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Produtor multipremiado mira outra vez o pódio

11.02.2020

“O manejo do solo é fundamental quando se pensa em uma agricultura sustentável”, afirma o produtor Gérson Bortoli, de Umuarama, noroeste do Paraná, que foi visitado na manhã de segunda-feira (10/2) pelo Rally Cocamar de Produtividade.
As terras de Bortoli, de 62 anos, que em 1994 deixou a atividade bancária para se dedicar ao agronegócio, ficam no arenito caiuá, uma região de solo arenoso ainda dominada pela pecuária tradicional.

EM DESTAQUE - Ele tem autoridade para falar. A partir de 2004, quando adotou o programa de integração lavoura-pecuária (ILP) orientado pela Cocamar, o produtor começou a se sobressair e, ao longo dos anos, tem sido recompensado por médias de produtividade que se situam bem acima da realidade local. Por duas vezes faturou o primeiro lugar no Concurso Cocamar de Produtividade de Soja e em duas ocasiões garantiu a segunda colocação, disputando com agricultores dos solos mais férteis do norte do estado.

VAGENS - Na visita à Fazenda Flamboyant, que fica na vizinha Perobal, o Rally foi saber o que faz de Bortoli um produtor tão diferenciado. Ao lado do técnico Higo Vieira, da cooperativa, que lhe presta orientação técnica, ele diz estar esperando ao menos 68 sacas por hectare na safra deste ano, já em início de colheita. A quantidade, expressiva diante da média regional de 50 sacas, parece conservadora quando se examina as plantas de perto, repletas de vagens. Em uma delas, escolhida aleatoriamente, o produtor e o técnico contaram 132 vagens graúdas – indicativo de que a safra pode ir além do esperado.

PASTAGENS - Na pecuária, a outra atividade que mantém, Bortoli conta com pastagens de sobra durante o inverno, à base de capim braquiária – semeada após a colheita de soja e que vai servir também para proteger o solo com sua palhada no verão. Tanta comida permite a ele alojar quatro cabeças de gado por hectare, enquanto nos pastos degradados da região é comum manter apenas uma cabeça na mesma unidade de área, mas o animal ainda vai perder peso no inverno, quando os pastos escasseiam por causa do frio.
O produtor investe no manejo do solo, mediante análise, realiza correções regulares, bem como a reposição de nutrientes a cada safra e não descuida das pulverizações para a prevenção de doenças fúngicas.
“No arenito o produtor precisa fazer bem feito e seguir as recomendações técnicas”, diz o técnico, assinalando que Bortoli, pelo trabalho que realiza, é sempre um forte candidato nos concursos promovidos pela Cocamar. “O manejo do solo vem sendo feito há muitos anos, não é de uma hora para outra que o resultado aparece”, lembra Bortoli. Ele possui três propriedades, duas em sistema de ILP e outra exclusivamente com pecuária.
Seu filho Hugo, de 30 anos, graduado em agronomia, tem o pai como referência e neste ano, pela primeira vez, participa também do concurso de produtividade. O prêmio para o vencedor e o profissional técnico é uma viagem aos Estados Unidos.


Novas tecnologias
e cultivo de algodão

Gérson Bortoli não apenas é um produtor antenado em relação a boas práticas e tecnologias modernas, como também se coloca em posição de vanguarda na sua região. Além do bem conduzido projeto de integração lavoura-pecuária (ILP), ele conta na Fazenda Flamboyant com uma unidade do Programa de Aumento de Produtividade Sustentável de Soja (Paps), mantido pela Cocamar, que tem a proposta de avaliar técnicas voltadas a contribuir para explorar o potencial produtivo da cultura. Nos últimos três anos, ele passou também a testar o cultivo de algodão em parceria com a Associação dos Cotonicultores Paranaenses. Segundo Bortoli, foram feitos plantios escalonados nas últimas semanas, seguindo solicitação da Cocamar, que pretende avaliar o algodão como uma possível alternativa inverno para os produtores do noroeste.