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Desbravadores crescem ao apostar em novas regiões

06.03.2020

No ano 2000 a família Batalini, tradicional produtora de grãos em Marialva e outros municípios da região de Maringá, sondava as terras ainda pouco exploradas para agricultura no Mato Grosso do Sul. “A gente precisava expandir e estava ficando caro comprar terra no Paraná”, conta o produtor Roberto Batalini, 52 anos, que mantém sociedade com os irmãos Wilson e Moacir. Na quarta-feira (4/2), Roberto recebeu a equipe do Rally Cocamar de Produtividade e, segundo ele, o objetivo era Naviraí mas foram parar em Nova Andradina, perto da divisa entre os dois estados. “Em Naviraí o negócio não andou e, passando por Nova Andradina, vimos que a geada forte daquele ano não tinha feito estragos e isto nos chamou a atenção”, lembra.

Na época, pouca gente cultivava soja ali. Eles examinaram a textura do solo plano, se informaram sobre o regime de chuvas e, acreditando estar diante de uma oportunidade, decidiram investir. Se no Paraná os recursos que possuíam só davam para adquirir no máximo 200 hectares (cerca de 80 alqueires), em Nova Andradina eles foram suficientes para negociar 580 hectares (240 alqueires), área essa que se somou a outros 290 hectares adquiridos pelo sogro de Roberto. “A proporção era de 3 por 1.”

VALEU A PENA – Os Batalini realizaram, a seguir, a limpeza das áreas, a remoção de leiras, a destoca e a correção da acidez do solo, bem como a instalação de uma base com todos os maquinários que precisavam. Mas valeu a pena. Desbravaram a região confiantes de que estavam no caminho certo e o resultado não poderia ser outro.
Com as boas colheitas que têm conseguido praticamente todos os anos, em menos de duas décadas eles já ampliaram suas áreas para 2,9 mil hectares (1,2 mil na linguagem em alqueires), dos quais 700 arrendados, que estão sob a responsabilidade de Roberto, enquanto os outros dois irmãos cuidam de 1,2 mil hectares no Paraná, tudo cultivado com grãos.
Segundo o produtor, a produtividade em Nova Andradina regula com a de Marialva, ao redor de 60 sacas por hectare. “Não pode descuidar da aplicação de gesso e calcário, sempre no ponto certo”, adverte, lembrando que a acidez do solo é um desafio a ser vencido a cada ano. No outono/inverno ele cultiva milho e, a exemplo da soja, as médias têm sido satisfatórias, ao redor de 115 sacas por hectare. O milheto é usado para fazer a cobertura do solo com palha.

REFERÊNCIA - Receptivo a tecnologias e seguindo todas as orientações técnicas, Roberto é assistido pelo engenheiro agrônomo Edilson Betioli, da unidade local da Cocamar, e fez as aplicações preventivas recomendadas para o controle de pragas e doenças. “É um produtor de referência na região”, resume Betioli. Mesmo produzindo bem, Roberto cita que a safra poderia ter sido ainda melhor, uma vez que a mesma perdeu potencial devido a falta de chuvas em determinadas épocas, como no início – o que demandou replantio em alguns pontos – e na fase de enchimento de grãos. “Aqui não escapamos dos veranicos”, diz, lembrando que pela sua experiência, o período ideal de semeadura vai de 20 de outubro a 20 de novembro.
Morando em Marialva, de onde se desloca periodicamente para Nova Andradina, Roberto conta com uma equipe de 7 funcionários e a sede da fazenda possui amplos galpões e silos, entre várias outras benfeitorias. Sobre a decisão de investir no Mato Grosso do Sul numa época em que só havia incertezas e falta de estruturas, ele diz que a família soube enxergar e aproveitar a chance. Antes da chegada dos intrépidos paulistas e paranaenses, que desbravaram a região com agricultura, os produtores locais, em sua grande maioria, mantinham a tradição da pecuária extrativista, um modelo que degradou os pastos e se tornou antieconômico.

Ainda muito a
explorar no município

O gerente da unidade da Cocamar, Everson de Souza, destaca que o município de Nova Andradina, bastante extenso, conta com cerca de 400 mil hectares “e muita área ainda a ser incorporada pela agricultura”. Para constatar isso, basta dar um rápido passeio fora dos limites da cidade de 55 mil habitantes, cujo dinamismo se deve, em especial, à força do agronegócio.
A Cocamar instalou sua unidade ali em 2014, a qual, em pouco tempo, se tornou a maior recebedora de grãos da cooperativa e uma das primeiras também em comercialização de insumos agropecuários. Para o produtor Roberto Batalini, a presença da Cocamar confere mais segurança e confiabilidade aos agricultores da região. Neste ano, ele já antecipou a venda de 45% da sua produção com a cooperativa, aproveitando a boa fase de preços.

Crescer verticalmente

A expansão dos Batalini foi rápida no Mato Grosso do Sul e agora, sempre atentos a oportunidades, eles fazem o caminho inverso e voltaram a investir em compra de terras no Paraná. No entanto, segundo Roberto Batalini, o crescimento agora vai depender do envolvimento de mais gente da família – os filhos, que se preparam para participar dos negócios. Ele é pai de Everton (23 anos), Guilherme (20) e Vinícius (15), sendo que os dois primeiros, estudantes de agronomia, dividem o tempo entre o curso e o trabalho nos momentos de maior demanda, operando colheitadeiras, por exemplo.
“Nosso objetivo, daqui para a frente, é crescer verticalmente”, acrescenta o produtor, explicando ser indispensável ampliar as médias de produtividade e aproveitar bem as terras que já possuem. Para isso, os sócios investem na fertilidade do solo, sediando em Nova Andradina um trabalho experimental conduzido pela Cocamar em parceria com uma consultoria especializada. Está nos planos, ainda, para os próximos anos, adotar o programa de integração lavoura-pecuária (ILP), possivelmente em área de 720 hectares (300 alqueires), de maneira a diversificar as atividades e as fontes de renda.

Sobre o Rally

O Rally Cocamar de Produtividade tem a finalidade de valorizar as boas práticas agrícolas e conta com o patrocínio das seguintes empresas: Basf, Spraytec, Zacaris Chevrolet e Sicredi União PR/SP (principais), Elanco, Altofós Suplementos Minerais Cocamar, Sancor Seguros, Cocamar TRR e Texaco Lubrificantes, e o apoio do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), Aprosoja-PR e Unicampo.