trigo e soja deixarão de oscilar em torno dos atuais eixos durante o ciclo.

Apesar de algumas previsões divulgadas em maio pelo departamento americano representarem variações expressivas de volume em termos absolutos, as produções previstas continuam em patamares considerados confortáveis para atender, sem crises, ao que se espera do consumo, como em 2016/17, segundo avaliam os especialistas.

A possível ocorrência do fenômeno El Niño ainda poderá causar surpresas e prejudicar lavouras, sobretudo no Hemisfério Sul, mas se isto não acontecer os chamados “fundamentos” tendem a permanecer comportados.

MILHO - Grão mais produzido no mundo, o milho teve sua colheita global em 2017/18 projetada pelo departamento americano em 1,034 bilhão de toneladas, 3% menos que na safra 2016/17. O órgão prevê alta de 0,8% para a demanda, que poderá chegar a 1,062 bilhão de toneladas e, assim, os estoques finais deverão cair 12,8%, para 195,27 milhões de toneladas. Esses estoques equivalem a 18,4% da demanda, abaixo de 2015/16 (21,3%) e de 2016/17 (22%). Segundo maior exportador de milho do mundo, o Brasil tem uma ampla oferta à disposição para brigar por essa demanda.

TRIGO - Para esse cereal, o departamento americano prevê produção mundial de 737,83 milhões de toneladas no ciclo 2017/18, 2% menos que em 2016/17, e demanda global de 734,89 milhões de toneladas, 0,7% menor na mesma comparação. O Brasil é grande importador, mas o fato é que há trigo de sobra.

SOJA - Para a oleaginosa, carro-chefe do agronegócio no Brasil , segundo maior produtor e principal exportador, o departamento americano projeta produção mundial de 344,68 milhões de toneladas em 2017/18, 1% menor que em 2016/17, e aumento de 3,9% na demanda, para 344,21 milhões. Segundo o órgão, os estoques finais do novo ciclo ficarão em 88,81 milhões de toneladas, com queda de 1,5%. Esses estoques representam 25,8% da demanda, abaixo do percentual de 2016/17 (27,2%), mas, acima de 2015/16 (24,5%).

Dada à robustez dos estoques, o departamento de agricultura dos Estados Unidos prevê que os preços pagos aos produtores americanos do grão oscilarão entre US$ 8,30 e US$ 10,30 por bushel durante o ciclo 2017/18, ante a média de US$ 9,55 em 2016/17.

Em boa medida, o cenário da soja não é mais pessimista graças ao aumento previsto para as importações da China. Conforme o departamento, as compras do país no exterior chegarão a 93 milhões de toneladas, acima das exportações brasileiras (63,5 milhões). E essa estimativa, 4 milhões de toneladas superior ao volume 2016/17, encontra eco em projeções divulgadas também pelo ministério da Agricultura da China, que sinalizaram 93,2 milhões.


No Brasil, estimativas
são revisadas para cima

Todas as variáveis parecem estar contribuindo para que os produtores de grãos do país colham nesta safra o maior volume já registrado nas estatísticas agrícolas. O clima favorável, aliado a uma revisão positiva na área de plantio e na produtividade das sementes, levou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a elevar, mais uma vez, sua estimativa para a produção nacional de grãos na safra 2016/17. Se tudo continuar como está, o Brasil fechará o ciclo com uma produção de 232,02 milhões de toneladas de grãos – 1,79% mais que o previsto em abril e 24,3% acima da safra 2015/16.

A área total de plantio deverá fechar o ciclo em 60,36 milhões de hectares, ao passo que a produtividade foi estimada em 3.844 quilos/hectare, ante 3.793 quilos em 2015/16.

O IBGE segue na mesma linha de recordes: a produção nacional de grãos deverá crescer 26,2% em 2017 frente ao ano anterior, e alcançar 233,1 milhões de toneladas.

Conforme a Conab, as colheitas de soja e milho, que juntos representam 90% dos grãos cultivados no país, devem crescer 18,4% e 39,5% respectivamente, em relação à safra anterior. Isso significa 113,01 milhões de toneladas de soja. Para o milho, a estimativa é de produção de 93,83 milhões de toneladas, puxada pela safra de inverno, a mais representativa e ainda em desenvolvimento no Centro-Oeste.