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Lideranças debatem o protagonismo do agro

12.04.2018

Com a presença de importantes lideranças nacionais, a ExpoLondrina sediou na segunda-feira (9) à tarde a terceira edição do Fórum do Agronegócio , que teve como tema “O protagonismo do agro brasileiro no mundo”. Entre muitos outros convidados estavam os ex-ministros da Agricultura Roberto Rodrigues e Alysson Paolinelli, a senadora Ana Amélia Lemos, o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, e o presidente da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, Luiz Lourenço.

A iniciativa da Sociedade Rural do Paraná (SRP) e da empresa MMarchiori reuniu cerca de 400 participantes, entre produtores rurais, autoridades, dirigentes de cooperativas e profissionais ligados ao setor.

EXPECTATIVA - Ao pronunciar-se, Roberto Rodrigues, atualmente presidente do conselho de Agronegócio da Fiesp e coordenador do núcleo de agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), disse que a população global não pode privar-se de alimentação e que nos próximos dez anos, segundo estudos da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que reúne 35 países, o mundo terá que ampliar a oferta de comida em 20%. “Em relação a essa demanda, a grande expectativa é que o Brasil se consolida como o grande fornecedor”, citou Rodrigues. Ele disse não ter dúvidas de que o país conseguirá cumprir o seu papel, pois em apenas 40 anos passou de nação importadora de alimentos a uma das principais exportadoras.

DESAFIOS - Em sua palestra, o atual presidente da Abramilho, Alysson Paolinelli, ressaltou que o Brasil tem grandes desafios pela frente. Um deles é a tributação excessiva. “Os impostos pagos por quem trabalha equivalem a mais de 40% do PIB”, salientando que um trator no Paraguai custa 30% menos do que no Brasil. Na visão dele, os últimos governos “gastaram absurdamente e muito além dos orçamentos, gerando uma dívida pública elevadíssima”. Por fim, enfatizou que os produtores rurais, de uma forma geral, mesmo com toda a importância que representam para a economia, contam com pouco apoio oficial.

ATAQUES - “Se não fosse pelo agro, o Brasil estaria arrasado economicamente”, comentou o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken. Segundo ele, apesar disso, há um velado rancor da sociedade urbana em relação à rural e ataques que considera absurdos a um setor tão produtivo e importante. Ricken citou o exemplo da operação Carne Franca, desenvolvida no início de 2017 pela Polícia Federal, em que se colocou em xeque a qualidade da carne brasileira. “A quem interessa isso?”, questionou, citando que o agro brasileiro é o que mais preserva no mundo. No Paraná, praticamente 1/3 da vegetação nativa é preservada, conforme dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

LESA-PÁTRIA - A senadora Ana Amélia ressaltou que a operação Carne Fraca “foi um crime de lesa-pátria”, acrescentando que o Brasil não tem sabido negociar com outros países, deixando escapar oportunidades de colocar os seus produtos ou ampliar sua presença em muitos mercados.

CUSTOS MAIS BARATOS - Depois de ouvir que o Brasil, embora com uma safra de 238 milhões de toneladas de grãos no ano passado, possui estruturas para acondicionar somente 50 milhões de toneladas, o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, afirmou que não compensa para uma empresa construir armazéns, pois se trata de um investimento muito elevado e de retorno discutível. “Precisamos de custos mais baratos para o setor”, reivindicou, justificando que nos últimos 15 anos o agronegócio promoveu superávit na balança comercial brasileira que superam a 1 trilhão de dólares. Lourenço também destacou a importância de projetos como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) para incrementar a produção de alimentos. “Só no noroeste do Paraná, em solo arenoso, temos 2 milhões de hectares de pastos degradados que podem ser incorporados ao processo produtivo”.

POTÊNCIA - Por fim, o presidente da John Deere Brasil, Paulo Herrmann, comentou que o Brasil tem chances de ser reconhecido, num futuro próximo, como a maior potência mundial em produção de alimentos e de forma sustentável. Segundo ele, isto é dito pelos próprios norte-americanos, citando que os EUA já chegaram a representar 60% da exportação mundial do milho, porcentual que caiu à metade. “O espaço está sendo ocupado gradativamente pelo Brasil”, afirmou Herrmann, pontuando ainda que a preocupação deles, agora, é também com a soja. “Eles veem os brasileiros encostando”, frisou.