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Soja irrigada é oásis em um cenário de perdas

06.01.2019

Fazendo chover, produtor estima neste ano, em área irrigada, uma média superior às 145 sacas por alqueire colhidas na última safra

O produtor de soja Agamenon Augusto Paduan, de Centenário do Sul, norte do Paraná, não está livre dos problemas climáticos que afligem nesta safra as lavouras do Paraná. Mas, prevenido, Paduan tem uma carta na manga.

Ele e o pai Agamenon Milton Paduan cultivam, em sistema de integração, 190 alqueires de soja (459,8 hectares) e 75 (181,5 hectares) de pastagens. O diferencial está em 40 alqueires (96,8 hectares) onde a chuva nunca falta: para isso, desde 2013, são mantidos dois equipamentos de irrigação com pivô central.

No início de janeiro, a propriedade recebeu a visita do Rally Cocamar de Produtividade, que tem o patrocínio máster da Spraytec, Basf e Ford Center, o patrocínio institucional da Estratégia Ambiental, Agrosafra, Sicredi, Sancor Seguros, Texaco Lubrificantes e Cocamar TRR, e o apoio da Aprasoja-PR, Unicampo e Cesb.

TRABALHANDO BEM - Cada um dos pivôs atende a 20 alqueires (48,4 hectares) que durante o período seco são acionados várias vezes durante a semana, assegurando umidade suficiente para garantir o potencial produtivo das plantas, cultivadas sobre cobertura de palha de braquiária.

De acordo com Paduan, em épocas muito secas como a deste ano, os pivôs são ligados de quinta para sexta-feira em horário noturno e durante a manhã, de sexta-feira para sábado e também no domingo. No total de três giros com duração de 13 horas cada, a operação corresponde a uma precipitação de 30 milímetros.

INCENTIVO - O produtor conta que, neste ano, devido a seca prolongada, tem utilizado bastante a irrigação, ao contrário do que ocorreu na safra anterior (2017/18), quando as chuvas foram mais regulares. E explica que a irrigação conta com um incentivo oferecido pelo governo do Estado: a redução de 70% no custo da energia elétrica para operar fora do horário de pico. A conta de novembro, paga no início de dezembro, foi de aproximadamente R$ 3,5 mil. Para quem acha caro, o valor corresponde a 53 sacas de soja (na cotação de R$ 66), o que acaba sendo razoável diante da alta produtividade garantida pelos equipamentos nos 40 alqueires irrigados. A tarifa de dezembro, que ainda não havia chegado até o dia 3 de janeiro, quando o Rally Cocamar esteve na propriedade, era estimada por Paduan em torno de R$ 7 mil, o dobro, mas ainda assim ele diz: “esse desembolso, pelo custo-benefício, vale muito a pena”.

EXPECTATIVA - Na safra do ano passado, a média de produtividade na área irrigada foi de 145 sacas por alqueire (59,9/hectare) e de 135 sacas (55,7/hectare) no sequeiro. Neste ano, levando em conta a carga e o melhor desenvolvimento da lavoura, a expectativa do produtor é de uma média maior na área irrigada, que pode passar de 150 sacas por alqueire (61,9/hectare). Já no seco, a redução de produtividade é calculada em pelo menos 40%, na comparação com os números do ano passado, percentual que retrata o cenário de perdas observado no município e imediações.


Quando o Rally passou por lá, fazia exatamente 40 dias desde a última chuva volumosa, ocorrida em 23 de novembro, que registrou cerca de 100 milímetros.

SAFRA CHEIA - O engenheiro Matheus Fabris, da unidade local da Cocamar, que presta assistência técnica aos Paduan, confirma que a irrigação tem preservado o potencial produtivo da lavoura. Examinando uma planta, Fabris mostrou que não houve perda de folhas na parte inferior da mesma, um fato comum em adversidades assim, com vagens bem formadas e um engalhamento normal. “O potencial é de safra cheia”, resume.

Só para comparar, numa lavoura ao lado, de outro proprietário, semeada na mesma época, Fabris demonstrou o menor desenvolvimento da planta, ocorrendo perda de folhas, abortamento de vagens e formação de grãos pequenos e mais leves, estimando uma quebra de 40% a 50%.



Garantir a estabilidade da produção

O projeto de irrigação, de acordo com o produtor Agamenon Paduan, começou a ser planejado entre 2005 e 2006, época em que uma estiagem prejudicou as lavouras. A implantação só ocorreu mais tarde, em 2013, com o acesso ao crédito para financiamento e a obtenção das licenças ambientais [ para irrigar, é preciso ter a outorga da água junto ao Instituto das Águas do Paraná]. “Nosso objetivo é garantir a estabilidade de produção”, diz o agricultor, que também é engenheiro agrônomo.

Ele frisa que a região enfrentou mais de 40 dias sem chuvas, sob calor intenso. “Com a irrigação, investimos em uma produção mais previsível e equilibrada ao longo dos anos.” Segundo Paduan, a microrregião de Centenário do Sul apresenta aptidão para sediar projetos irrigados, uma vez que, ali, as áreas são planas e há grande fornecimento de recursos hídricos, com facilidade para captação.

RETORNO - O investimento, informa Paduan, pode variar de R$ 8 mil a R$ 15 mil por hectare, dependendo do tamanho do projeto. “Quanto maior a área, mais os recursos se diluem”, explica, salientando que o retorno vai acontecendo com o aumento da produtividade e da rentabilidade. Em 2017, graças à irrigação, ele conseguiu fazer três colheitas de grãos no mesmo ano – soja, milho e feijão, antes de entrar novamente com soja – além de obter uma “safrinha” de bois. “O mais importante é que fizemos tudo isso com estabilidade”, ressalta, lembrando que ele só não repetiu a dose no ano passado porque o preço do feijão estava pouco convidativo. Mas no inverno, enquanto a produção de milho no sequeiro foi de 200 sacas por alqueire (82,6/hectare), sua lavoura irrigada rendeu a média de 300 sacas por alqueire (123,9/hectare).

Na pecuária, os Paduan mantiveram 300 novilhos recém-desmamados de produção própria em 25 alqueires de capim braquiária no período de abril a setembro. Os animais entraram com peso médio de 10 a 12 arrobas e saíram pesando de 14,5 a 15 arrobas, para completar a engorda em confinamento e sendo terminados para o abate aos 24 meses de vida, pesando de 19 a 20 arrobas. “A pecuária confere mais sustentabilidade à receita da propriedade”, enfatiza o produtor, explicando que isso é ainda mais expressivo porque acontece durante o período de entressafra da soja, o que ajuda no fluxo de caixa.

TECNOLOGIAS - A gerente das unidades da Cocamar em Centenário do Sul e Lupionópolis, Tatiele Rodrigues, comenta que a cooperativa chegou à região, em meados deste ano, com perspectivas animadoras. “O que a gente está trazendo para o produtor aqui da região é tecnologia. Se o produtor acreditar e fizer o investimento certo, vai colher bons frutos.” O exemplo, segundo ela, é a propriedade dos Paduan, onde eles demonstram saber utilizar a tecnologia a seu favor.