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Fazenda de cana em Porecatu inova com integração pecuária-floresta

10.10.2019

A produção de cana-de-açúcar é, por tradição, a base da Fazenda Candiolinda, em Porecatu, norte do Paraná, que o Rally Cocamar de Produtividade foi conhecer no dia 8/10. De seus 911 hectares, quase a metade é ocupada por essa cultura.

Desbravada na década de 1940, a propriedade conserva inúmeras construções dos tempos do café, quando chegou a empregar mais de 80 famílias de trabalhadores. A capela, onde ainda é celebrada mensalmente a missa, se eleva entre o bem conservado casario de paredes amarelas.

Pertencente a quatro mulheres – Maria Virgínia e suas filhas Ana Thereza, Ana Beatriz e Ana Cândida – a Candiolinda não apenas é parte da história da região como se propõe a escrever uma nova história.

IPF - Com visão empreendedora, as proprietárias têm investido em um programa de diversificação de negócios. Há seis anos, elas inovaram ao implantar a integração pecuária-floresta (IPF) com o cultivo de eucaliptos em 47 hectares de pastagens. No total, a pecuária soma 100 hectares e o foco é a produção de bezerros a partir do cruzamento industrial de nelore com angus.

A cana também impera em outra propriedade da família, a Fazenda Retiro, de 540 hectares, onde a soja começou há cinco anos a fazer parte da receita, cultivada nesta safra em 133 hectares de plantio direto sobre palhada de capim braquiária.

NO COMANDO - A gestão, no dia a dia, está à cargo de Ana Thereza, engenheira agrônoma, e Ana Beatriz, médica-veterinária. Coube à outra irmã, Ana Cândida – que trabalha em indústria química – a tarefa de modernizar a estrutura administrativa e financeira, implantando controles mais modernos. A família conta com a assessoria técnica do engenheiro agrônomo Henrique Lopes Moimo, da empresa Unisafe de Londrina.

“Sempre gostamos da agropecuária, é o nosso mundo desde crianças”, afirma Ana Thereza. Elas assumiram efetivamente a fazenda em 2012, mas há pelo menos duas décadas as irmãs, com o acompanhamento da mãe, começaram a se envolver na gestão. Atualmente, enquanto Ana Thereza responde pela parte agrícola, Ana Beatriz, que por anos trabalhou como instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) é quem cuida da pecuária.

MELHORAR SEMPRE - Uma das atribuições do engenheiro agrônomo contratado é elaborar um planejamento que vai sendo seguido e avaliado pelas proprietárias. “Estamos sempre pensando onde melhorar, como racionalizar custos e a projetar novos negócios”, afirma Ana Thereza. Líder de classe, ela está à frente do Sindicato Rural Patronal de Porecatu e, em nível estadual, é vice-presidente do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado do Paraná (Consecana).

COCAMAR - Ao lado da irmã, ela diz ter ficado satisfeita com a chegada da Cocamar à região. Em 2018, a cooperativa absorveu estruturas da Cofercatu e, com isso, a unidade de recebimento em Florestópólis, vizinha a Porecatu, fica praticamente nos fundos da Fazenda Retiro, onde produzem soja. O gerente Sérgio Lemos e o engenheiro agrônomo Elton Oliveira da Silva, da cooperativa, prestam atendimento à família.

Ana Beatriz conta que a família sempre cultivou a mentalidade cooperativista e, além da Cocamar, elas também são associadas da cooperativa de crédito Sicredi.


Um cartão de visitas

A integração pecuária-floresta (IPF) é um diferencial e também um cartão de visitas da Fazenda Candiolinda na região. A ideia começou a nascer em 2014 após um contato de Ana Beatriz com o engenheiro agrônomo Renato Watanabe, da Cocamar, atual gerente executivo técnico e na época responsável pelo sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) na cooperativa. “Na época, Porecatu ainda estava fora da região da Cocamar mas decidimos que seria oportuno investir nesse projeto”, relata a médica-veterinária.

Segundo ela, o sistema silvipastoril tem ajudado a aplacar os efeitos dos veranicos, com o seu sombreamento, mantendo o solo mais fresco e úmido, além de as árvores conterem os ventos fortes, que também secam o solo. “Nós tratamos pastagem como agricultura”, pontua Ana Beatriz, explicando que os pastos são as áreas mais férteis da fazenda. Os 47 hectares de integração, com muitas árvores, trazem conforto térmico para os animais e acabam refrescando o ambiente na sede da fazenda, ao lado. Os bezerros são desmamados aos oito meses com os machos pesando de 240 a 230 quilos e as fêmeas entre 230 a 220 quilos, fornecidos a um comprador habitual.

(Agradecimento ao gerente da Cocamar em Porecatu/Florestópolis, Sérgio Lemos)

O Rally Cocamar de Produtividade é um projeto de valorização das boas práticas agrícolas, que conta com a participação de Spraytec, Basf, Sicredi União PR/SP e Zacarias Chevrolet (patrocinadores masters), Elanco, Altofós Suplemento Mineral Cocamar, Cocamar TRR, Texaco Lubrificantes e Sancor Seguros (patrocinadores institucionais), Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), Aprosoja/PR e Unicampo (apoiadores).