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A rainha da soja é, também, uma chef de primeira

24.09.2018

Quem já provou o carneiro no tacho cuja receita ela própria inventou, preparado com toda a calma no fogão a lenha, diz ser um prato de sabor inigualável

Com a sua determinação em evoluir, adotando as mais modernas tecnologias nas lavouras, a empresária rural e cooperada Cecília Barros de Mello Falavigna tornou-se uma produtora de soja consagrada na região e no país. Nos últimos sete anos, ela conquistou por três vezes o primeiro lugar no Concurso Cocamar de Produtividade de Soja e também em três ocasiões ficou em primeiro no Programa de Produtividade Integrada (PIN) organizado pela Syngenta no Paraná e na Região Sul do Brasil.

Tudo isso sem contar que ela é, igualmente, uma campeã de produtividade de laranja, com pomares que são considerados um brinco na região.

Quem conhece essa professora de formação, paulista de Ribeirão do Sul, que é também dona de casa, mãe de três filhos e avó de quatro netos, se encanta com a sua modéstia, simpatia, simplicidade e a forma atenciosa com que costuma tratar a todos. E, é claro, com o capricho que dispensa à sua propriedade em Floraí, região de Maringá (PR). Cecília conta que achou divertido quando alguns jornais e revistas especializadas começaram a chamá-la de a rainha da soja. “Fiquei orgulhosa, mas levei na brincadeira”, diz. Ocorre que o honroso título a projetou de tal forma que começaram a chover convites para palestras sobre a sua experiência de vida em várias regiões do país. No ano passado, por exemplo, Cecília foi uma das principais palestrantes do 2º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, em São Paulo, entre tantos outros eventos.

Uma vida marcada por grandes desafios, lembra a produtora que, há pouco mais de 20 anos, sem experiência alguma na agricultura e com os filhos ainda pequenos, foi surpreendida pelo destino e ficou viúva. Com atitude, ela teve o apoio do administrador da propriedade, Waldemar Orlandelli, para mergulhar no mundo agro,

com o desafio de aprender a produzir grãos, laranja e fazer a gestão dos negócios. A busca contínua pelo conhecimento, participando de eventos técnicos na Cocamar, tirando suas dúvidas com profissionais e adotando as melhores tecnologias, a transformaram na produtora que é hoje. “Sempre gostei de desafios e de trabalhar com as tecnologias mais avançadas para maximizar

os resultados”, declara Cecília, que conta com o apoio do filho Paulo César, formado em direito, mas que, a exemplo da mãe, se deixou apaixonar pela agricultura e está à frente de outra propriedade da família, no mesmo município.,

Filha dos descendentes portugueses, Cecília é uma expert cozinheira, que sabe preparar pratos memoráveis, alguns dos quais idealizados por ela, como o carneiro no tacho. Segundo a produtora, é comum ver por aí o porco no tacho, uma iguaria tão saborosa que se popularizou rapidamente, agradando a todos os paladares. Mas garante: o carneiro que faz daquela mesma maneira, aos pedaços, sem pressa e com temperos que incluem vinho branco, curtindo bem a carne, fica ainda melhor. “Ainda não há o hábito, por parte das famílias brasileiras, de consumirem carne de carneiro, um produto nobre que vem conquistando seu espaço”, afirma.

Cecília diz preferir a carne da criação que mantém na sua propriedade, por ter certeza do frescor e qualidade. O único cuidado é, após o abate, saber retirar a glândula que confere um sabor característico ao produto. Fazendo isso, “não tem erro”, completa.


CARNEIRO NO TACHO


- 1kg de carneiro picado em pedaços pequenos (porção para 2 ou 3 pessoas);

- 1 colher de sal;

- temperos a gosto;

250 ml de vinho branco seco;

- óleo para fritar.


MODO DE FAZER

Marinar por pelo menos 8 horas, deixando a carne descansar no tempero e no vinho branco. Em seguida, cozinhar a carne até ficar bem macia e dourada. No caso da produtora Cecília Falavigna, a fritura aconteceu num fogão a lenha.

A carne vai ficar derretendo. Sirva com arroz branco, mandioca cozida e temperada, e salada verde.