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Programa de café da Cocamar tem o primeiro plantio mecanizado

03.07.2017

O primeiro plantio de café no Projeto de Máxima Produtividade dessa cultura, na Cocamar, foi iniciado com uma solenidade que reuniu produtores e técnicos da cooperativa, entre outros convidados, na manhã de quarta-feira (28) em Cianorte (PR), na propriedade do cooperado Marco Franzato

RENTÁVEL - A Fazenda Dom Augusto, de 101 alqueires, adquirida há seis anos, vem implementando um projeto de diversificação e, na opinião do proprietário, que atua em vários outros segmentos, o café conduzido com práticas modernas “é um dos negócios mais rentáveis da agricultura atualmente”.



MECANIZADO - Ali estão sendo plantados, de forma mecanizada, 230 mil pés, em uma primeira etapa. A mecanização foi planejada, segundo Franzato, para atender todas as fases, do plantio à colheita. “Um homem, sozinho, é capaz de cuidar de tudo isso”, observa. A primeira colheita está prevista para acontecer já em 2019, projetada entre 24 e 36 sacas por alqueire. A partir do terceiro ano do plantio, a produtividade poderá chegar a 100 sacas por alqueire.



CURIOSIDADE - O plantio mecanizado, ainda uma novidade no noroeste, despertou a atenção dos mais de 100 participantes. O serviço é executado por empresas prestadoras que já trabalham em outras regiões do estado, como a de Carlópolis, no norte pioneiro, principal produtora de café do Paraná. “É semelhante a um plantio de mandioca”, comentou o cooperado Antonio Paleta Filho, de Indianópolis, que já foi dono de 8 mil pés de café.



APOIO DA COOPERATIVA - Franzato relatou, ao falar aos produtores, que se convenceu da viabilidade do café ao viajar por regiões produtoras de Minas Gerais e também por conhecer a forma de trabalho da Cocamar. “A gente vê que a cooperativa quer ajudar e faz de tudo para demonstrar que é um bom negócio”, afirmou. “Com a cooperativa, não tem tempo ruim, a gente pode contar com eles inclusive sábados e domingos, se precisar.”



RETORNO RÁPIDO - Os custos de implantação da cafeicultura na Fazenda Dom Augusto estão orçados em R$ 1,1 milhão, valor financiado a juros agrícolas junto às instituições financeiras. “Dependendo da produtividade, no terceiro ano a gente já vai conseguir pagar”, acredita o produtor, que vem de uma família de cafeicultores daquele município. Franzato fez um comparativo do retorno oferecido pela criação de gado, com a cafeicultura, para demonstrar a viabilidade dessa lavoura. Fazendo as contas, considerando todos os itens, a pecuária proporciona um lucro de R$ 1,7 mil/alqueire/ano, “o que é muito pouco”, avaliou ele. Já o café, estimando-se uma produtividade de 100 sacas por alqueire/ano em média, o lucro é de quase R$ 15 mil. Em dois anos, Franzato pretende chegar a 350 mil pés. As variedades predominantes são Mundo Novo, Catuaí, PR-107, PR-100 e Iapar, com mudas produzidas por um viveiro de Terra Boa (PR).



GANHAR DINHEIRO - Ao pronunciar-se no evento, o superintendente de Varejo, Café e Fios da Cocamar, Marco Roberto Alarcon, assinalou que é possível a um produtor de qualquer porte, seja ele pequeno, médio ou grande, ganhar dinheiro com café. “A cafeicultura é uma das melhores propostas para um projeto de diversificação de uma propriedade, especialmente pelo sistema mecanizado e é uma oportunidade para quem já possui máquinas”, disse. E mesmo que o pequeno agricultor não tenha maquinário, é possível adaptar-se ao projeto com soluções simples e ao seu alcance. Alarcon deixou claro, no entanto, que a concepção do café mecanizado exige planejamento e acompanhamento técnico integral, para que os resultados sejam os pretendidos. “Há prestadores de serviços que fazem todas as operações”, acrescentou o superintendente, frisando que pelo modelo mecanizado, mesmo pagando aos prestadores, é possível obter uma economia ao redor de R$ 100 por saca em comparação ao sistema manual.



VENDA FUTURA - Alarcon explicou, ainda, que já existe sistema de comercialização de café semelhante aos da soja, por exemplo, com venda futura. “O ideal é ir vendendo aos poucos e garantir uma boa média”, orientou, afirmando que a ideia do projeto é selecionar 15 propriedades localizadas na região da cooperativa, de produtores dispostos a investir, as quais serão acompanhadas por especialistas renomados, contratados pela cooperativa, para que recebam as melhores tecnologias e sirvam de vitrine.



SEGURO - Quanto à preocupação com as geadas mais intensas, o superintendente da Cocamar explicou que uma ocorrência dessa ordem tem acontecido, em média, a cada 5 anos. “As adversidades climáticas são comuns, também, entre os produtores de soja”, lembrou Alarcon, fazendo referência ao ciclo 2015/16, prejudicado por fortes chuvas na colheita. “Os produtores contam com seguro para minimizar possíveis perdas. O seguro ainda não é o ideal, mas oferece amparo”, declarou. Quanto aos investimentos, ele destacou que o crédito oficial prevê linhas para apoiar os cafeicultores, com prazo de 10 anos para pagar e 3 de carência, sendo que as taxas de juros variam atualmente entre 6,5 a 7,5%. “A maioria dos fatores que eram limitantes para o café, hoje tem solução”, disse o dirigente da cooperativa, salientando que o projeto tem tudo para dar certo. Ele acrescentou, ainda, que o sistema de fertirrigação oferece segurança ao nutrir e hidratar as plantas nos momentos adequados. “Um problema climático pode afetar as plantas e derrubar a produtividade. Com fertirrigação, isto não acontece”, enfatizando que os pequenos podem fazer a irrigação com tanque.



OPERAÇÕES - O consultor de café da Cocamar, Adenir Fernandes Volpato, o Gabarito, é também o profissional que presta assistência direta ao produtor Marco Franzato, em seu plantio. De acordo com Gabarito, “é muito bom ver pastos dando lugar a lavouras de café, pois toda a economia regional acaba ganhando com isso”. Ele comentou que, na propriedade, foi feita a dessecação do pasto, a aplicação de calcário, a operação de subsolagem, a aplicação de gesso com gradagem, a adubação e o sulcamento. “O batedor de sulco também é uma novidade na região”, comentou o consultor, explicando que o equipamento, atrelado a um trator, mistura bem o solo. “Usamos, também, um ‘pé-de-pato’ para nivelar o terreno. Quanto a máquina de plantio, Gabarito disse que o rendimento é expressivo, plantando os cafeeiros no espaçamento de 3,80m entre as ruas e 0,60m entre as plantas. “A única parte que ainda não conseguimos fazer com máquinas é a desbrota, mas é um serviço sem segredos”, completou.



PLANTAR - Animado com o que viu no evento, o produtor João Batista Garcia, de Cianorte, diz que vai plantar um alqueire de forma mecanizada, o que dá cerca de 8 mil pés. “Vou erradicar 2,5 mil pés velhos e investir nessa novidade. O café é imbatível quando se fala em rendimento e eu quero ir por esse caminho”.