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Produtor tem até 29 de agosto para aderir ao Prosolo

26.06.2017

Adesão é voluntária e produtor terá um ano para fazer o projeto e três para executá-lo

A primeira reunião do Programa Integrado de Conservação de Solos e Água do Paraná (Prosolo) com produtores rurais e técnicos de setores públicos, instituições, empresas e cooperativas, foi promovida na manhã de 10 de maio no recinto do Parque Internacional de Exposições de Maringá (PR), durante a 45ª Expoingá. A iniciativa foi da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

O secretário Norberto Ortigara citou que o Prosolo, mais do que um programa de governo, “é um bom propósito, um propósito de toda a sociedade, que surge para ser duradouro”. Na opinião dele, “tem muita gente fazendo a coisa certa e que será a nossa referência prática”. Quanto às “realidades ruins”, a organização coletiva do programa pretende “dar uma chacoalhada e apontar os caminhos”. O secretário lembrou que a perda de um centímetro de camada superficial do solo demora uma vida para se recuperar e “temos que interromper esse processo de degradação”, acrescentando: “se faz necessário sacudir a poeira daqueles que não se preocupam com o solo”. O secretário mencionou que práticas como o consórcio milho e capim braquiária no inverno, vêm dando certo e devem ser incentivadas. Segundo ele, o proprietário rural que identificar um tipo de problema em sua área e quiser ajuda especializada para resolvê-lo, terá até o dia 29 de agosto deste ano para aderir voluntariamente ao programa, entrando em contato com a unidade da Emater mais próxima. Depois disso, contará com o prazo de um ano para efetuar o planejamento e de três anos para a execução do trabalho.

Fique atento

- até 29 de agosto, adesão voluntária do produtor, com o preenchimento do termo de adesão.
- Um ano para elaboração de um projeto técnico, que deve ser apresentado à Emater.
- Até três anos para a execução do projeto.

Situação “desastrosa” no
arenito, mas há solução

O presidente do Conselho de Administração da Cocamar e diretor da Ocepar, Luiz Lourenço, afirma ser preciso retomar os terraços e as curvas de nível, lembrando que a mentalidade de muitos produtores da região do arenito caiuá - devido a vulnerabilidade desse tipo de solo -, está levando a uma situação “desastrosa”.

O dirigente explicou que a fertilidade quase não existe e são ainda incipientes os trabalhos de conservação que eles praticam. “Observa-se um descaso por parte de muita gente, que ainda insiste em usar grade, por exemplo, o que não atende ao objetivo que é o de buscar o crescimento sustentável”, asseverou. No entanto, há soluções, observou Lourenço, mencionando que mesmo em regiões de solos pobres, há produtores conduzindo suas propriedades de maneira exemplar, bem orientados e obtendo médias altas de produtividade de grãos e produção de carne, conforme se pode atestar em diversos municípios atendidos pela cooperativa. “Temos dois milhões de hectares de pastagens degradadas na região noroeste e vejo isto como um espaço que pode e deve incorporado ao processo produtivo, por meio de práticas conservacionistas”, disse.

Consórcio milho e braquiária
cresce por seus resultados

O gerente técnico da Cocamar, Leandro Cezar Teixeira, comentoa que a cooperativa está inserida em regiões que impõem desafios maiores para a conservação do solo, caso do arenito caiuá, no noroeste do estado. No entanto, graças a uma parceria mantida há quase duas décadas com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), chegou-se a tecnologias apropriadas para enfrentá-los. Teixeira exibiu uma fotografia de uma propriedade localizada próxima a Paranavaí que, no ano passado, sofreu pesados danos com a erosão. Detalhe: a área vizinha, onde é mantido um programa conservacionista de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), não sofreu dano algum. “Está bem claro para nós que é possível produzir de maneira sustentável nessa região”, comentou. O gerente fez referência ao produtor Albertino Afonso Branco, o Tininho, vencedor do concurso de produtividade de soja organizado pela Cocamar, na categoria ILPF, no ciclo 2016/17. com 213 sacas por alqueire (88 sacas/hectare). Segundo Teixeira, Tininho faz o consórcio milho e braquiária há anos e as suas médias são bem melhores que a de muita gente que cultiva na terra roxa, além de não ter problema com erosão. O gerente explicou que a área com o consórcio vem crescendo ano após ano, já chegando a 60 mil hectares na região da Cocamar. “Com o consórcio, se faz a conservação do solo e se impulsiona a produtividade da soja no verão”, completou.


É questão de preservar a renda

O professor e pesquisador aposentado, engenheiro agrônomo Marcos José Vieira, disse que a conservação do solo não é só uma questão ambiental, mas também de renda para o produtor. De acordo com Vieira, o solo é o provedor de água e nutrientes, que são a base da produção e da produtividade. “O solo argiloso é igual a uma pessoa diabética, precisa cuidar todos os dias”, ressaltou, lembrando que a sequência soja-milho constitui, com o passar do tempo, um problema para o agricultor. “A rotação é importante para o equilíbrio da flora e da fauna, sem ela a situação vai se complicando”, acrescentou. Insistir nisso, segundo ele, é como enxugar gelo, “uma estratégia equivocada”.

Benefício semelhante a
uma rotação de culturas

Há quatro anos que o produtor e engenheiro Cleber Veroneze Filho conduz o consórcio milho e braquiária na fazenda de 180 alqueires de sua família, em Maringá. Ele comentou, em sua palestra, que essa prática protege e conserva o solo das intempéries, gera um benefício semelhante a uma rotação de culturas e, ao contrário do que alguns pensam, não traz prejuízo ao milho, a não ser no primeiro ano. “No primeiro ano, se o tempo for seco, pode até concorrer, mas no segundo isto não acontece”, disse.

De acordo com o produtor, as chuvas intensas dos últimos anos não causaram nenhum dano à propriedade, onde os terraços e curvas de nível estão preservados. Segundo ele, a palha deixada pela braquiária aumenta a atividade microbiológica, enquanto a matéria orgânica estrutura o solo. Ao mesmo tempo, há controle de ervas daninhas, uma vez que a quantidade de emergência de sementeiras é menor. E, com seu enraizamento, a braquiária rompe a compactação, permitindo que as raízes se aprofundem. “Para mim, a braquiária é uma espécie de seguro”, completou.