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Colheita altamente produtiva em Apucarana

30.01.2020

Quando a colheita é boa, a máquina enche rápido e os caminhões não têm parada. Pois é isto que está acontecendo neste início de safra de soja em Apucarana (PR).

O município que nos últimos anos se destacou pela alta produtividade de suas lavouras, parece estar diante de mais uma temporada em que produtor nenhum pode botar defeito. O Rally Cocamar de Produtividade foi ver isso de perto na tarde de quarta-feira (29/1).

Pilotando nos últimos dias de janeiro a confortável colheitadeira, o produtor Evaldo Carlos Bovo estava entre os que abriam a colheita na região. Em uma propriedade próxima ao aeroporto, sem solavancos na cabine refrigerada, ele parecia passear sobre a lavoura, atento ao monitor que exibia instantaneamente os números da operação, quase nunca inferiores a 100 sacas por hectare. A lavoura não cresceu tanto, mas estava tão repleta de vagens que em dez ou quinze minutos era preciso dar um tempo para descarregar.

MÚSICA - “Acho que vamos fechar com mais de 80 sacas de média”, calculou Bovo, lembrando que um dos primeiros talhões colhidos rendeu 92,5 sacas por hectare. Isto é música aos ouvidos de qualquer produtor e também da Cocamar que, há anos, desafia seus cooperados a elevarem o patamar de produtividade, hoje ao redor de 50 sacas. Bovo e quatro irmãos são sócios em 726 hectares no município e imediações e, segundo ele, a atividade é conduzida com profissionalismo.

A seu ver, as razões do sucesso estão, principalmente, na escolha de variedades adequadas, no investimento em adubação de qualidade, no controle fitossanitário efetuado na hora certa e na preocupação em absorver as tecnologias que vão surgindo. “Não abrimos mão de participar de dias de campo e palestras na cooperativa e de ficar de olho na internet, sempre em busca de novidades. Temos que estar ligados.”

Orientados pelo engenheiro agrônomo Danilo Lomba, da Cocamar, os Bovo não têm conhecido frustração, mantendo um histórico de alta performance. Mesmo na safra passada (2018/19), em que a região foi atingida por estiagem, eles colheram 71 sacas por hectare, bem acima das 50 sacas registradas no município e mais que o dobro em comparação às 33 sacas de média geral nas regiões atendidas pela cooperativa. No ano anterior (2017/18), a marca havia sido de 76,8 sacas por hectare. Segundo Lomba, a safra 2019/20 não tem apresentado sobressaltos em matéria de pragas e doenças. Houve apenas um atraso no plantio causado por estiagem e calor forte, mas com o retorno das chuvas a situação normalizou. Trabalhando com segurança, os Bovo já têm comercializados 25% da safra, suficientes para cobrir os custos de produção.


Com soja, a prosperidade

Tão interessante quanto os números obtidos pelos Bovo é conhecer a sua história. Os cinco filhos homens do total de sete do seu Darci, de 85 anos, e de dona Dalva, de 80, formam há três décadas uma sólida sociedade na agricultura, que envolve três deles, e também num comércio na cidade, onde estão os outros dois.

Até 1986, o único bem da família era uma pequena chácara de 4,8 hectares, da qual subsistiam. “Eu tinha treze anos nessa época e tive que fugir da escola para ajudar meus pais na roça”, brincou Evaldo, hoje com 43. Aos poucos eles foram adquirindo pequenos lotes de terra e, em 1995, diante de uma profunda crise pela qual passava o campo, resolveram diversificar, apostando em uma casa de materiais de construção.

Com a estabilidade da economia a partir dos primeiros anos do Plano Real, a agricultura voltou a ser interessante para os produtores de grãos e, sempre colhendo bem, como resultado de muito esforço, os Bovo empreenderam uma trajetória ascendente. A cada ano, nunca deixaram de comprar terras no entorno de Apucarana e não pensam em parar tão cedo, apesar das altas cotações do ativo. “Temos uma pilha de escrituras, fomos juntando pedacinhos”, comentou Evaldo, Hoje são 919,6 hectares, dos quais 726 cultivados com lavouras. Os restantes 193,6 hectares são áreas de preservação permanente.

Evaldo comentou que se antes o destino de quem não queria estudar era a roça, atualmente ocorre o inverso: por ser uma atividade altamente tecnificada, a agricultura requer profissionais cada vez mais bem preparados.

Os Bovo são personagens de um ciclo de prosperidade que tem a soja como carro-chefe e faz do agronegócio o setor mais importante e dinâmico da economia. No final de janeiro, enquanto as máquinas colhiam a oleaginosa, as plantadeiras já vinham atrás, realizando a semeadura de milho no inverno, cultura em que eles são, também, uma referência regional em produtividade.

Sobre o Rally

O Rally Cocamar de Produtividade conta com o patrocínio das seguintes empresas: Sicredi União PR/SP, Spraytec, Basf e Zacarias Chevrolet (principais), Cocamar TRR, Elanco, Altofós Suplemento Mineral Cocamar, Sancor Seguros e Texaco, com o apoio do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), Aprosoja/PR e Unicampo.