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A força feminina que cresce e aparece

07.03.2020

Para homenagear as cooperadas da Cocamar na passagem do Dia Internacional da Mulher, celebrado no domingo (8/3), o Rally Cocamar de Produtividade aproveitou a viagem que fez na última semana para o Mato Grosso do Sul e visitou a empresária rural Lídia Regina Massi Serio, proprietária da Fazenda São Luiz, que fica em Ivinhema, a 40km de Nova Andradina, próximo à divisa com o Paraná.

Lídia é uma das personagens do moderno agronegócio brasileiro, setor que já foi dominado pelos homens. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) no ano passado, apontou que as mulheres são responsáveis pela gestão de 30% do segmento — muito acima do registrado na indústria (22%) e na área de tecnologia (20%). Em cifras, os números também são expressivos. Tendo em vista que o agro representa 25% do PIB, as mulheres desse setor da economia já respondem pela gestão de pelo menos 8%, algo em torno de US$ 165 bilhões.

GESTÃO - Casada, três filhas, Lídia investe na produção de soja – tendo sido uma das pioneiras nessa cultura no município - e na pecuária de corte de alta performance, que inclui um programa de marmoreio da carne, com nelore. Mesmo morando em São Paulo, ela faz uma cuidadosa gestão da propriedade, acompanhando com sua equipe os números das atividades e investindo sempre em boas práticas e tecnologias para melhorar ainda mais os resultados.

A primeira impressão para quem visita a fazenda de 7 mil hectares é de limpeza e organização, com piquetes e cercas impecáveis, boas estradas, casas bem construídas, funcionários uniformizados, tudo sinalizado e bonito de se ver.

No dia em que o Rally esteve na São Luiz, acompanhado do gerente Everson de Souza, gerente das unidades da Cocamar de Nova Andradina e Ivinhema, e do engenheiro agrônomo Diego Poveda, dessa última cidade, estava acontecendo lá a terceira edição de um dia de campo organizado em parceria com a Fundação MS, sobre a cultura da soja, em que pesquisadores da instituição discorreram a dezenas de participantes sobre temas como manejo e fertilidade do solo, manejo de doenças e competição de cultivares.

DESENVOLVER - “Queremos contribuir com o desenvolvimento econômico da região de Ivinhema e a realização de eventos técnicos como esse são muito importantes para a transferência de tecnologias”, afirmou Lídia, que tem formação em publicidade.

Cooperativista, ela direciona toda a produção de grãos para a Cocamar, onde faz também a aquisição de insumos agropecuários. “Unidos, a gente consegue muito mais”, disse, valorizando serviços como a assistência técnica e o fato de, na cooperativa, contar com produtos confiáveis e de alta qualidade.

“Aqui era só pecuária”, pontuou, a respeito do histórico a região, lembrando que quando assumiu o comando da propriedade, herdada de seu pai, uma das culturas mais importantes da região era a mandioca. “Eu resolvi encarar a soja e enfrentei muita resistência no início”, frisou, explicando que algumas pessoas afirmavam o regime de chuvas na região era impróprio ao cultivo da oleaginosa. “Comecei com um parceiro, para ir me familiarizando, montei uma boa equipe e seguimos em frente com a soja.”

Trabalhando o solo e investindo em tecnologias de ponta, a proprietária demonstra que as lavouras podem apresentar produtividades comparáveis às do Paraná.

TRATORISTAS - Tanto na agricultura quanto na pecuária ela conta com o apoio de empresas de consultoria e procura disseminar as informações na região, por meio de dias de campo, para incentivar o desenvolvimento econômico. “Procuro fazer a lição de casa direitinho”, assinalou Lídia, que adiantou estar formando na fazenda um grupo de mulheres tratoristas. “A gente abriu uma vaga de tratorista e, para nossa surpresa, apareceram umas quatro ou cinco interessadas. E quando não estão operando máquinas, elas vão para a oficina trabalhar na mecânica.”

Para a empresária, a presença cada vez maior da mulher no agro é uma tendência, mas não para competir e, sim, somar e complementar. “Aprendemos muito com os homens e acho que eles vão aprender muito com a gente também”, comentou.

Lídia integra o NFA, Grupo Feminino do Agronegócio, que reúne participantes de várias regiões do país. “Depois que a gente surgiu com esse grupo, muitas produtoras que exercem papel de liderança e fazem a gestão do negócio, fizeram o mesmo.”


Antiga ligação com a terra

Lídia Regina Massi Serio tem uma ligação desde sempre com o meio rural. O avô Remo Massi foi produtor de café e o pai, Reinaldo, fundador da Someco S/A, uma empresa colonizadora que, entre outras cidades, fundou Ivnhema e Diamante do Norte (PR), com projetos urbanísticos encomendados ao engenheiro civil Francisco Prestes Maia, que por duas vezes foi prefeito de São Paulo.

Para atrair os interessados nas terras, o visionário Reinaldo organizava fazendas experimentais, sítios e chácaras com diversos tipos de culturas e criações, que serviam de modelo aos compradores. E mesmo muito antes da chegada da soja à região, ele dizia que essa seria uma cultura de futuro. Só talvez não imaginasse que Ivinhema, município nascido há 56 anos e atualmente com 25 mil habitantes, tivesse a soja como uma de suas atividades mais promissoras.


Sobre o Rally

Acompanhando a safra de soja do pré-plantio à colheita, o Rally Cocamar de Produtividade conta com os seguintes patrocinadores: Zacarias Chevrolet, Sicredi União PR/SP, Spraytec e Basf (masters), Sancor Seguros, Texaco Lubrificantes, Cocamar TRR, Altofós Suplementos Minerais Cocamar e Elanco. Apoiam a realização: Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), Aprosoja-PR e Unicampo.