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Cooperado produz café e ensina crianças

30.06.2020

A casa do cafeicultor Antônio Miguel Lucas e de sua esposa Maria guarda uma particularidade. O imóvel localizado no Bairro Ribeirão Parado, também conhecido como Areião de Cima, em Congoinhas (PR), foi adaptado, ainda no começo da década de 1970, para sediar uma escola municipal destinada ao ensino de primeiro grau – etapa atualmente denominada de fundamental – de alunos de 6 a 10 anos daquela comunidade.

A cozinha da casa serve também de cantina – os alunos, com aulas ministradas de segunda a sexta-feira das 8h ao meio dia, recebem merenda e almoçam no local, sendo a refeição preparada por Maria (ela própria uma ex-aluna da escola que, anos depois, em 1984, se casou com o antigo professor). Há sanitários exclusivos para os meninos e as meninas e também um espaço de convivência, no quintal. O que mais chama a atenção é a ampla sala de aula, de 50 metros quadrados, conservada com zelo e limpeza, dotada de 20 carteiras e equipamentos novos, incluindo um computador conectado à internet.

Formado em pedagogia, tendo concluído também o normal e com habilitação para trabalhar com alunos especiais, Antonio diz se sentir orgulhoso e realizado por dar aulas do ensino básico aos seus dez alunos, número que, em outros tempos, chegou a 36 – o número foi diminuindo porque, com o passar dos anos, várias famílias se mudaram. “Muitos de meus alunos se tornaram produtores rurais bem sucedidos, alguns empresários, que receberam aqui o conhecimento que os ajudaram a se encaminhar na vida”, afirma.

A Escola Municipal de Campo Oscar Lunas, mantida pela prefeitura, é uma das quatro existentes no município mas a única localizada em uma propriedade rural, enquanto as outras ficam em patrimônios. Foi construída com madeira na década de 1970 pelo poder público, quando as terras pertenciam ao agricultor Oscar Lunas. As crianças das imediações não tinham onde estudar e a escola mais próxima não dispunha de vagas. O imóvel foi reconstruído em alvenaria.

O professor leciona língua portuguesa, matemática, história, ciências e geografia e os alunos têm também, com outros professores vindos da cidade, aulas de inglês e educação física. Estudam todos juntos, do primeiro ao quinto ano, em sistema multisseriado.

Com a pandemia, a escola suspendeu as aulas em março e ainda não há previsão de retorno. Para que os estudantes não fiquem sem estudar, o professor elabora tarefas e, todas as semanas, leva até suas casas. “É um paliativo, o bom mesmo é estar com todos eles aqui”, finaliza.

Perguntado se gosta mais de dar aulas ou de produzir café, Antonio fica sem resposta: “São duas grandes paixões”.

Fotos realizadas antes da pandemia do Covid-19.