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Comercialização rápida da safra alivia armazenamento

22.05.2020

Acompanhar os crescentes volumes das safras em suas regiões tem sido um dos desafios da Cocamar, que recebe principalmente grãos (soja, milho e trigo). Nos últimos cinco anos, a cooperativa ampliou a capacidade estática de seus armazéns de 1,1 milhão para 1,7 milhão de toneladas e prevê, até 2025, aumentar as estruturas para 2,3 milhões de toneladas, conforme estabelece seu planejamento estratégico.

Na recente safra de verão (2019/20), os produtores de soja depositaram uma quantidade recorde na cooperativa, superior a 1,5 milhão de toneladas. Esse grande volume de soja poderia trazer problemas para recebimento da safra de milho, que começará a ser colhida no mês de junho, mas tal quantidade não pressionará tanto a Cocamar devido ao ritmo acelerado da comercialização da oleaginosa.

RAPIDEZ - Segundo o vice-presidente de Negócios da cooperativa, José Cícero Aderaldo, a disparada nos preços das commodities agrícolas – alavancadas pela forte elevação de 45% do dólar neste ano, até aqui, frente a moeda brasileira – fez os produtores negociarem suas safras. No atual momento, cerca de 80% de todo o recebimento de soja da cooperativa já foi precificado pelo produtor, ante um percentual médio nessa época do ano inferior a 50%. “Uma rapidez nas vendas, dessa maneira, nunca havia sido vista antes, o que ajudou também a aliviar o armazenamento”. A soja está sendo embarcada para a China, principal comprador do produto brasileiro. Por outro lado, a entrada do milho de inverno que começa a ser colhido em junho não deverá pressionar tanto, também, os armazéns da cooperativa, por causa da expectativa de redução da produtividade com o longo período de estiagem. Ainda não há uma avaliação de quanto a safra de milho poderá diminuir.

RELAÇÃO DE TROCA - Aderaldo ressalta que a desvalorização do real – cotado a R$ 4,00 no início de janeiro e já por volta de R$ 5,70 – abriu oportunidades para os produtores de soja que ainda não haviam comercializado. “A relação de troca acabou ficando muito favorável em relação ao custo dos insumos”, comenta, explicando que o mesmo cenário animou os produtores a venderem parte da safra futura. Ao final da primeira quinzena de maio, 30% da soja a ser colhida no início de 2021 já haviam sido comercializados, para uma média nesta época do ano ao redor de 5%. O vice-presidente ressalta ainda que a relação de troca (comparativo entre preços da oleaginosa e custo dos insumos) é melhor que a da última safra: “o produtor vai despender 15% a menos de soja para comprar a mesma quantidade de insumos da temporada anterior”. Isto porque enquanto as commodities agrícolas absorvem 100% da valorização do dólar, o mesmo não acontece com os insumos, pois apenas parte das matérias-primas depende de importação.

TRÊS DÍGITOS - Nos últimos dias, a Cocamar chegou a oferecer oportunidades de contratação de soja para entrega e pagamento no próximo ano a R$ 100,00 a saca. “Em janeiro, quando nos reunimos com economistas para avaliar as projeções de comercialização da safra, jamais se poderia prever que a cotação chegasse aos três dígitos em maio, da mesma forma que imaginar um dólar a R$ 5,70 seria improvável”, salienta Aderaldo. A maior parte da soja negociada no mercado futuro, na cooperativa, foi pela cotação de R$ 90,00.

Aderaldo completa que a Cocamar tem orientado os produtores a fazerem a venda parcelada, de maneira a garantirem um preço médio remunerador. E também a travarem os custos da safra futura. “Essa é a melhor estratégia e também a mais segura." Sobre o que poderá acontecer daqui para a frente, ele diz que não é possível cravar nada, ainda mais em um ano tão atípico: “o dólar tanto pode continuar subindo como cair, não temos bola de cristal, mas cabe ao produtor lançar mão das ferramentas disponíveis para minimizar os seus riscos e assegurar rentabilidade”.