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Produtores aceleram a colheita de soja

27.02.2018

Com o tempo firme, os produtores de soja aproveitam para agilizar a colheita na região da Cocamar

“A safra deste ano não está sendo uma brastemp”, avisa Paulo Vinícius Tamborlim, de Atalaia, a 58 quilômetros de Maringá. A lavoura enfrentou extremos ao longo do ciclo, como longa estiagem e chuvas em excesso, baixas e altas temperaturas. O resultado até agora não se compara ao do ano passado (ciclo 2016/17), de clima favorável, mas também não é ruim. “A agricultura é assim mesmo, como se diz, uma indústria a céu aberto”, sorri Tamborlim, que até o último domingo (25), havia colhido cerca de 100 alqueires (242 hectares) com a média de 142 sacas/alqueire (58,6 sacas/hectare), pouco abaixo do potencial estimado. A 50 quilômetros dali, em Ourizona, José Rogério Volpato manejava a colheitadeira e, ainda praticamente no início dos trabalhos, calculava atingir a média de 160 a 170 sacas/alqueire (66 a 70 sacas/hectare), próxima à da temporada anterior.

De acordo com o departamento técnico da cooperativa, a colheita intensifica-se a partir de agora e até esta segunda-feira (26), não mais que 25% da operação estavam finalizados. A previsão é que a safra esteja concluída até o final de março.

DIFERENÇAS - Os números e expectativas variam de município para município. Na maior parte das regiões, a prolongada temporada chuvosa, entre dezembro e janeiro, reduziu a luminosidade e provocou uma redução na produtividade estimada. O cooperado Albertino Afonso Branco, de Iporã, próximo a Umuarama, liquidou a fatura no sábado (24/2) e sua média ficou em 153 sacas por alqueire (63,2/hectare), 12 a menos que a do ano passado. “Não posso reclamar por tudo o que passamos”, comenta Branco, que cultiva soja em solos arenosos, a exemplo de Luiz Fernando Paro de Oliveira, de Cruzeiro do Oeste, perto de Cianorte. Paro foi um dos primeiros de sua região a concluir a colheita, ainda no início de fevereiro, com a média de 140 sacas/alqueire (57,8/hectare). O equipamento de irrigação com pivô central permitiu que ele semeasse mais cedo, em meados de setembro. Quem visita a sua propriedade já encontra, no lugar, uma lavoura de milho em franco desenvolvimento.

Como o tempo atrasou a semeadura da soja na maior parte das regiões, a colheita também acontece mais tardiamente, abreviando a janela de semeadura do cultivo subsequente, o do milho de inverno. Por isso é que no oeste paulista, na semana passada, mal a chuva terminou e já se via colheitadeiras em ação. O prazo ideal para semear o milho, de acordo com o zoneamento agroclimático, vai até o final da primeira quinzena de março. Depois disso, a cultura fica ainda mais sujeita aos riscos trazidos pelo frio e à redução natural da luminosidade com os dias mais curtos, no inverno. O produtor Emílio César Tronco, de Palmital, concluía os preparativos na última sexta-feira (23), para começar a colher. “A soja que mais sofreu foi a plantada entre 8 a 15 de outubro”, afirma Tronco, que avalia uma produtividade entre 120 a 130 sacas/alqueire (49,5 a 53,7/hectare), contra a média de 145 sacas/alqueire (59,9/hectare) no ciclo 2016/17. Ainda em Palmital, a colheita estava apenas começando na propriedade da família Fadel, que é servida de irrigação com pivô central. César Fadel, um dos três irmãos que tocam os negócios, diz estar confiante quanto a produtividade: “esperamos mais que as 150 sacas [por alqueire, equivalente a 61,9/hectare, em média] do ano passado”.