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Transformação digital faz surgir novo agro

19.08.2019

Uma nova realidade, muitas mudanças e grandes desafios. Em sua palestra sobre o tema “Transformação digital no agronegócio”, proferida na noite de quarta-feira dia 14 de agosto a um grupo de 200 convidados do projeto Massa Agro, na Associação Cocamar em Maringá, o especialista Fernando Martins disse que a aplicação de uma nova tecnologia no campo pode promover uma melhoria de 30 a 40%, enquanto que no segmento financeiro, por exemplo, a evolução geralmente não vai além de 0,5%.

FORÇAS - Ex-presidente da Intel no Brasil e há 30 anos trabalhando nessa área, Martins comentou que forças econômicas movem a transformação digital. Segundo ele, tecnologias revolucionárias vão transformar o agro, ao passo que o Brasil, pela sua grande importância no setor, pode liderar as mudanças.

TRANSISTORES - “É muito complicado lidar com o agronegócio, pois nada é feito em série e nenhum produto é idêntico ao outro, como numa fábrica”, citou. Contudo, o barateamento do transistor (dispositivo utilizado na maioria dos circuitos eletrônicos, sendo o principal componente de equipamentos como celulares e computadores), possibilita uma capacidade infinita de armazenamento de dados na nuvem e abre oportunidades para que a transformação em setores como o agro se acelere cada vez mais.

MUITO BARATO - “A cada 18 meses, dobra o número de transistores numa mesma área”, lembrou o palestrante, dando uma ideia do exponencial barateamento do dispositivo: com um único grão de arroz é possível comprar 100 mil transistores. Um dos efeitos disso é que, atualmente, ao contrário do que acontecia até poucas décadas, qualquer pessoa pode tirar fotografias de alta qualidade, sem qualquer custo, usando o seu celular. Antigamente, fazer esses registros era um processo oneroso.

DESAFIO - A transformação digital, na visão de Martins, é fundamental para que a humanidade consiga superar o desafio de alimentar 9,5 bilhões de pessoas em 2050 – a estimativa de população do planeta, o qual apresenta restrições em água doce, clima e solo aptos para a produção de alimentos.

VERTENTES - O palestrante expôs, em resumo, que as mudanças devem ser baseadas em algumas vertentes e estratégias, em especial. A produção de proteínas alternativas é uma delas, como a carne sintética e o aproveitamento de insetos. Por outro lado, o sensoreamento tende a ser cada vez mais usado para investigar a qualidade dos produtos, enquanto a nutrigênica vai orientar o consumidor sobre o que deve comer e como suplementar sua dieta.

SEGUROS - Em outra frente, está sendo desenvolvida uma espécie de big data para seguros, ainda pouco utilizados pelos produtores brasileiros: só 7% deles, em média, costumam segurar suas lavouras, contra 84% nos Estados Unidos, onde os custos são muito mais baratos porque os dados sobre a realidade das lavouras circulam amplamente entre as áreas envolvidas.

FUTURO - A internet das coisas, que faz com que as máquinas “conversem”, trazendo mais eficácia aos serviços, os avanços da agricultura de precisão, os microbiomas e as soluções biológicas para proteção das lavouras, também fazem parte desse futuro que pode chegar logo. “Os investimentos em tratamentos biológicos triplicam a cada 18 meses”, lembrou Martins, enfatizando que ainda não há um waze do agro, mas isso é algo que não deve demorar para se tornar realidade.