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Boas práticas fazem a diferença em safra afetada pelo clima

20.12.2018

Uma boa cobertura do solo tem ajudado produtores a suportar por mais tempo períodos de estiagem; temperatura da superfície é bem menor em comparação ao solo que fica descoberto, fator decisivo para a retenção de umidade e para manter condições mais favoráveis ao desenvolvimento da lavoura

A estiagem que castigou as lavouras de soja no Paraná, causando perdas em praticamente todas as regiões produtoras do Estado, demonstrou também o quanto são visíveis, nesse momento, os efeitos do bom manejo do solo e da adoção de práticas para a retenção de umidade, como o plantio de braquiária no período de inverno.

O Rally Cocamar de Produtividade esteve no dia 18 de dezembro em Jaguapitã, norte do Estado, a 80km de Maringá. Mesmo com as chuvas tendo retornado dias antes em várias regiões paranaenses, os pluviômetros espalhados por aquele município – onde a soja avançou bastante nos últimos anos - permaneciam vazios e o solo estava, em geral, bastante ressequido.

Com o patrocíniio máster das empresas Spraytec, Basf e Ford Center, o Rally tem a finalidade de verificar de perto os resultados das boas práticas agrícolas, voltadas ao incremento da produtividade. São patrocinadores, também, Texaco Lubrificantes, Cocamar TRR, Sancor Seguros, Sicredi, Agrosafra e Estratégia Ambiental, com o apoio da Unicampo, Aprasoja-PR e Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb).

ILP - O solo na propriedade da família do cooperado Agostinho Reis Gomes é bastante arenoso, mas com a adoção há mais de dez anos do programa de integração lavoura-pecuária (ILP), a situação do mesmo é bem melhor em comparação a outros que apresentam a mesma característica.

OBJETIVOS - O cultivo da braquiária logo após a colheita da soja tem três objetivos. O primeiro, assegurar pasto de qualidade no inverno; o segundo, dar continuidade aos efeitos positivos trazidos por esse capim, que desenvolve enraizamento agressivo e profundo; e, terceiro, com a palhada da braquiária, fazer a proteção do solo durante o verão, além de reter umidade por mais tempo.

VANTAGENS - Conduzindo com o pai o programa de ILP, Carlos Augusto ressalta que esse sistema é bastante vantajoso. Com pasto em quantidade e qualidade no inverno, a lotação média é de 8,3 cabeças por alqueire (3,4 cabeças/hectare). Só para efeito comparativo, a média nos pastos degradados da região é de apenas 1 carcaça animal por hectare. “Antes da gente fazer integração, o pasto não dava conta, principalmente no inverno”, lembra Carlos. Hoje o desafio está superado e com uma vantagem adicional: “a reforma dos pastos é feita de graça pelo cultivo de soja, que repõe os nutrientes, mediante análise, por meio da correção e da adubação. E tem mais: a soja cultivada na sucessão com a braquiária se torna, naturalmente, mais produtiva. Na safra passada (ciclo 2017/18), a média na propriedade da família foi de 156 sacas por alqueire (64,4/hectare) contra a média regional de 136 sacas/alqueire (56,1/hectare). São 20 sacas a mais por alqueire que, cotadas a R$ 70,00 significam um adicional de R$ 1.400,00.

Braquiária ajuda a

revitalizar o solo

O engenheiro agrônomo Andre Bartchechen, da unidade da Cocamar em Jaguapitã, é quem presta orientação técnica à família Reis Gomes. Ele explica que o enraizamento intenso da braquiária abre canais no solo por onde a água penetra; as raízes, da mesma forma, rompem a camada compactada e reciclam nutrientes da camada mais profunda, para a superfície. Por fim, para possibilitar o plantio direto da soja, a braquiária vai ser dessecada quimicamente, servindo de cobertura e proteção ao solo. Os benefícios não terminam por aí: a palhada inibe o desenvolvimento de ervas de difícil controle e vai manter o solo a uma temperatura mais baixa em comparação onde há pouca palha ou o solo está completamente a descoberto.

