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Seca mais severa em 19 anos, afirma cooperado

20.02.2019

Ao longo de 19 anos, desde 2000, o cooperado Jorge Pedro Frare, de Doutor Camargo, município a 30 quilômetros de Maringá, tem anotado os volumes de chuva que caem em sua propriedade. Organizado e caprichoso, o produtor, que mora no local desde 1975, onde cultiva soja e milho, se baseia em um pluviômetro, um tipo de recipiente que, exposto ao tempo, no quintal de casa, serve para medir o acúmulo de água a cada dia. Quando as chuvas, enfim, retornaram, no dia 12 de fevereiro, ele recebeu a equipe do Rally Cocamar de Produtividade.

SEVERIDADE - Frare se diz surpreso: a seca que atingiu a safra de soja 2018/19, ora em fase final de colheita em sua região, foi a mais severa desde que começou a registrar as precipitações.

POUCA CHUVA E CALOR - Os números de cada chuva ele vai adicionando em um relatório manual que permite comparações entre anos e períodos. Segundo o produtor, se no mês de janeiro do ano passado choveu 424 milímetros, em janeiro último o total foi de apenas 94 milímetros, praticamente um quinto. Para complicar, as precipitações em dezembro somaram só 36 milímetros, quase dez vezes menos que os 331 milímetros anotados em dezembro do ano anterior. “Nos dois meses mais críticos para a lavoura, em que a água não pode faltar, choveu só 130 milímetros”, pontua Frare. Ele acrescenta a essa situação mais de 10 dias sem chuvas neste mês de fevereiro, período que foi agravado por temperaturas muito altas.

SAFRA MENOR - O resultado é uma forte redução da produtividade: a expectativa de Frare é finalizar a colheita com a média de 100 sacas por alqueire (41,3 sacas/hectare), 35% a menos em comparação ao número médio obtido nas duas safras anteriores, de 156 sacas por alqueire (64,4/hectare).

COLHEITA NO FINAL - “Na região de Doutor Camargo a média deve ficar em 90 sacas por alqueire (37,1/hectare)”, assinala o engenheiro agrônomo Evandro Borghi, da Cocamar. De acordo com Borghi, mais de 80% das lavouras já foram colhidas.

MILHO – Por outro lado, as chuvas que voltaram em bom volume no dia 12 (choveu 40 milímetros na propriedade de Frare) trouxeram alívio aos produtores que já fizeram a semeadura do milho de inverno. “Agora, com a umidade, a germinação deve ser boa”, completa o agrônomo da cooperativa.