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Dia de Campo reúne 150 citricultores

30.04.2018

Um dia de campo sobre aspectos relacionados à cultura da laranja foi promovido pela Cocamar e empresas parceiras na tarde desta quinta-feira (26/04) em Nova Esperança, noroeste do Estado, na propriedade de Pedro Evangelista dos Santos (conhecido por Pedro Radade) e seu filho, Raphael Urbano dos Santos.

Para o evento, foi programado um circuito de palestras que reuniu cerca de 150 produtores do município e imediações. O agricultor João Brumatti Neto, por exemplo, viajou de Paraíso do Norte, à 60 quilômetros de onde cultiva um pomar com 5,5 mil plantas. “Eu sempre vou a dias de campo, a gente nunca perde por aprender”, disse.

NÚMEROS - O gerente das unidades de Nova Esperança e Paranavaí, Agnaldo da Purificação, informou que as duas estruturas juntas oferecem atendimento a 85 citricultores que mantêm contrato com a cooperativa. Considerando as demais regiões onde a Cocamar atua, incluindo o norte do Estado, são cerca de 300 produtores, 70% dos quais de pequeno porte, que segundo o coordenador técnico Robson Ferreira, devem responder por uma colheita estimada em 5,5 milhões de caixas de 40,8 quilos na safra deste ano, contra 7,5 milhões da temporada anterior. A redução, explicou Ferreira, se deve ao abortamento de flores e queda de chumbinhos (formação inicial dos frutos) após a florada em 2017, devido a ocorrência de altas temperaturas nos meses de setembro e outubro.

RENTÁVEL - Diante do bom momento em que passa a cultura, novos plantios destinados à expansão de pomares na região estão acontecendo, com os produtores recorrendo a linhas de financiamento oferecidas pelo mercado. “A laranja é uma das culturas mais rentáveis do momento”, destacou Ferreira, explicando que um hectare com 600 plantas apresenta potencial para produzir 1,8 mil caixas. À R$ 20 a caixa, o faturamento bruto chega a R$ 36 mil, restando ao menos R$ 14 mil de lucro. Fazendo uma comparação com a soja, isso seria o mesmo que colher 200 sacas por hectare ao preço médio de R$ 70 cada, com as despesas já deduzidas.

ENFERMIDADE – A principal preocupação dos produtores agora é o ataque do greening, doença para a qual ainda não há tratamento. Segundo a engenheira agrônoma Vanelise Santos, da unidade de Floraí, “Os principais focos da enfermidade são as chácaras que mantêm pequenos plantios”, afirmou, lembrando que nem sempre os proprietários desses lotes cuidam adequadamente dos pomares.

OPORTUNIDADE – A enfermidade, porém, é vista como uma oportunidade para os produtores mais profissionalizados. Detectado pela primeira vez no Brasil em 2007, o greening disseminou-se nos anos seguintes pelos pomares do país, fazendo uma seleção natural de produtores que, com o tempo, aprenderam a conviver com a doença; substituindo de 1% a 2% de plantas condenadas, a cada ano. Ao mesmo tempo, o declínio dos pomares da Flórida, nos Estados Unidos e pelo mesmo motivo, fez com que o mercado se tornasse mais remunerador aos produtores brasileiros.

ADENSAR - O adensamento das plantas é uma prática que vem ganhando espaço na região. Se antes se plantava de 370 a 400 unidades por hectare, hoje esse número pode ir de 500 até 700. O agrônomo da cooperativa em Arapongas, José Carlos Fernandes, explicou que adensar é vantajoso, pois há aumento da produção na área e mais eficácia na aplicação de produtos. O custo de implantação de um hectare com 600 plantas está cotado atualmente a R$ 9 mil, com produção plena a partir do sexto ano.