Em resumo, quando bem protegido com palha de braquiária, o solo retém umidade por mais tempo, conservando uma temperatura mais suportável para a planta, o que favorece o seu desenvolvimento. Foi isso que o Rally encontrou na propriedade em Jaguapitã. Embora, naquela data (18/12), estivesse já há 25 dias sem receber chuva, a lavoura de soja da família - em plena fase de floração - apresentava ainda um potencial produtivo visivelmente superior ao de lavouras cultivadas em solo descoberto.


Falta de chuvas e temperatura

elevada castigam lavouras

A longa estiagem e as altas temperaturas das últimas semanas, trouxeram impacto à cultura da soja, com índices de perdas que variam de região para região, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Levantamento divulgado no dia 17 de dezembro apontava que a região mais afetada era o oeste paranaense, com redução de produtividade de 35%, seguido do noroeste, com 34%. Na região de Maringá, a perda média seria de 15%.

O engenheiro agrônomo Luiz Tadeu Jordão, que faz consultoria técnica em solos para a Cocamar, constatou que a cobertura de braquiária reduz em 40% a temperatura da superfície, em lavoura de soja. Passando num dia nublado pelo Vale do Paranapanema, em São Paulo, ele utilizou termômetro digital para identificar aquele percentual de redução de temperatura.Fez isso exatamente às 18h10. “A palhada protegeu o solo da incidência direta de radiação solar, possibilitando manter a umidade e temperatura menor no solo. Segundo Jordão, o papel das plantas de cobertura vai muito além da produção de palhada na superfície de solo. “Água é o fator mais limitante à produtividade de uma lavoura e, neste contexto, manter a umidade do solo garante, sobretudo, risco menor à atividade agrícola.” Para isso, explica, raízes de plantas de cobertura poderão condicionar o solo ao maior estoque de água. “Lavouras de soja em diversas regiões do Brasil sofrem as consequências da falta de águas, e solos descobertos estão contribuindo para acentuar esse problema”, acrescenta.

Detalhe: Jordão mediu a temperatura do solo às 18h10. Nesse horário, o solo que estava bem protegido com braquiária apresentava uma temperatura de 32,9ºC, enquanto no solo descoberto o termômetro registrou 45,5ºC.

Em horários mais quentes, a temperatura do solo chega a espantar. O cooperado e integrante do Conselho de Administração, Luiz Antonio dos Reis, de Bela Vista do Paraíso, região de Londrina, utilizou também um termômetro digital para aferir a diferença de temperatura do solo descoberto e outro relativamente protegido com palhada, num horário de sol a pino. No primeiro, o registro foi de 69,5ºC, enquanto no segundo deu 52ºC, uma diferença de 17,5ºC.


Plataforma digital ajuda na

gestão da fertilidade do solo

Formada por profissionais de engenharia agronômica, a cooperativa Unicampo, parceira da Cocamar, acaba de lançar o módulo fertilidade do solo que é uma ferramenta de uso de seus profissionais que operam a plataforma Unisolo.

Por meio dela é possível fazer a gestão da fertilidade do solo, utilizando uma metodologia cientifica validada pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), parceira no desenvolvimento da metodologia, cujos princípios básicos são: ser acessível, trazer rentabilidade, e ser de fácil interpretação e aplicação na propriedade.

ZONAS DE MANEJO - Inicialmente, a plataforma é alimentada com todos os dados da propriedade, numa conversa entre o engenheiro agrônomo da Unicampo e o produtor rural. Segundo o engenheiro agrônomo Heri Luiz Gibim (que atua junto as unidades da Cocamar em Sabáudia, Arapongas e Pitangueiras, e participou de todas as etapas de desenvolvimento da ferramenta), essa conversa é indispensável para a criação das zonas de manejo, pois ninguém melhor do que o produtor para saber quais áreas de suas propriedades apresentam problemas.

A propriedade é subdividida em zonas de manejo, nas quais os profissionais da Unicampo vão efetuar as coletas de amostras do solo, seguindo padrões técnicos, para análises física e química em laboratório. Com base nos resultados das análises, o produtor faz a correção das zonas de manejo, individualizadas, considerando o tipo de cultura a ser implantada. Tudo demonstrado no relatório entregue ao produtor e com o devido acompanhamento técnico.

Uma premissa deste programa é o uso racional de insumos como calcário e fertilizantes, aplicando a formulação adequada, nas quantidades necessárias, nas zonas de manejos deficitária e com sua própria estrutura .

