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Rally vê arrendatários crescendo ao investir em alta produtividade

30.11.2018

Superação e conquistas marcam a história de duas famílias visitadas em Tamarana e Ourizona

Sem poder contar com plano B, só resta ao arrendatário de terras recorrer às melhores tecnologias e dentro do maior profissionalismo possível, para trabalhar com mais segurança e ter resultados. Além de ficar sujeito às intempéries, como qualquer outro, ele se vê à frente de um custo bem mais alto em comparação aos que cultivam as próprias terras.

O trabalho de dois arrendatários foi acompanhado pela equipe do Rally Cocamar de Produtividade, Safra 2017/18. A caravana tem o patrocínio máster das empresas Spraytec, Basf e Ford Center, o patrocínio institucional da Cocamar TRR, Texaco Lubrificantes, Sicredi, Sancor Seguros, Agrosafra e Estratégia Ambiental, com o apoio do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), Aprosoja-PR e Unicampo.

PIONEIRISMO - Em Tamarana, município da região de Londrina, o Rally visitou a família do produtor Edson Braz Barbosa, que cultiva 205 alqueires (496 hectares) ao lado dos filhos Elder e Emerson. Aos 63 anos, Edson tem uma história de superação e conquistas: sempre trabalhou na lavoura com o pai e, em 1975, comprou o primeiro lote, tendo se tornado um dos primeiros a semear soja no município. “A área era muito pequena e o serviço todo manual”, lembra Barbosa. A família fazia a colheita com foicinha e batia as plantas para retirar os grãos. Só depois adquiriu uma trilhadeira. A soja era colocada num caminhão e levada para uma empresa de Londrina, a 67,5 quilômetros. Com o tempo, vendo que a cultura estava se consolidando no norte do Paraná, o produtor investiu na compra de maquinários, foi comprando mais terras e também passou a arrendar de outros proprietários. Atualmente, os Barbosa são considerados uma referência em boas práticas, gestão do negócio e produtividade. Na média dos últimos cinco anos, eles colheram 160 sacas por alqueire (66,1/hectare) mas na safra 2017/18, colhida no início deste ano, alcançaram o seu recorde: 173 sacas de média por alqueire (71,4/hectare), o que demonstra a preocupação em incorporar novos conhecimentos, tecnologias e evoluir.

CUSTOS - A evolução, aliás, é indispensável, pois os custos não dão trégua. Edson projeta o custo básico de produção ao redor de 60 sacas por alqueire (24,7/hectare) e mais umas 25 sacas/alqueire (10,3/hectare) com outras despesas diretas. A esse montante se junta, ainda, o arrendamento, de 45 sacas/alqueire (18,5/hectare). Ou seja, para os Barbosa, a safra já começa custando 130 sacas/alqueire (53,7/hectare).

Para se ter uma ideia do desafio, esse volume de custo assumido pelo arrendatário representa praticamente a média de produtividade alcançada nos últimos anos pelos produtores ligados à Cocamar, nas regiões norte e noroeste do Paraná.

CAPRICHO - “A gente não pode brincar em serviço, tem que fazer tudo muito bem feito, no capricho, para garantir renda”, afirma Edson, que se diz um produtor cooperativista. Desde o início, quando começou a lidar com soja, a única vez que lembra ter tido prejuízo foi na safra 2015/16, quando a chuva caiu por 15 dias seguidos na fase de colheita, estragando mais da metade da produção.

COOPERATIVISMO - Sobre a Cocamar, Edson se diz satisfeito com a presença da cooperativa no município, “pois trouxe principalmente mais segurança aos produtores”. Ele também valoriza o trabalho técnico, sempre com informações importantes, a variedade de insumos, enfim. O filho Elder, 42 anos, passou neste ano a integrar o conselho consultivo da cooperativa e o outro filho, Emerson, 41, reforça as palavras do pai de que a Cocamar está fazendo a diferença para os produtores na região.

PAI, FILHOS E NETO - Aliás, a família é um modelo bem sucedido de sucessão no negócio. Com o tempo, Edson foi preparando os filhos para trabalharem ao seu lado e crescerem juntos, cultivando as próprias terras e buscando arrendar outras. As três famílias residem na propriedade onde a terceira geração promete dar seguimento aos negócios. O filho de Emerson, Natan, de 14 anos, já demonstra gosto pela vida no campo e diz que o seu futuro é ser agricultor.

No inverno, os Barbosa se dedicam ao cultivo de milho e trigo. Neste ano, em que o clima não ajudou os triticultores, eles até que conseguiram uma boa média: 100 sacas de soja por alqueire (41,3/hectare).


Em constante crescimento

Aos 37 anos, Marcelo Jesus Mossatto, o irmão Marco Antonio, 49, e o pai Antônio, de 73, arrendam 157 alqueires (379,9 hectares) em Ourizona (PR) e outra grande área no Mato Grosso do Sul. Deles, mesmo, são só 15 alqueires ((36,3 hectares).

Na safra 2017/18, a média de produtividade foi de 167 sacas/alqueire (69/hectare), um recorde. Nos últimos seis anos, segundo Mossatto, a média saltou de 127 sacas/alqueire (52,4/hectare) para a deste ano, um avanço significativo, que ele credita à escolha de boas variedades, a adubação bem feita e o uso de produtos de ponta.

Para o produtor, que faz consórcio milho e braquiária no inverno, um dos desafios que enfrenta nas terras em Ourizona é a ocorrência de nematoide, o verme do solo que ataca as raízes das plantas. “Com rotação, estamos conseguindo diminuir esse problema”, diz o produtor, que usa milheto, aveia e deve entrar também com crotalária. Ele faz tratamento de sementes e prefere não utilizar variedades tolerantes ao nematoide, pois seu foco é a busca pelo aumento da produtividade.

Além da orientação técnica da cooperativa e das empresas parceiras, Marcelo conta que se mantém atualizado e gosta de pesquisar as novidades na internet e nos portais especializados, bem como em programas de TV.

CUSTOS - Segundo o produtor, o custo básico da família é composto por 55 sacas/alqueire (22,7/hectare), 10 sacas com outras despesas (4,1/hectare) e 50 sacas/alqueire (20,6/hectare) em média com o arrendamento. No inverno, não há custo de arrendamento sobre o cultivo de milho, mas há produtores que arrendam suas terras para os Mossatto apenas no período de inverno, cobrando um percentual que varia de 13 a 15%.

“Arrendar terras é desafiador pois estamos sujeitos a muitas variáveis que podem atrapalhar o resultado final, como clima e a cotação dos produtos, nem sempre favorável”, afirma Marcelo, lembrando que algumas das áreas que cultivam estão arrendadas há 22 anos. No Mato Grosso do Sul, já estão há 15 anos, onde desenvolvem o modelo de parceria. Com toda a estrutura de maquinários, eles seguem firmes e sempre absorvendo novas áreas, mas lembra que quando começaram para valer no arrendamento, no começo dos anos 2000, as coisas não foram fáceis. Nos primeiros anos, o clima não ajudou e, em dado momento, a cotação da soja ficou abaixo do custo de produção. “Perdemos muito capital de giro mas, aos poucos, conseguimos recuperar”, conta.

De acordo com Marcelo, há produtores que estão deixando de arrendar terras para cana e oferecendo para o cultivo de soja, o que é uma oportunidade para produtores como eles. “Com o milho a 30 reais a saca, compensa pegar”, diz ele, que travou metade do custo de produção do ciclo 2017/18 a R$ 80 a saca.