Notícias

Voltar

Mistura de sementes no pasto engorda o boi e solo

28.05.2019

De olho na melhoria da qualidade dos pastos mantidos em sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), a família Vendramin, de Paranavaí (PR), decidiu fazer neste ano uma experiência que é novidade na região: a mistura de várias sementes de capins em vez da opção única pela braquiária.

Após colhida a soja, em março, eles semearam as pastagens, tendo a braquiária como carro-chefe, mas incluindo também milheto, feijão caupi, trigo mourisco, pé-de-galinha gigante e outras espécies. No início de maio, a pastagem já estava formada e constatou que apesar do baixo volume de chuvas nos meses anteriores, a vegetação se desenvolveu razoavelmente bem.

CONVIVÊNCIA - Na fazenda de 300 hectares, cerca de 170 são destinados à pecuária, onde os talhões que receberam a mistura diferem bastante da pastagem convencional. A convivência entre vários tipos de capins, cada qual com suas características, não apenas enriquece a alimentação animal, como traz uma série de benefícios para o ambiente produtivo, que inclui o solo.

O proprietário Vergílio Vendramin, 67 anos, divide a gestão da fazenda com os filhos Victor e Vinícius, grupo do qual participa também o genro José, marido da filha Vergiane. Na pecuária, eles são assistidos pelo técnico agrícola Márcio Buffaliere, da unidade local da Cocamar, que acompanhou a reportagem.

De acordo com Victor, a mistura é um aprimoramento da prática adotada no sistema ILPF, que preconiza a semeadura de braquiária para o estabelecimento dos pastos pós-colheita de soja, por sua fácil adaptação ao clima regional e os vários benefícios que proporciona. “Pensamos em não oferecer só um tipo de comida para o gado e levamos em conta, também, a constante busca pela sustentabilidade”, afirma.

AMPLIAR OS EFEITOS - Com a mistura de sementes, o objetivo é ampliar os efeitos trazidos pela braquiária, que garante comida em abundância para o rebanho no inverno, quando os pastos convencionais escasseiam por causa do frio. Ao mesmo tempo, o espesso enraizamento do capim age na reestruturação do solo, rompendo a compactação, ciclando nutrientes das camadas mais profundas e facilitando a infiltração de água. Na primavera, às vésperas do novo ciclo da soja, a braquiária é dessecada para servir de cobertura ao plantio direto. Sua palhada vai proteger o solo da incidência dos raios solares e das chuvas fortes, reter umidade (o que beneficia a planta em caso de veranicos de curta duração) e inibir o desenvolvimento de ervas de difícil controle.

SISTEMA RADICULAR - A vegetação variada, sempre com muitas plantas em floração, é também um ambiente onde a vida se prolifera, bastando observar o movimento de insetos e abelhas, algo que não se percebe em pastos comuns. Se isto é bom para a natureza, pode se dizer o mesmo em relação ao solo, especialmente na parte que não se consegue ver: “abaixo da superfície, os sistemas radiculares promovem uma intensa profusão microbiológica”, comenta o técnico Márcio Buffaliere.

Os bovinos foram alojados no começo de maio e, conforme Victor, haverá comida de qualidade e em suficiência até o final do inverno. Segundo ele, o investimento com a mistura de sementes é pelo menos duas vezes maior que usando só a braquiária, mas vale a pena: “Estamos devolvendo para a natureza”, justifica. E afirma que graças aos pastos de maior qualidade, eles mais que duplicaram a ocupação animal, comparando com a média regional, de 1 cabeça/hectare. A meta é evoluir para trabalhar com ao menos 3 cabeças por hectare, em breve.