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Carlópolis lidera em produção de Café no PR

19.05.2020

Quando se fala em Carlópolis, cidade do norte pioneiro do Paraná, quase sempre a primeira lembrança que vem à cabeça é a qualidade da sua goiaba, nas variedades vermelha e branca. E não é para menos: o município possui certificação de origem e exporta grande parte da produção do fruto, colhido o ano inteiro em mais de 700 hectares.

Banhada pela paradisíaca represa de Chavantes, com suas ilhas salpicadas de casas de veraneio, Carlópolis é também reconhecida pelo seu potencial turístico.

CAFÉ EM EXPANSÃO - Mas nem todo mundo sabe que, de duas décadas para cá, o município se firmou como o principal produtor de café do estado, deixando para trás regiões tradicionais. Enquanto nessas outras a cafeicultura perdeu espaço e importância econômica, em Carlópolis os cafezais seguem em expansão, favorecidos por um conjunto de fatores.

São cerca de 6 mil hectares de cafezais e a maioria dos produtores adota modernas tecnologias, como a mecanização das operações. Entre 60 a 70% das lavouras são colhidas com máquinas, em 20% o serviço é executado com equipamentos manuais para a derriça dos grãos e nos restantes 10% a colheita se desenvolve à maneira convencional, em que trabalhadores desprendem os grãos com as mãos.

ÁREAS EM PRODUÇÃO - “Há disponibilidade de trabalhadores rurais e, o mais importante, ainda reina por aqui a cultura e a paixão dos produtores pelo café”, afirma o gerente da unidade local da Cocamar, o técnico agrícola Antônio Aparecido Lima. Dos 6 mil hectares, pelo menos 3 mil são mantidos em produção enquanto os restantes 3 mil se recuperam da poda drástica realizada após a colheita – o chamado “esqueletamento”. Por meio dessa prática, conhecida como Safra Cheia, Safra Zero, os cafeicultores manejam a lavoura para terem colheita todos os anos. “Observa-se áreas novas de café em todas as regiões do município e há pelo menos 20 máquinas trabalhando na colheita, algo que, no Paraná, só se encontra aqui”, acrescenta Lima.

“Estamos muito satisfeitos com o café”, comenta Valdir de Souza, 53 anos, que possui 40 hectares de plantio. No ano passado ele produziu 2,2 mil sacas beneficiadas no total, média de 55 por hectare. Pelo preço conservador de R$ 450 a saca de 60 quilos, isto daria um faturamento bruto de R$ 24,7 mil por hectare.

UMA POUPANÇA - “Diferente da goiaba, que precisa vender logo, o café pode ser guardado como uma poupança”, lembra Souza. A cultura, que até 2016 ficava por conta de empregados, hoje é gerida pessoalmente pelo proprietário, que tem investido em nutrição e na sanidade das plantas, onde predomina a variedade mundo novo.

Segundo ele, como neste ano uma parte do cafezal está entrando novamente em produção após o “esqueletamento” e a lavoura remanescente (não podada) surpreendeu com uma grande carga, a produtividade deve ser superior a de 2019, embora – ressalve -, o tempo seco dos últimos meses tenha afetado o potencial produtivo, pois foi observada queda de grãos.

PLANTAR - Souza contrata um prestador de serviços para fazer a colheita mecanizada e sua expectativa para os próximos anos é plantar mais 20 hectares de café e, atraído pela lucratividade do fruto, destinar uma parte das terras para “uma roça de goiaba”.

O técnico agrícola da Cocamar, Elton Portes Gonçalves, cita que essa “é uma das propriedades de referência na região por receber um manejo bastante tecnificado, além de o produtor ter mente aberta para ouvir e aplicar as propostas que a gente, como responsável técnico, leva para ele”.


Sofisticado, produtor

faz colheita seletiva


Oitenta hectares de cafezais são cultivados pelo engenheiro agrônomo Hans Cristian Nick, de 52 anos, na soma da propriedade que sua família mantém em Carlópolis, às margens da represa, e outra área em Tomazina, a 73 quilômetros. Na média dos últimos dez anos, segundo avaliação feita por Nick, a média de produtividade foi de 43,5 sacas por hectare.

“O capricho em todas as etapas da produção é fundamental para um bom resultado”, afirma o produtor, que presta serviços também como consultor de café para algumas empresas. Ele assinala que o maior cuidado não implica, necessariamente, em mais desembolso. Com 100% da lavoura mecanizada e uma equipe enxuta, uma de suas estratégias para chegar a um produto diferenciado é a colheita seletiva.

“A gente já começa a planejar a safra a partir da florada, que é quando são definidas as futuras colheitas”, explica. As seis floradas da lavoura são compactadas em três e vai haver, lá na frente, três estágios na maturação. Em um dos estágios os grãos atingem o ponto de vinho já partindo para a fase de passa; em outro, o cereja mais adiantado e, por último, os verdes que vêm na sequência. Nick conta que a colhedora é ajustada para a retirada, na lavoura, dos grãos dos dois primeiros estágios. “Preparamos as varetas da máquina e utilizamos uma velocidade um pouco maior”, diz, lembrando que precisa haver capricho também na secagem dos grãos. Segundo o produtor, o custo com a lavoura, nesta safra, é calculado em R$ 12 mil por hectare.

Com uma produção diferenciada, os compradores se interessam mais e oferecem, além do preço do dia, um adicional de 10%. É dessa maneira que o produtor está preparando um lote de 660 sacas que será exportado para Dubai.

“Estamos na atividade desde 1968 e o produtor que quiser se manter precisa ter café de boa qualidade, equipe bem preparada e trabalhar com tecnologias e mecanização”, afirma Nick, mencionando que, quando se trabalha com profissionalismo e mentalidade empresarial, a cafeicultura é um dos negócios mais rentáveis. “O café retorna tudo o que se faz por ele, mas o produtor precisa manter a busca constante pela eficiência”, finaliza.


Estiagem prejudica


Durante visita a Carlópolis, no dia 12/5, o gerente técnico da Cocamar, Robson Ferreira, avaliou que visualmente o estado dos cafezais impressiona pela grande carga. No entanto, não pode ser considerada uma safra cheia porque a estiagem dos últimos meses judiou da lavoura, promovendo uma redução da produtividade, além de deixar reflexos para a safra de 2021. “As poucas chuvas aconteceram em momentos determinantes e, por isso, as perdas não foram maiores”, diz Ferreira, mencionando que a perspectiva é que os cafés da região deem uma boa bebida.

Segundo Ferreira, para colher uma saca beneficiada de café pelo método manual, um produtor gasta em média R$ 96,00, valor que cai para R$ 28,00 se a colheita for feita com máquina, uma diferença de R$ 78,00. “A mão de obra representa um dos principais custos da cafeicultura”, enfatiza.

A mecanização inclui, além da colhedeira e de um trator com carreta para transportar os grãos colhidos, um varredor-soprador e uma recolhedora, serviço que pode ser executado por uma pequena equipe de trabalhadores.