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Com mandioca e carne seca, um irresistível escondidinho

05.10.2018

Para deleite de seus familiares e amigos, a produtora se apraz em cozinhar, preparando receitas que passam de geração em geração

A história da família da produtora Sônia Zaccharias Baroni é típica entre as que, no começo dos anos 1950, decidiram deixar o interior de São Paulo para tentar a vida no sertão paranaense, onde as oportunidades eram muitas. Com seus filhos, o casal José e Angelina fixou-se em 1953 na Capelinha, hoje o município de Nova Esperança, para lidar com café.

Angelina sabia que as dificuldades seriam muitas no Paraná, mas ficou assustada com o primitivismo que aqui eles encontraram e começou a rezar para que uma geada forte desestimulasse o marido e eles retornassem para Vera Cruz, na região de Marília. Segundo Sônia, que é nascida no Paraná, o começo foi realmente muito difícil. Ela conta ter ouvido dos pais que, por uns tempos, eles tiveram que viver em uma casa coberta por lona, sujeitando-se aos riscos oferecidos por aquele ambiente rústico, trabalhando exaustivamente na derrubada do mato e investindo todas as economias possíveis no plantio do café. No entanto, as preces da esposa foram atendidas: em 1955, uma geada de grandes proporções devastou os cafezais, mas os Zaccharias sofreram tamanha perda que não havia como deixar tudo e pegar o caminho de volta. O jeito foi ficar e, com determinação, replantar o café, renovando as apostas no futuro. Deu certo: graças às boas safras eles prosperaram e se mantiveram na cafeicultura até 1975, quando a geada voltou a dizimar as lavouras, fazendo com que a maior parte dos produtores, desta vez, incluindo a família de Sônia, partisse para novos cultivos.

Casada há 39 anos com o engenheiro agrônomo Sidnei Baroni, ex-funcionário do Instituto Emater, com quem tem um casal de filhos, Sônia administra um condomínio agrícola familiar e, ao lado do marido, produz laranja e cria novilhas.

Ela se lembra que, motivados pelos frutos do trabalho, seus pais e irmãos fixaram raízes no Paraná. E, além dos afazeres de casa e dos cuidados com a educação dos filhos, a dinâmica Angelina (em memória) era quem administrava os negócios da família e foi uma das primeiras mulheres a dirigir em Nova Esperança. Sônia guarda viva, em suas lembranças, as ocasiões em que suínos eram abatidos e todos se envolviam no processamento da carne, guardando pedaços fritos em banha na lata, linguiça, torresmo e não desperdiçando nem mesmo a barrigada, que virava sabão.

Foi com sua mãe, também, que a produtora aprendeu a cozinhar, utilizando carne seca bovina feita no sítio ou comprada no comércio, que ficava num varal, em casa. “Fazíamos muita coisa com que a gente produzia”, recorda-se. Aves, ovos, verduras, legumes, frutas, lácteos: tudo ia para a mesa, fartamente, sendo habitual, aos domingos, a famosa macarronada acompanhada de vinho, bem como a polenta com frango caipira.

Como não poderia deixar de ser, Sônia herdou essa riqueza cultural, em forma de inúmeras receitas que atravessam gerações e fazem dela uma chef muito talentosa, que gosta de preparar suas gostosuras para familiares e amigos. Um dos pratos mais pedidos em casa é o escondidinho de carne seca com massa de mandioca, que pode ser acompanhado de uma costelinha de porco, à maneira como ela se inscreveu no Festival de Sabores Chefs do Campo. Aprenda a fazer essa delícia.


ESCONDIDINHO DE CARNE SECA


INGREDIENTES

- 1,5kg de mandioca

- 500g de carne seca

- 1 corpo de requeijão

- 1 caixinha de creme de leite

- 300g de muçarela fatiada

- sal à gosto

- uma pitada de noz-moscada ralada

- alho, cebola, salsa e cebolinha

- dois tomates picados


MODO DE FAZER

Cozinhe primeiramente a mandioca com sal, até que seja possível amassar. Adicione uma pitada de noz-moscada ralada, misture o creme de leite e reserve.

Numa panela de pressão, cozinhe a carne seca até que consiga desfiar. Então, desfie e refogue com alho, cebola, salsa e cebolinha e junte dois tomates picadinhos.

Num refratário, unte com um pouco de azeite, forre com a metade da mandioca e coloque por cima a carne seca, seguida do requeijão e de metade da muçarela. A seguir, cubra com o restante da mandioca e, por cima, o que restou da muçarela. Leve ao forno por uns 15 minutos, para dourar.

Para acompanhar, Sônia fez costelinha de porco, servindo também arroz branco e salada.