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Há 44 anos geada dizimava cafeicultura do Paraná

19.07.2019

Quarenta e quatro anos após a geada negra ocorrida em 18 de julho de 1975, que destruiu os cafezais paranaenses, a agricultura do estado exibe outro perfil, muito diferente do que se via naquele ano, quando a dependência da economia em relação aos cafezais era grande.

FORTE QUEDA - Dados históricos apontam que em 1975 o Paraná produziu 10,2 milhões de sacas beneficiadas que representaram 48% da safra brasileira de café. Um ano após a drástica geada, só foram colhidas 3,8 mil sacas e a participação do estado na produção brasileira caiu para 0,1%.

DESAFIO - Para a então Cooperativa de Cafeicultores de Maringá (Cocamar), que já em 1971 começou a incentivar as culturas mecanizadas de grãos, construindo um enorme armazém graneleiro com fundo em V, em Maringá, o fim repentino do café representou um enorme desafio. Era preciso, a toque de caixa, construir pelo menos mais quatro graneleiros iguais àquele, para comportar o imenso volume de soja que prometia ser entregue pelos produtores em 1976 e nos anos seguintes.

PLANTAR SOJA - Para os agricultores também foi um desafio. Ao mudarem forçosamente de atividade, lançaram-se ao cultivo de soja, mesmo sem entender nada do assunto, apenas que, em vez de trabalhadores braçais, precisariam de maquinários para plantar, pulverizar e colher.

TUMULTO - Grandes colheitas se confirmaram no ano seguinte, gerando filas intermináveis nos entrepostos e demandando contingentes de funcionários, nos escritórios, para dar conta do serviço. Foi assim, tumultuada no início, a expansão da soja no norte e noroeste do Paraná, hoje o segundo maior produtor nacional da oleaginosa.

ECONOMIA DIVERSIFICOU-SE - Graças a modernização de sua agricultura, o estado se tornou uma referência no agronegócio brasileiro. Se em 1975 a geada ocasionou vultosos prejuízos à economia estadual e aos produtores, impactando o comércio, as receitas dos municípios e gerando desemprego em massa, esse episódico sinistro também ajudou a abrir caminho para a saudável diversificação das atividades no campo. Nesse embalo, a Cocamar cresceu, passou a industrializar soja e outros produtos e se tornou uma das principais cooperativas brasileiras.