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Produtores crescem arrendando terras

19.11.2019

Crescer na atividade rural, hoje em dia, é tarefa das mais desafiadoras que alguns produtores estão sabendo enfrentar com coragem, ousadia, segurança e profissionalismo. Em Sabáudia, a 63km de Maringá, no norte do estado, os irmãos Lucas e Tiago, da família Borrasca e Casalotti, encontraram no arrendamento de terras um caminho aberto para empreender.

Desde o início, há sete anos, eles contam com o apoio do pai, Agnaldo, motivados pela vontade de conquistar o seu espaço, uma vez que a família sobrevivia de uma pequena propriedade de 6 alqueires (14,5 hectares) onde ainda hoje produz grãos e 22 mil cabeças de frango em dois barracões.

EM EXPANSÃO - E foi assim, partindo praticamente do nada, que já chegaram a 110 alqueires (266 hectares) e continuam aumentando as áreas. O Rally Cocamar de Produtividade foi conhecer a história deles na semana passada.

SEM RECEIO - Tudo começou com Lucas, técnico agrícola de 23 anos, que já aos16 começou a arrendar lotes de conhecidos e parentes, sem receio de assumir as modalidades de pagamento exigidas pelos proprietários: uma, a que prevê um percentual definido sobre a produtividade; outra, uma quantidade fixa em sacas de soja por alqueire.

É PESADO - “Arrendar não é brincadeira, o custo é bem maior do que cultivar em terra própria”, comentou Lucas, explicando não haver meio termo para o arrendatário, a não ser produzir bem para pagar as despesas da lavoura, a renda para o proprietário e, depois de tudo isso, garantir a margem de lucro.

CONSCIÊNCIA - Obstinado, Lucas sempre teve consciência de que para ter boa produtividade é indispensável investir na correção do solo, mediante análise, em adubação de qualidade e outros cuidados, seguindo orientação técnica - no caso, do engenheiro agrônomo Jacson Bennemann, da unidade da Cocamar no município.E, como tem disponibilidade de cama de frango, utiliza esse resíduo dos barracões como um fertilizante adicional.

BRAQUIÁRIA - Uma das recomendações da cooperativa foi de que os irmãos investissem no cultivo de braquiária no inverno, em consórcio com o milho, para reforçar a reestruturação física e biológica do solo e, entre vários outros benefícios, cobrir a superfície de palha para o

plantio direto e, dessa forma, inibir o surgimento de ervas de difícil controle. Neste ciclo de verão 2019/20, a braquiária abrange 60% das áreas, mas no próximo período (2020/21), a previsão é chegar aos 100%.

SEGURO E CUSTOS TRAVADOS - Outra orientação que eles seguem é fazer o seguro de toda a lavoura e travar os custos de produção. antecipando a venda de uma parcela da safra futura – negociada recentemente a R$ 80 a saca de soja. “A gente começa uma safra já devendo de 100 a 110 sacas por alqueire”, assinala Tiago.

MÉDIAS ALTAS - Com o manejo adequado do solo, que retém umidade na superfície, os dois irmãos têm conseguido amenizar os efeitos do déficit hídrico, como se observou na última safra de verão. Enquanto em várias regiões do estado a falta de chuvas castigou a lavoura, causando quebra de produtividade, eles colheram a boa média geral de 150 sacas por alqueire (61,9 sacas/hectare) e expressivos 179 sacas por alqueire (73,9 sacas/hectare) na área reservada ao concurso de produtividade da Cocamar. Só para comparar, a média no município ficou entre 110 e 115 sacas por alqueire.

DESAFIO - Formado em gestão de agronegócio, Tiago, 28 anos, deixou de trabalhar em uma empresa de material de construção na cidade para enfrentar o desafio de produzir em terras arrendadas ao lado do irmão.

DÁ CERTO - Para Lucas, não existe terra ruim. Ele dá o exemplo de um lote que estava abandonado e altamente praguejado, onde o proprietário nem acreditava que fosse possível produzir. Mas com capricho, os dois controlaram os problemas e investiram na recuperação do solo, produzindo nesse mesmo lote nada menos que 160 sacas por alqueire na difícil temporada 2018/19.

CONQUISTAS - Nem tudo está quitado, mas em sete anos os irmãos conseguiram colher os frutos de seus esforços. Entre outras conquistas, foi construída uma casa na cidade para Tiago, compraram terra e estruturaram um parque de máquinas que já conta com 3 tratores, 1 colheitadeira, 1 uniport, 1 plantadeira e 1 caminhão.

SICREDI - Cooperativistas, eles contam, além do apoio técnico da Cocamar, com os recursos disponibilizados pela Sicredi União PR/SP, onde fazem custeio e o financiamento de máquinas.


Sobre o Rally

O Rally Cocamar de Produtividade acompanha a safra de soja 2019/20 do pré-plantio à colheita, valorizando práticas sustentáveis. O circuito é patrocinado por Sicredi União PR/SP, Zacarias Chevrolet, Basf e Spraytec (principais), Sancor Seguros, Texaco Lubrificantes, Cocamar TRR, Elanco e Altofós Suplemento Mineral Cocamar (institucionais), com o apoio do Cesb, Aprosoja-PR e Unicampo.