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"Estamos precisando de um choque de liberalismo"

26.07.2018

Ao palestrar na noite de terça-feira (24) como convidado especial na abertura do 9º Encontro Técnico Avícola em Maringá, o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor começou dizendo que o Sul do Brasil é diferenciado em relação às demais regiões do país: "aqui a gente vê coisas que não se encontra em todo lugar, como a pujança da agropecuária". Segundo Jabor, estados como o Paraná não têm a mesma projeção de outros, "mas aqui a gente sente que as pessoas realmente fazem acontecer".

INCÓGNITA - Sobre o atual cenário político e econômico brasileiro, tema de sua palestra, Jabor lembrou que "tudo se tornou uma grande interrogação". Ele alçou Fernando Henrique Cardoso ao patamar de "melhor presidente da história" e declarou seu voto, nas eleições deste ano, para o candidato a presidente Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, "que fez um bom governo, é sério e não rouba".

CONCEITO - O palestrante enfatizou que o Brasil não se resume ao território, as florestas, as montanhas, cidades e praias. "O Brasil é a gente, as pessoas, um conceito, uma região terna que existe em nossas cabeças".

MUTAÇÃO - A respeito do atual momento, tudo, segundo ele, parece estar explodindo ao mesmo tempo: "estamos em período de mutação, não sabemos ainda no que vai dar, mas há uma certeza de mudança histórica". Dizendo-se otimista, Jabor afirma acreditar que "talvez estejamos entrando em um período bom em meio a tantas dificuldades", lembrando não haver parto sem dor.

ATRASO - Para que o país avance é preciso, na sua opinião, superar o atraso. A globalização está obrigando o Brasil a repensar o seu modelo: "já está atrasado ficar falando em atraso". Jabor faz referência a um estado entupido, encrencado e cheio de vícios. "A população brasileira se sente meio que fora do trem da história, porque não tem participação na vida nacional", bradou ele, citando que os vícios vêm desde a época da colonização. Entre esses vícios, o patrimonialismo - em que poderosas oligarquias se sentem donas do país -, o excesso de burocracia, a naturalidade da corrupção, o desprezo pelo trabalho e a educação, e o salvacionismo (parte dos brasileiros espera por um salvador da pátria, o que abre um perigoso caminho para o surgimento de ditadores).

DIGITAL - Arnaldo Jabor comentou que nos últimos 30 anos o mundo vem passando pela maior revolução de todos os tempos, a digital: "trata-se de algo maravilhoso e ao mesmo tempo apavorante, que mudou a estrutura do pensamento.Tudo isso muda também, segundo ele, o conceito de tempo, pois o futuro é agora. "Temos um enorme momento presente que vai se estendendo e ninguém pode ficar com a mentalidade administrativa e política de décadas passadas", sustentou.

MODERNIZAR - De acordo com ele, o mundo contemporâneo não comporta mais situações de atraso como ainda se vê no Brasil: "a modernização é o desejo de participar do mundo contemporâneo". Jabor lembrou que o país já foi comparado a um paciente que recebeu anestesia geral: "quem sabe agora aconteça a cirurgia".

FOME - Na área política, ele observou que após o período da ditadura militar (1964 - 1985), o país teve fome de democracia e, concluído o desastroso governo Collor, os brasileiros tiveram fome de república. No entanto, os rumos tomados pelo Brasil, sobretudo nos últimos dois governos, fizeram com que parte da população sentisse fome de autoritarismo. "De minha parte, estamos precisando, mesmo, é de um choque de liberalismo, capaz de promover as tão necessárias reformas", completou.