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Sementes bem distribuídas

25.10.2017

Em Umuarama (PR), agropecuarista que faz integração lavoura-pecuária há quase 15 anos diz que todo cuidado é pouco em cada detalhe para quem deseja alcançar alta produtividade


A adequada distribuição de sementes, na fase de plantio, é quesito fundamental para começar a safra apostando em alta produtividade. Para o agropecuarista Gérson Bórtoli, de Umuarama (PR), todo cuidado é pouco: “Se começar errado, não tem como consertar lá na frente”.

Na manhã de 24 de outubro, ainda fazendo o plantio da safra de soja 2017/18, Bórtoli recebeu a equipe do Rally Cocamar Bayer e Spraytec de Produtividade, quando mostrou que a distribuição de sementes no solo atendia às suas expectativas. Ao remexer um dos sulcos deixados pela passagem da plantadeira, apontou: as sementes estavam “alinhadas e uniformemente bem distribuídas”.

O Rally conta com o patrocínio, também, da Ford, Sancor Seguros e Unicampo, com apoio do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb).

QUEBRA DE PARADIGMA - Não se trata apenas de um capricho. Na “terra do boi”, em pleno arenito caiuá, Bórtoli cultiva 410 hectares com soja adotando o sistema de integração lavoura-pecuária (ILP). O produtor representa uma quebra de paradigma na realidade regional que, embora tenha passado por mudanças nos últimos 20 anos, ainda é caracterizada, em sua maior parte, por pastos degradados.

As mudanças vieram com a integração, que trouxe a soja como alternativa viável para a reforma de pastagens exauridas por décadas de exploração e sem que houvesse a necessária reposição de nutrientes no solo. Mesmo sem nunca ter lidado com soja, Bórtoli começou em 2003/04 a reformar os pastos cultivando a oleaginosa no verão, e não parou mais.

APRIMORANDO - “Comecei aos poucos, com 40 hectares”, relembrou, dizendo que recebeu orientação técnica da Cocamar e foi se aprimorando com o passar do tempo. Após quase 15 anos, garante: nunca teve prejuízo com a adoção dessa prática e tampouco houve alguma frustração de safra, mesmo em anos menos chuvosos.

O bom desempenho do agropecuarista é avaliado tecnicamente por profissionais especializados da cooperativa. Por várias vezes, nas últimas safras, ele ficou entre os primeiros colocados no Prêmio Cocamar de Produtividade de Soja, competindo com produtores da terra roxa. No ciclo 2016/17, por exemplo, sua média geral foi de 160 sacas por alqueire (66,1/hectare) e de 215 sacas/alqueire (88,8/hectare) na área do concurso.

FAZER BEM FEITO - “É preciso buscar sempre a melhoria da produtividade”, afirmou Bórtoli, acrescentando ser indispensável, também, gerenciar os custos “sem prejuízo das tecnologias recomendadas”. E resumiu: “integração só dá certo se for bem conduzida”.

É com essa visão que ele disse vislumbrar o desafiador horizonte da safra 2017/18, de cotações deprimidas pela oferta abundante, enfatizando que, independente das preocupações que cercam o mercado da oleaginosa, “o produtor precisa fazer a sua parte”.

Bórtoli acredita estar fazendo a sua. Desde que começou a lidar com soja, conseguiu dobrar a produtividade média da lavoura, que foi de 80 sacas/alqueire (33/hectare) em 2003/04. Mas não se dá por satisfeito. Com a ajuda do filho Hugo, que é formado em agronomia, e dos profissionais da cooperativa que lhe prestam assistência técnica, ele faz planos de galgar logo o próximo degrau: o patamar de 200 sacas em média por alqueire (82,6/hectare). E concluiu, confiante: “Estamos trabalhando para isso”.

Braquiária, o elo de ligação

O sistema de integração, seja lavoura-pecuária-floresta (ILPF) ou lavoura-pecuária (ILP), conta com um indispensável elo de ligação: a braquiária, um capim de múltiplas finalidades.

COMIDA - Semeada após a colheita da soja, de forma solteira ou em consórcio com o milho de segunda safra, a braquiária se desenvolve no outono e estará em seu auge no inverno, período em que os pastos, de um modo geral, são castigados pelo frio e o rebanho perde peso por falta de alimento. Por pelo menos 100 dias, entre os meses de junho, julho e agosto, essa massa verde com um metro de altura servirá de pastejo para o gado, conferindo ganho de peso aos animais.

SUBSOLO - Ao mesmo tempo, com seu intenso enraizamento, a braquiária estará agindo no subsolo, reestruturando-o e reciclando nutrientes, além de romper a camada de compactação, o que facilita a absorção de água da chuva.

PALHADA - Na primavera, o capim é dessecado quimicamente para possibilitar, com a camada de palha, o plantio direto do novo ciclo da soja. A palhada vai elevar os níveis de matéria orgânica do solo e, também, protegê-lo da chuva forte – evitando as danosas enxurradas – e também da insolação, mantendo a superfície úmida por mais tempo após a chuva. Nesse ambiente protegido, a palha contribui para o melhor desenvolvimento da lavoura e também para amenizar o impacto de eventuais déficits hídricos.

A soja financia a pecuária

No modelo de integração, como o adotado pelo produtor Gérson Bórtoli, de Umuarama, a soja financia a pecuária ao fazer a reforma periódica dos pastos que, assim, passam a ter condições de alimentar mais cabeças sem a necessidade de aumentar a área.

Enquanto pela realidade da região noroeste do Paraná a média dos pastos degradados é de apenas meia carcaça de animal por hectare/ano, segundo dados da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em uma propriedade com integração o número de cabeças é bem maior. Segundo Bórtoli, a abundância de massa verde de braquiária possibilita alimentar de 3 a 4 cabeças por hectare no inverno.

Corre-corre

No plantio, a correria é grande. O produtor Édio Favoretto, de Maringá, contou à equipe do Rally que sai de casa entre às 5 e 5:30 da manhã para iniciar os preparativos: abastecer o tanque com óleo diesel para as máquinas, bem como ajeitar as sementes e o adubo, entre outros detalhes. “Depois de ir para a roça, a gente só volta pra casa por volta das 11 da noite ou até mais tarde”, cita.

Favoretto lembra que a janela de plantio ficou muito apertada. Em 15 ou 20 dias, é preciso fazer todo o plantio. “Com as tecnologias que hoje estão disponíveis, a gente consegue plantar mais, o serviço rende mais”. A bordo do trator, equipado com recursos de última geração, como GPS e sensores, o produtor acompanha, por exemplo, pelo monitor de plantio, linha a linha, a quantidade de sementes que está sendo depositada por metro. E, se houver alguma falha, o piloto é avisado imediatamente.

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