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Café teve a maior florada dos últimos anos

27.09.2017

Concentração deve proporcionar uma maior uniformidade na maturação e melhor qualidade de grãos na colheita, facilitando o serviço

Os cafezais em flor, no final de agosto, davam mostra do que promete ser uma grande produção de café na próxima safra. “Esta foi a primeira do ano. Há tempos não se via uma florada tão intensa. Por conta dos 60 dias de estiagem, as floradas de junho e julho não ocorreram, se concentrando nesta no final de agosto”, afirma Adenir Fernandes Volpato, o Gabarito, consultor técnico da Cocamar.

Gabarito explica que durante a estiagem a planta ficou dormente, o que acabou beneficiando porque evitou que ocorressem várias floradas, como no ano passado. Isso deve proporcionar uma maior uniformidade na maturação e melhor qualidade de grãos na colheita, facilitando o serviço, “se tudo correr dentro da normalidade daqui em diante”, diz, ressaltando que “os pés estão com bastante folhas e as flores são grandes e sadias, com grande chance de uma boa safra no ano que vem”.

PRECOCES - O consultor citou ainda que nem todas as variedades tiveram uma florada tão intensa, como ocorreu principalmente com as precoces. Com as variedades Obatan e IPR 100 as floradas foram boas, mas não tão intensas.

De um modo geral, as lavouras de café mais novas, com sistema radicular menos desenvolvido, sentiram um pouco a estiagem. Também houve um ataque de pragas e doenças mais intenso que o normal, devido ao clima mais seco, afirma.

ADUBAÇÃO - Gabarito alerta que o produtor deve aproveitar o período para iniciar a adubação via solo e fazer as pulverizações de pré e pós-florada (inseticida, fungicida, adubo foliar). “É fundamental consultar um profissional técnico que possa orientar sobre qual a necessidade da lavoura”, afirma, ressaltando que o produtor pode aproveitar as campanhas da Cocamar.

Já no caso do cafezal que não deve produzir este ano, é tempo também de pensar na adubação e no manejo de poda, orienta. Gabarito também cita a possibilidade de fazer a venda futura de café na hora da compra de insumos, fixando o percentual da safra destinado a esse custo da produção.


Laranja foi beneficiada pela estiagem

Os quase 60 dias de estiagem mais favoreceram do que prejudicaram os pomares de laranja na região da Cocamar.
No caso da maioria dos pomares de laranja, o estresse hídrico aliado ao estresse térmico beneficiaram a florada, que está sendo muito boa na avaliação do engenheiro agrônomo especializado em citros, Sérgio Villela Lemos. “Se tudo continuar dentro da normalidade, a tendência é de obter uma boa produção na próxima safra”, diz.

CUIDADOS - Já os frutos que estavam sendo colhidos na época da estiagem, perderam peso, mas com o retorno das chuvas, voltaram à normalidade. O período seco não chegou a causar danos maiores às plantas, como perda de folhas, o que demandaria um gasto de energia maior para repor estas, derrubando frutos.

Daqui para frente, comenta Sérgio, é torcer para que não haja novas estiagens ou altas temperaturas, como ocorreu há três anos, com mais de 20 dias acima de 40ºC, levando a perda de frutos.

Sérgio orienta que os produtores consultem os profissionais técnicos para executarem os manejos necessários para o período. “É tempo de adubação pós-florada, especialmente de adubo nitrogenado, para garantir a carga”, afirma.

O agrônomo ressalta ainda que, no pós-florada, o produtor tem que estar atento à podridão floral, mais conhecida como estrelinha, aplicando fungicida, principalmente se o clima for mais chuvoso. Tem ainda que controlar a pinta preta e o cancro cítrico e manter as aplicações de inseticidas contra o psilídeo, inseto transmissor do greening.

TRIGO – As primeiras áreas de trigo, plantadas em meados de abril, que começaram a ser colhidas, não foram tão afetadas pela estiagem. Com pouco mais de 5% do total colhido, essas lavouras têm produzido em média 3 mil quilos por hectare, segundo engenheiro agrônomo e coordenador do Departamento Técnico Culturas Anuais da Cocamar, Rafael Herrig Furlanetto.

Já as plantadas posteriormente foram as mais afetadas pela falta de chuvas, devendo registrar uma perda maior, fechando com uma média de produtividade de menos de menos de 2 mil quilos por hectare, cerca de 30% a menos do esperado inicialmente, 2.900 quilos por hectare.