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Sustentável, integração brilha em região de solo frágil

15.04.2020

Neste 15 de abril, Dia Mundial de Conservação de Solo, destaque para agricultores que investem em programas altamente produtivos, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), recuperando solos degradados.

Cooperado da Cocamar em Ourizona, a 30km de Maringá (PR), José Rogério Volpato é tradicional produtor de grãos em seu município e possui outra propriedade em Presidente Castelo Branco, na vizinhança.

Como o solo nessa outra região é bastante arenoso, com teor de argila de 10 a 17%, a expectativa local, até algum tempo, era que o mesmo não tinha aptidão para comportar projetos agropecuários modernos e produtivos. No entanto, sob a orientação da cooperativa, Volpato começou a desenvolver ali um programa de integração com resultados convincentes.

Ele produz soja no verão e mantém pecuária durante o inverno, em um sistema contínuo que tem como base o capim braquiária. Seus 130,7 hectares são corrigidos anualmente, mediante análise, com calcário e gesso, sob a assistência do engenheiro agrônomo José Eduardo Luqui Marcon. Há três anos o produtor desenvolve agricultura de precisão acompanhando o perfil do solo com mapas de compactação e fertilidade.

Segundo Marcon, “na assistência à propriedade a cooperativa busca inovação tecnológica para o aumento de produtividade, mais rentabilidade e sustentabilidade”.

Como a braquiária (que foi semeada após a colheita de soja) já oferece volume ideal, Volpato começou a engordar neste mês 110 cabeças de gado em 58 hectares. E, em junho, quando colher o milho que está sendo cultivado em consórcio com a braquiária em outros 72,6 hectares, ele vai acrescentar mais 40 cabeças. Do total de 130,7 hectares de integração, em 21,7 o sistema conta com renques de eucalipto para o conforto térmico dos animais, que se abrigam do sol durante as horas mais quentes do dia.

BONS RESULTADOS - No seu segundo ano de integração, Volpato conta como foi a experiência em 2019. Ele alojou o gado no mês de maio com média de 7,5 arrobas por cabeça, finalizando em agosto com o peso de 12 arrobas por unidade – um ganho médio de 4,5 arrobas (270 quilos). “Um bom negócio, permitindo aproveitar um momento favorável do mercado”, lembra.

COMPARE - Na realidade regional, em que predomina a pecuária mantida por técnicas ultrapassadas e em solo degradado, ainda reina o “boi sanfona” – que ganha peso no verão e perde tudo no inverno. E enquanto a média de Volpato é de 1,14 cabeça/hectare no inverno com expectativa de chegar a 12 arrobas de peso por animal, no modelo à moda antiga a média não passa de 0,7 carcaça por hectare/ano e apenas de 3 a 4 arrobas de peso.

VANTAGENS - De acordo com o produtor, a integração é vantajosa por vários outros motivos. Primeiro: ganhando peso no inverno, o ciclo da pecuária se adianta, podendo ser finalizada quando os animais atingem 24 ou 30 meses de idade, enquanto na pecuária tradicional isto não é possível com menos de 48 meses. Segundo: há maior fluxo de caixa, rentabilizando o negócio. Terceiro: a diversificação é saudável para o equilíbrio financeiro da propriedade. E quarto: a atividade é mantida de forma sustentável, com o solo recuperando a sua fertilidade natural, protegido da erosão.

PROTEÇÃO - Ao final do inverno, os pastos de braquiária são dessecados para o plantio direto da soja, formando uma cobertura de palha que além de proteger o solo da chuva forte e da incidência solar, mantém umidade, criando um ambiente mais propício para a lavoura e ainda inibe o aparecimento de ervas de difícil controle.

A Cocamar conta, em sua região, com mais de 200 mil hectares de sistemas em diferentes formatos de integração, sendo, há mais de duas décadas, uma das principais incentivadoras desse modelo no país. E, por meio de sua área técnica, mantém uma série de programas voltados ao manejo adequado do solo – o caminho para o aumento da produtividade e uma gestão sustentável.