TUDO PELO CELULAR - Um diferencial do UniSolo é que produtor consegue acessar todas as informações, bem como as zonas de manejo da propriedade, resultados das análises de solo e acompanhar o histórico em seu aparelho celular.

Segundo o professor Marcelo Augusto Batista, do departamento de Agronomia da instituição, que se envolveu diretamente nesse trabalho, a ferramenta apresenta simplicidade no manuseio e na aplicação, sendo de fácil entendimento. “Os modelos convencionais oferecem uma grande quantidade de informações, mas nem sempre o produtor consegue assimilar tudo e fazer a aplicação”, explica. Por isso, não raro, o trabalho acaba ficando pelo caminho.

ACESSÍVEL - O presidente da Unicampo, Luciano Ferreira Lopes, observa que este módulo do UniSolo vai trazer mais eficácia no acompanhamento das análises de solos e na interpretação dos dados, possibilitando que os produtores obtenham maior rentabilidade, objetivo que todos perseguem e que é essencial para a sobrevivência na atividade: a aplicação racional de insumos trazendo o equilíbrio nutricional do solo e, consequentemente, aumento da produtividade. “Há muitos produtores que pretendem acessar os recursos da agricultura de precisão e não o fazem, mesmo com toda a orientação, por achar complicado e caro”, afirma. Lopes acrescenta que o investimento do produtor ao adotar a plataforma “é bastante acessível e muito prático ao produtor que aplicará o seu insumo (calcário ou fertilizante) na formulação correta e na quantidade suficiente para cada zona de manejo individualizada.

O presidente da Unicampo mencionou ainda, que a plataforma UniSolo está em operação neste módulo para soja, milho e trigo, que outras culturas virão posteriormente. Outros módulos do Unisolo já estão em funcionamento, com qualidade, a exemplo dos módulos de seguro agrícola, para comparação de preço, cobertura e demais condições do seguro a ser adquirido pelo produtor entre outras funcionalidades, e o módulo avaliação de imóveis rurais que emite uma opinião de valor fundamentada de imóveis rurais e parecer técnico de avaliação. “São ferramentas importantíssimas ao produtor rural e o desenvolvimento desta plataforma tem como visão auxiliar ao produtor rural na organização e gestão da propriedade em busca de maior rentabilidade”, completa Lopes.


Para produtores, é uma evolução

Para conhecer melhor o funcionamento do Unisolo, o Rally Cocamar de Produtividade visitou dois produtores que estão entre os primeiros a utilizar a plataforma. Em Assaí, região de Londrina, esteve na propriedade de Guilherme Gomes, que é assistido pelo engenheiro agrônomo Fernando Egas, da Unicampo. A exemplo do colega Heri Luiz Gibim, de Sabáudia, Egas também participou desde o início do desenvolvimento da ferramenta e a testou junto a produtores locais.

AJUDA - Gomes conta que utilizou os dados da análise na adubação da safra de soja 2018/19, em curso. Com seu aparelho celular, ele acessa as informações sobre as zonas de manejo da propriedade, constatando serem realmente de fácil manuseio e compreensão. “É algo que, com certeza, vem ajudar muito o produtor”, frisa. Para Fernando Egas, outro ponto importante é que, a partir de agora, começa a ser feito um histórico dos solos da propriedade, com a realização de novas amostragens e medidas de correção e adubação. “Ao seguir as recomendações baseadas nessas análises, o produtor dá um passo importante no seu esforço para ampliar a produtividade.”

AVANÇAR - Em Sabáudia, a 90km de Maringá, a família Skraba também adotou a ferramenta e segundo os irmãos Jefferson e Alex, a expectativa é grande na conquista de melhores resultados na lavoura, porque eles sabem que podem racionalizar custos com a economia de insumos e, ao mesmo tempo, impulsionar a produtividade. “Pra nós isso representa uma evolução e temos confiança que vai dar certo, porque vamos seguir tudo à risca”, afirma Jefferson. Na média, a produtividade da família tem ficado ao redor de 160 sacas por alqueire (66,1 por hectare), mas há algumas áreas onde a produtividade estagnou e precisa receber um tratamento diferenciado, sendo esta a expectativa com o uso desta ferramenta.