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A qualidade do solo em foco

30.08.2017

O DRES – Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo auxilia técnicos e produtores da Cocamar no manejo do solo

A família do produtor Cleber Veroneze Filho, 34 anos, de Maringá (PR), sempre teve consciência da necessidade de cuidar da terra, em sua propriedade, adotando práticas conservacionistas. No entanto, faltava ainda, segundo ele, algo que facilitasse ao produtor compreender melhor o solo que cultiva e suas particularidades. Mais recentemente, por indicação da Cocamar, Veroneze, que é agrônomo, acabou encontrando o que precisava.

Ele conta agora com o Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (Dres), um método simples e rápido, que permite uma avaliação visual e saber, por exemplo, em que nível se encontra a compactação.

A ferramenta foi desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com o apoio de várias instituições. A Cocamar foi uma das primeiras cooperativas a adotar o Dres ainda em 2016, antes mesmo do lançamento oficial, em 2017. Para isso, mobilizou sua equipe de profissionais técnicos, após treinamento na Embrapa, para disseminar o método inovador em todas as regiões onde atua, visando a identificar os estágios de compactação em diferentes tipos de solo. Veroneze faz parte do primeiro grupo de produtores a utilizá-lo. Para isso, recebeu orientação dos técnicos da cooperativa.

O MÉTODO – Debiasi explica que o DRES é um método de avaliação visual da estrutura do solo que leva em conta a qualidade da agregação do solo, a partir de amostras dos primeiros 25cm. Nas amostras, são observados o tamanho e a forma dos agregados e torrões, presença ou não de compactação ou outra modalidade de degradação do solo, forma e orientação das fissurações, rugosidade das faces de ruptura, resistência à ruptura, distribuição e aspecto do sistema radicular, e evidências de atividade biológica. A partir desses critérios, atribui-se uma pontuação de 1 a 6, na qual 6 é indicativo de melhor condição estrutural, e l representa o solo totalmente degradado.

Segundo Debiasi, os dados de pesquisa mostram que a escarificação do solo, quando realizada sem necessidade, além de ampliar o custo de produção, pode levar à perda de produtividade. “Por isso, temos a expectativa de que o Dres contribua para melhorar a avaliação da qualidade física do solo e sirva para dar suporte ao processo de tomada de decisão quanto ao manejo mais adequado do solo”, diz.


“Aplicando o método, podemos entender o solo de uma maneira mais objetiva, rapidamente e sem empirismos”, afirma Veroneze, que é assistido pelo agrônomo da cooperativa Walmir Schreiner, um dos 85 profissionais que receberam treinamento na Embrapa.

De acordo com Wendel Justino Rodrigues, técnico da Cocamar Unidade Maringá, a receptividade dos produtores, em geral, está sendo muito boa em relação ao DRES. “Eles sabem que a compactação é um fator inibidor da produtividade”, afirma.

Para o coordenador técnico da Cocamar, Rafael Furlanetto, “o DRES é uma ferramenta estratégica para que a cooperativa consiga elevar a produtividade dos cooperados, nos próximos anos, para a meta de 100 sacas de soja e 200 sacas de milho por hectare”. A ideia é que os primeiros produtores a utilizá-lo sejam, também, seus divulgadores, disseminando o método entre os demais.

“O Dres permite, de forma muito mais rápida, a tomada de decisão sobre práticas de manejo para melhorar a qualidade dos solos”, segundo o pesquisador da Embrapa Soja, Henrique Debiasi.

EXPECTATIVA – A estrutura do solo é componente essencial da fertilidade, porque influencia o comportamento físico, químico e biológico do solo, dando sustentação à produtividade agrícola. Até agora no Brasil, a estrutura das camadas superficiais vinha sendo avaliada por meio de métodos quantitativos que não a caracterizavam precisamente e eram de difícil aplicação e interpretação em condições de campo.