Notícias

Voltar

Cocamar almeja faturar R$ 10 bilhões em 2025

18.02.2020

O ano de 2020 é representativo para a Cocamar Cooperativa Agroindustrial. O exercício finaliza o planejamento estratégico referente ao período 2015-2020 e abre o novo ciclo de 2020-2025. A previsão é faturar R$ 5,8 bilhões neste ano, contra os R$ 4,6 bilhões de 2019. A cooperativa conta com 87 unidades operacionais nos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, que atendem a mais de 15 mil cooperados e cerca de 30 mil clientes.

“2019 foi um ano desafiador”, resume o presidente-executivo Divanir Higino. Diante dos efeitos do clima, a gestão promoveu contenção de custos e adiou alguns investimentos. Ao final, o faturamento ficou levemente acima do registrado no ano anterior.

Para chegar ao crescimento que havia sido projetado no ciclo 2015-2020 e praticamente dobrar o faturamento, a Cocamar apostou no seu próprio diferencial como cooperativa, na ampliação do número de unidades operacionais e de lojas agropecuárias, no aumento de participação de mercado e em novos negócios.

Entre as maiores do país, a cooperativa sediada em Maringá (PR) quer demonstrar, com sua solidez e o retorno de resultados que proporciona aos produtores, que o cooperativismo é o melhor caminho. “Nós podemos atuar como uma empresa, mas nenhuma empresa do segmento agropecuário pode oferecer a mesma segurança e tantos benefícios que uma cooperativa forte”, afirma Higino.

OS DONOS - Segundo ele, a Cocamar é movida pelo compromisso de gerar renda aos seus cooperados, dos quais 70% são de pequeno porte. “Trabalhamos para os nossos cooperados, que são os donos do negócio, assegurando retorno de resultados de várias maneiras”, explica o presidente. Ele cita como exemplos a instalação de estruturas de apoio em locais estratégicos para facilitar o recebimento das safras, a transferência de tecnologias por meio de uma equipe técnica preparada e a realização de eventos para que os produtores tenham acesso a novos conhecimentos e se mantenham competitivos, sem falar da distribuição de sobras ao final de cada exercício. Em dezembro, apesar das dificuldades trazidas pela quebra da safra, os cooperados receberam mais de R$ 40 milhões em recursos rateados, equivalentes a 20% do resultado da cooperativa. Para muitos, foi como um décimo-terceiro salário. Os produtores de soja, por exemplo, tiveram direito a um adicional de R$ 2,00 para cada saca depositada.

EXPANSÃO - A ampliação territorial tem acontecido em ritmo forte, nos últimos anos, para aproveitar oportunidades como as que estão surgindo nos três estados. Em uma delas, no interior de São Paulo, a cooperativa firmou no ano passado uma parceria com a usina Cocal, sediada em Paraguaçu Paulista. Pelo acordo, foram arrendados 5,2 mil hectares e repassados a 19 cooperados para a renovação de canaviais com a cultura da soja. Os resultados têm sido tão positivos que, de acordo com a própria Cocal, os números devem ser ampliados neste ano, abrindo assim uma nova fronteira para produtores que precisam de mais terras para plantar.

Novas fronteiras também estão sendo abertas pela cooperativa na região noroeste paranaense, onde desenvolve outro programa inovador, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), pelo qual pastos degradados são convertidos ao moderno processo produtivo por meio do cultivo de grãos no verão, que resulta em uma pecuária de alto desempenho no inverno. A floresta de eucalipto, em espaços intercalares, vai servir para o conforto térmico dos animais e gerar renda adicional com a venda de madeira. Atualmente há mais de 200 mil hectares mantidos com arranjos integrados sob a orientação da Cocamar.

“Para o ciclo 2020-2025 a Cocamar, contando com o envolvimento de um grande número de cooperados e colaboradores, definiu como meta continuar crescendo fortemente, buscando o faturamento de 10 bilhões em 2025”, ressalta Higino. Em janeiro, foram inauguradas três lojas para a comercialização de insumos agrícolas em municípios do sudoeste paulista, a maior produtora de grãos no estado vizinho. Em rápida expansão, o segmento de insumos contribuiu com R$ 1,4 bilhão para o faturamento da cooperativa e, até 2025, a meta é elevar esse montante para R$ 2,6 bilhões.

Dona de um diversificado parque industrial, a cooperativa inaugurou no começo de fevereiro uma moderna indústria de rações para 150 mil toneladas/ano e prevê finalizar, nos próximos meses, uma planta para fertilizantes foliares. As operações nessa área já incluem desde uma indústria de extração de óleo de soja e torrefadora de café, à produção de sucos e néctares de frutas, bebidas à base de soja, maioneses e molhos, farinha de trigo, álcool doméstico, madeira tratada e sal mineral.

Entre os novos negócios nos quais a Cocamar ingressou nos últimos anos, estão a concessão de maquinários agrícolas John Deere, posto de combustíveis, unidade de beneficiamento de sementes, corretora de seguros e moinho de trigo.

Além da abertura de novas lojas, estão previstas aquisições e melhorias de estruturas operacionais, ampliação da capacidade estática de armazenagem de 1,7 para 2,3 milhões de toneladas, investimentos em inovação e aposta em novos segmentos industriais, entre os quais a produção de biodiesel, etanol de milho e proteína animal (a partir da aquisição de animais produzidos em sistema de ILPF).

O planejamento estratégico visa a garantir mais renda nas propriedades, incentivando a produção de sorgo (para a indústria de rações), trigo branqueador destinado ao moinho, lavouras irrigadas e vários outros projetos em estudo, entre eles piscicultura, pulses (grão de bico, ervilha e lentilha) e algodão para reforçar as opções de inverno.