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Areião do oeste paulista exibe soja de primeira

21.02.2020

Quem dizia que nos solos arenosos do Pontal do Paranapanema não havia lugar para a soja, precisa ver o que está acontecendo por lá. Mesmo nas regiões mais desafiadoras, o grão parece ter chegado para ficar. No município de Santo Anastácio, a 30km de Presidente Prudente, o produtor Marcos Antônio de Almeida mantém a cultura em integração com a pecuária.

Marquinhos – como é conhecido – cultiva 701 hectares com lavouras e um de seus talhões apresentou média de produtividade de 74 sacas por hectare. Para quem prefere falar em alqueire, medida mais comum no interior paulista e que equivale a 2,42 hectares, isto corresponde a 180 sacas, quantidade só esperada nas mais cobiçadas terras do Paraná. Na quarta-feira (19/1), ele recebeu a visita do Rally Cocamar de Produtividade.

FAZENDO HISTÓRIA - Embora a média oscile para menos nos demais talhões de Marquinhos, semeados em épocas diferentes e que receberam volumes variáveis de chuva, o produtor vem fazendo história com a soja. Na safra passada, em que houve severa estiagem, suas melhores áreas renderam 65,2 sacas por hectare (158 na linguagem em alqueire). Só para comparar, no mesmo período a média geral nas regiões atendidas pela Cocamar nos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul caiu de 53,7 para 33 sacas/hectare (respectivamente 130 e 80 em alqueire), uma quebra de 40%.

“Tem que investir no solo, fazer correção e adubar conforme recomendação técnica”, diz o produtor. Claro, fazer a sua parte e contar com uma ajuda de São Pedro.

PIVÔ - Em uma área onde ele implantou um pivô central no final de 2019 e estava na expectativa de não depender tanto das chuvas, elas foram insuficientes, até o momento, para encher a represa onde será feita a captação. “Mas é assim mesmo”, diz, confiante de que o equipamento representará um diferencial no seu negócio.

O teor de argila, avaliado em análise, determina o quanto o solo é arenoso. Nas terras cultivadas por Marquinhos, a variação é de 5 a 20%. No noroeste do Paraná, onde predomina o arenito caiuá, plantar em solo com teor de argila abaixo de 20% é altamente desafiador, conforme lembra o engenheiro agrônomo Luiz Magnossão, da unidade da Cocamar em Presidente Prudente, que presta assistência técnica ao produtor.

VALE A PENA - Indagado se mesmo assim vale a pena apostar na oleaginosa, Marquinhos garante: “Não é mau negócio”. E seu objetivo é expandir as áreas, ainda que, em alguns talhões afetados pelo déficit hídrico nos últimos anos, a pecuária tenha financiado a agricultura. A justificativa dele é que a soja, cultivada em cima de braquiária, ajuda a reestruturar o solo. E quando não falta umidade, o lucro é garantido.


Determinado a crescer

Aos 47 anos, Marcos Antônio de Almeida, o Marquinhos, é um produtor determinado a crescer. Há pouco mais de 20 anos, quando decidiu deixar o pequeno sítio da mãe, onde a família produzia leite, ele conta que era dono de apenas algumas novilhas, uma moto e nenhum palmo de terra. Casado com Adriana Sardetti, mãe de seus dois filhos, Marquinhos lembra que o pai dela, seu Irineu, sempre o incentivou. “Era de orientar, aconselhar. Ele sempre dizia: quando sobrar um dinheirinho, compre vacas”.

Nos 701 hectares mantidos com lavouras o produtor possui 121 e o restante das terras é arrendada, o que eleva o custo de produção. Diversificado, além de soja e milho, produz batata-doce e sementes de braquiária, contando para isso com estrutura própria de maquinários. Na pecuária, Marquinhos faz cria, recria e engorda em 726 hectares de pastagens, onde aloja cerca de 1,5 mil cabeças.

Empolgado e cheio de planos, pretende investir na expansão da pecuária, com a implantação de um projeto de confinamento, e analisa a possibilidade de investir na compra de terras em outras regiões do país para a criação de gado.

O RALLY - A equipe do Rally Cocamar de Produtividade foi acompanhada na visita ao produtor de Santo Anastácio pelo gerente da unidade de Presidente Prudente, Wellington Frassati, e o engenheiro agrônomo Luiz Magnossão. Patrocinam a realização as seguintes empresas; Basf, Spraytec, Sicredi União PR/SP e Zacarias Chevrolet (principais), Elanco, Altofós Suplementos Minerais Cocamar, Texaco, Cocamar TRR e Sancor Seguros, com apoio do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), Aprosoja/PR e Unicampo.