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Agora pode terceirizar

04.12.2017

A reforma trabalhista trouxe mudanças importantes para o trabalho no campo, mas é preciso atentar às especificações

A nova legislação trabalhista, Lei 13.467/2017, que entra em vigor dia 11 de novembro, trouxe mudanças importantes para o trabalho no campo e deve colocar fim a injustificável dicotomia: “atividade meio” e “atividade fim”, situação que excluía da terceirização centenas ou milhares de segmentos econômicos, ávidos por ganho de produtividade, dentre eles o agronegócio.

Segundo Joseane Fernandes, advogada da Employer, por falta de previsão legal, por muitos anos a terceirização urbana seguiu os comandos da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho, que permitia a terceirização apenas para as atividades meio da empresa tomadora de serviços. Não era aceita pela Justiça do Trabalho a contratação de empregados terceirizados para trabalharem na atividade fim. A publicação recente da Lei 13.429 iniciou a regulamentação da terceirização.

CAMPO - No meio rural, entretanto, a terceirização na atividade fim era permitida legalmente desde 1973, através da Lei 5.889 – Lei do Trabalho Rural, que deixava inclusive firmar contrato por prazo determinado, o chamado “contrato de safra”, mas, o Judiciário Trabalhista impunha os mesmos limites da terceirização urbana.

“Agora, com a reforma trabalhista, a terceirização na atividade fim passará a ser permitida legalmente para quaisquer atividades da empresa tomadora, e tanto para o meio urbano como para o rural, acabando, por fim, com as discussões judiciais sobre o tema”, afirma Joseane, ressaltando que o objetivo do legislador foi a modernização das relações de trabalho, a promoção de novas oportunidades de emprego e a manutenção de trabalhadores no mercado de trabalho.

CAPACIDADE - Mas há outras mudanças importantes trazidas pelas Leis 13.429/2017 e 13.467/2017 com reflexos na terceirização como a necessidade de avaliar a capacidade econômica da empresa prestadora de serviços para desenvolver os serviços contratados. A Lei 13.429/2017 estipulou valores mínimos de capital social para ela de acordo com o seu número de empregados.

“Apesar da boa intenção do legislador, os valores mínimos estipulados poderão ser considerados como um risco, pois em determinadas situações o capital social da prestadora poderá ser inferior ao custo de uma ação trabalhista ou de uma demanda previdenciária”, comenta a advogada, destacando a importância de se buscar uma empresa com credibilidade, boa reputação e atuação no mercado, “pois o produtor será responsável subsidiário pelo pagamento das obrigações trabalhistas e previdenciárias do trabalhador terceirizado. Se a empresa prestadora não pagar corretamente todos os valores, quem contratou irá pagar”.

Garantias ao empregado terceiro

A advogada da Employer, Joseane Fernandes, diz que o empregado terceiro terá direito às mesmas condições oferecidas aos empregados efetivos da empresa. Isso com relação à alimentação, quando oferecida em refeitórios; à utilização dos serviços de transporte e atendimento médico e ambulatorial existentes no local.

Também terá que garantir condições sanitárias adequadas ao desenvolvimento de seu trabalho, aplicando medidas de proteção à saúde e segurança no trabalho e, se a atividade exigir, os empregados deverão passar pelos treinamentos necessários. Uma inovação da reforma trabalhista é a possibilidade de a empresa prestadora de serviços e a contratante estipularem, aos empregados terceiros, salários ou outros benefícios equivalentes ao dos efetivos.

QUARENTENA - Ao possibilitar a terceirização de quaisquer atividades da empresa contratante, ficou estipulado um período mínimo de 18 meses para a contratação dos empregados efetivos da tomadora como terceiros, a chamada quarentena.

DESVIOS - A Lei 13.429/2017 trouxe expressamente a proibição quanto à utilização dos trabalhadores terceiros para atividades distintas das que foram contratadas com a empresa prestadora de serviços.

Horas in itinere

Um dos pontos mais comentados e mais impactantes no setor agro é com relação às horas in itinere, que foram extintas, afirma Joseane Fernandes, advogada da Employer.

Com a reforma trabalhista, o tempo de deslocamento do empregado ao trabalho e para o seu retorno, mesmo por transporte oferecido pelo empregador, não será considerado como tempo à disposição do empregador, não ensejando o pagamento das horas (extras) in itinere.

“Estas foram as principais mudanças da legislação no que diz respeito à terceirização, um passo importante para a economia brasileira”, finaliza a advogada.