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Chefs do Campo e a história do agro regional

27.08.2018

Ao resgatar pratos tradicionais de famílias de produtores rurais, pelas regiões noroeste e norte do Paraná, o Festival de Sabores Chefs do Campo Cocamar 2018 reaviva lembranças em suas visitas a propriedades rurais, as quais ajudam a contar a história da própria atividade.

MIGRANTES - Um detalhe marcante é que nas quatro visitas realizadas até quinta-feira (23/8), em Japurá, Jussara, Floresta e Sabáudia, todas as famílias relataram a aventura de ter deixado suas terras de origem em outros Estados para se fixar no Paraná.

CONVIVÊNCIA - As histórias se confundem: todas vieram para derrubar o mato, plantar café e sobreviver, por alguns anos, até a primeira colheita, de culturas de subsistência e também das pequenas criações. Dona Umbelina Leandro Barlati, esposa do cooperado Nélson Barlati, de Floresta, lembra que sua família chegou em 1969 ao município, oriunda do interior de São Paulo e, até 15 anos atrás, ainda vivia no sítio. Ela diz sentir saudades da convivência entre os vizinhos, que estavam sempre reunidos para trabalhar juntos, preparar festas e se ajudar. “A solidariedade naquela época era muito grande e as gentilezas também”, conta. Se um vizinho fazia pães, presenteava quem morava ao lado. E este, por sua vez, se abatia um animal, retribuía a cortesia.

COSTUMES - Carne de porco guardada na banha, em latas, para servir no almoço ou no jantar, ainda é uma recordação viva para essas famílias. “Não havia geladeira e a gente tinha o costume de conservar os alimentos”, comenta dona Creuza Fontoura, de Sabáudia, que aprendeu com a mãe a fazer carne de sol. Ela e o marido residem na propriedade rural, onde há criações, horta, pomar e uma relativa tranquilidade. “Muita gente já foi embora para a cidade, com medo da violência. Mas vamos ficar aqui enquanto for possível”, completa.