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ILPF garante futuro de pequenas áreas em Altônia

01.08.2018

Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) não é só para médias e grandes propriedades, como algumas pessoas poderiam pensar. Pequenos agropecuaristas também estão trabalhando com esse sistema inovador e sustentável, que vem revolucionando o agronegócio brasileiro.

SATISFAÇÃO - Em Altônia, região próxima à Umuarama, noroeste do Paraná, donos de pequenos lotes de terras, cooperados da Cocamar, estão aderindo à integração e o número só faz crescer. Um dos que já estão há bastante tempo é o seu Zenildo Ferrari e seu filho, Claudir. Há dez anos, motivados pela degradação dos pastos e pouco retorno obtido, eles foram orientados pela cooperativa a optar pela integração como uma alternativa à pecuária tradicional.

TUDO VERDE - “A gente só lamenta não ter conhecido a integração antes”, afirma seu Zenildo, de 73 anos, estampando um sorriso por ver o pasto verdejante e viçoso e os seus animais ganhando peso, mesmo após 60 dias de estiagem. A mesma estiagem que arrasou os pastos pela redondeza, deixando muitos pecuaristas em apuros e a boiada sem comida.

PARCERIA - Seu Zenildo gosta de lidar com bois, enquanto Claudir, de 50 anos, tem afinidade com lavoura. A parceria acaba de incluir também o neto Diogo, 21, filho de Claudir, graduando de Agronomia.

ENGORDA - Eles têm oito alqueires (19,3 hectares) de pastagem com braquiária piatã, mas as 21 cabeças de rebanho nelore não precisam mais do que a metade dessa área para engordar. Os animais entram logo após o desmame, com 9 a 12 arrobas, e já estão prontos aos 30 meses de idade, pesando por volta de 40 arrobas. “A gente só dá sal e suplementação, o resto é tudo por conta da braquiária”, diz o animado pecuarista.

RAPADO - Eles têm motivos para sorrir. Pela realidade regional, de pastos degradados, a média anual de produtividade é de apenas 1 carcaça animal por hectare, o que dá de 3 a 4 arrobas de carne. “O pasto fica rapado, pura terra”, observa o técnico Eleandro Zanoli, da Cocamar, que presta assistência aos Ferrari e aos demais produtores que já praticam ILPF ou estão entrando no sistema. “O boi não tem dentes na parte da frente, ele precisa buscar o capim com a língua, então imagina a dificuldade”, diz.

SOJA - A integração é um bom negócio não só por causa da braquiária no inverno, que garante alimento com fartura numa época de carestia de pastos. A receita da pecuária se completa com a renda da soja, plantada em quatro alqueires (9,6 hectares) no verão. Na última safra, os Ferrari colheram a média de 147 sacas/alqueire (60,7/hectare). “A soja melhora o solo e ainda dá lucro”, comenta Claudir, que está se preparando para semear a safra 2018/19 a partir de setembro.

PROFISSIONALISMO - “Todo ano, pelo menos cinco pequenos produtores ingressam na integração aqui na região de Altônia”, afirma Zanole, explicando que a expansão gradativa da ILPF vem dando início a um novo ciclo econômico regional com o surgimento de agropecuaristas mais profissionais, ao mesmo tempo em que vai sumindo a figura dos “garçons de boi” – aqueles criadores que, no inverno, precisam correr atrás de comida para tratar os seus animais e evitar que passem fome.

SÉRIE – Para acompanhar mais sobre o assunto, o programa RIC Rural, da RIC TV (Record), apresentado aos domingos a partir das 9h, está exibindo uma série de reportagens sobre ILPF na região da Cocamar.