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Primeiro ano de parceria inédita entre Cocamar e Cocal atende expectativas

14.04.2020

Uma experiência bem sucedida. Assim foi o primeiro ano de uma inédita parceria firmada pela Cocamar e a usina Cocal, de Paraguaçu Paulista, oeste do estado de São Paulo.

Ambas deram início na safra de soja 2019/20, encerrada no começo de abril, a um projeto de arrendamento de 5,2 mil hectares de áreas destinadas à reforma de canaviais pelo sistema de meiosi, nos municípios de Narandiba e Iepê, próximos à divisa com o Paraná.

As terras foram arrendadas pela Cocamar que as distribuiu entre 19 produtores selecionados em seu quadro de cooperados, com larga experiência no assunto, no Paraná e São Paulo. A cooperativa ficou responsável pela gestão do projeto, mantendo um engenheiro agrônomo contratado especialmente para prestar assistência técnica nas lavouras, forneceu os insumos e recebeu a safra. E, por meio de sua corretora, garantiu um seguro para 37,1 sacas/hectare (90/alqueire), que praticamente cobriu os custos de produção.

Interessada na recuperação da fertilidade do solo, redução de custos com herbicidas e no aumento da produtividade dos canaviais, a Cocal cedeu as terras já adubadas com fertilizantes químicos e orgânicos (resíduos da própria usina). Pelo contrato, ainda, após o produtor alcançar um determinado patamar de produtividade, a usina tem direito a um percentual de participação.

TODOS GANHAM - O gerente de negócios da Cocamar, Marco Antonio de Paula, explica que esse formato do arrendamento se mostra interessante para todas as partes envolvidas e também para os municípios. A cooperativa, por exemplo, amplia seus negócios com insumos e o recebimento da safra por meio das unidades operacionais e de atendimento ao cooperado instaladas em Iepê e Cruzália, e cumpre a função social de gerar mais renda aos produtores associados. “Muitos deles tiveram a oportunidade de aumentar substancialmente ou até mesmo dobrar suas áreas de cultivo de soja”, explica de Paula, salientando que o projeto está situado em região próxima ao Paraná. A cooperativa cuidou também de toda a documentação e o cadastramento das áreas e auxiliou produtores na localização de prestadores de serviços com maquinários.

Para a usina, segundo o diretor-superintendente Paulo Adalberto Zanetti, além dos benefícios mencionados – revitalização do solo, aumento da produtividade dos canaviais, economia com herbicidas e participação com o arrendamento – a iniciativa possibilita redução de custos com o viveiro de mudas de cana, mantidos em linhas intercalares ao cultivo de soja. Meiosi, resumidamente, “é plantar no meio”, explicou. Outra vantagem é que a usina trata apenas com a cooperativa e não com os produtores individualmente.

Aos municípios, a presença da soja traz mais dinamismo à economia local, aumentando o movimento do comércio (restaurantes, postos de abastecimento, hotéis, locação de casas, prestadores de serviços etc), além do recolhimento de tributos aos cofres públicos.

AMPLIAR - O acordo de arrendamento está previsto, inicialmente, para durar 5 anos, mas tanto a Cocamar quanto a Cocal avaliam que a abertura dessa nova fronteira agrícola para a soja não apenas poderá ser duradoura, como ampliada. Corrobora para isso o bom desempenho das lavouras no ciclo 2019/2020, que apresentaram médias de produtividade dentro das expectativas ou chegaram a superá-las em algumas regiões. E também o fato de que a convivência lado a lado entre cana e soja, com sua demanda de aplicações para o controle de pragas e doenças, não gerou problemas. “Os produtores foram bem orientados e muito cuidadosos, pois têm interesse que o projeto seja preservado”, assinala o gerente da cooperativa.

Marco Antonio de Paula cita que um dia de campo promovido no mês de março pela Cocamar e a Cocal em Narandiba, para demonstração do projeto, despertou o interesse de representantes de várias outras usinas de São Paulo e Mato Grosso do Sul. “Nossa expectativa é que possamos levar essa experiência também para outras regiões”, finaliza.

PRODUTORES ANIMADOS - Os produtores participantes ficaram satisfeitos com a experiência que tiveram no primeiro ano do projeto de parceria entre a Cocamar e a Cocal. Wilson Palaro, cooperado em Floresta, região de Maringá, diz que já está se planejando para a próxima safra de verão (2020/21). Acostumado a produzir na terra roxa, ele lembra do frio na barriga quando se viu diante do desafio de lidar com o solo arenoso do oeste paulista, ainda mais porque não haveria tempo de fazer a cobertura com palhada para o plantio direto, pois as terras foram entregues pela usina quando isto já não seria possível. Nem mesmo o plantio de milheto, por parte da Cocamar, com o objetivo de revestir o solo, deu certo, pois o clima na época não foi favorável.

No entanto, a soja se desenvolveu bem, beneficiada pela consistente adubação feita pela usina, a orientação técnica adequada e a ocorrência quase regular de chuvas. “Com essa oportunidade, praticamente dobramos a área de cultivo”, salienta Palaro, que, ao final, registrou uma média de 53,7 sacas/hectare em Narandiba, pouco abaixo das 60 sacas/hectare que conseguiu no Paraná. “Foi um bom negócio”, resume, explicando que no interior de São Paulo – a apenas 150km de distância de Floresta - a lavoura foi semeada mais tarde, possibilitando que fosse dada a ela toda a atenção.