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Dobradinha Café e Laranja viabiliza pequenas áreas

25.06.2020

A diversificação de negócios viabiliza pequenas propriedades rurais em Nova Esperança, a 40 quilômetros de Maringá. O município, que já foi grande produtor de café, tem atualmente na citricultura uma de suas atividades mais promissoras.

Mantido com técnicas atualizadas, o café também é um bom negócio, mesmo em espaços reduzidos. No sítio de 24,2 hectares do engenheiro agrônomo Antonio Ailton Basso, o Tuna, quinze mil pés dividem espaço com mais de oito mil plantas de laranja.

NÚMEROS - Segundo Tuna, manter as duas culturas exige uma gestão mais cuidadosa e com adequada orientação técnica, mas tem valido a pena. Na citricultura, sua média normalmente é de 3 caixas por planta e, no café, varia de 100 a 150 sacas beneficiadas, considerando um ano pelo outro.

A irregularidade climática – tem chovido abaixo da média desde a florada da atual safra – afetou o tamanho das laranjas e reduziu a produtividade em ambas as culturas.

No entanto, a atenção do produtor quanto a adubação e tratamentos fitossanitários, seguindo as recomendações agronômicas da Cocamar, fazem com que ele seja um destaque na região. No café, seu objetivo é a qualidade da produção e, para isso, os grãos são derriçados manualmente sobre uma lona, para que não tenham contato com a terra. Na etapa seguinte, o produto colhido segue para terreiros suspensos que, arejados, garantem uma secagem mais uniforme.

QUALIDADE - “O capricho em cada detalhe é fundamental para garantir um café de melhor qualidade”, diz o produtor, assinalando que, hoje em dia, quem não atenta para isso dificilmente continua na atividade. A busca pelo aumento da produtividade é outra exigência e, nesse sentido, após a colheita a lavoura passa pelo “esqueletamento” – uma poda drástica para revigorar a planta, visto que os grãos somente são produzidos em ramos novos.

Tuna planeja, agora, a mecanização da colheita e vem substituindo gradualmente o cafezal mais antigo para adequar o espaçamento das ruas da planta ao tráfego da máquina. Com isso, o principal custo da cafeicultura, a mão de obra, pode cair em pelo menos 50%, tornando o negócio mais competitivo.


Equilíbrio financeiro

A gerente da Cocamar em Nova Esperança, Márcia Dias, comenta que a dobradinha café e laranja se observa em diversas outras propriedades do município. “Muitos produtores investiram na laranja mas não perderam a tradição no cultivo de café”, diz, frisando que a principal vantagem da diversificação é o equilíbrio financeiro da propriedade.

De acordo com o agrônomo Pedro Sambini, da cooperativa, a laranja se encaixa como uma luva em áreas de diversos tamanhos, para compor um programa de diversificação, sendo também uma das mais rentáveis.


Contratos trazem segurança

Tuna é produtor 100% Cocamar e, segundo ele, os contratos de venda futura oferecidos pela cooperativa são uma boa oportunidade, principalmente em anos atípicos como 2020, de forte oscilação do dólar. “Os contratos nos ajudam a ter a garantia de preço”, explica. Assim, se colher a safra e entregar até o mês de agosto, por exemplo, o pagamento se dá no início de setembro. “Se você achar o preço interessante na hora que tiver a oferta do contrato, fica assegurado.” Tuna comercializou parte da safra a R$ 490 a saca, um preço vantajoso diante dos R$ 420 de meados de junho. “Essa é uma modalidade interessante que a Cocamar oferece ao cooperado, porque possibilita segurança”, conclui.


(Colaboração Robson Ferreira, gerente técnico da Cocamar)