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Jovens produtores ampliam fronteiras para o milho

19.07.2020

Renan Facina, de Jussara, e Marcel Franklin Rafael, de Terra Boa, mostram que é possível obter alta produtividade no inverno mesmo em solos mais desafiadores

Dois jovens filhos de produtores que em outros tempos haviam se mudado para cursar a faculdade e planejavam seguir profissões fora da atividade rural, renderam-se ao entusiasmo pelo campo, entenderam que a melhor decisão era retornar às suas origens e hoje, sucedendo os pais, se projetam por suas iniciativas à frente dos negócios da família.


Em Jussara e Terra Boa

Renan Facina, 30 anos, engenheiro mecatrônico, e Marcel Franklin Rafael, 41, advogado e empresário do ramo de panificação, foram visitados no dia 16/7 pelo projeto Giromilho Cocamar e Pioneer, respectivamente nos municípios de Jussara e Terra Boa, no noroeste do Paraná. A realização, voltada a valorizar produtores que se destacam por suas boas práticas, conta com o apoio da concessionária Zacarias Chevrolet.


A pressão do desafio

Renan e Marcel têm um outro ponto em comum: eles cultivam solos sob a pressão de um desafio que requer especial cuidado. Seus municípios estão localizados numa região de transição para o arenito – com veranicos e altas temperaturas - e, por isso, o ambiente tem sido menos favorável para culturas como o milho.


Avanços tecnológicos

No entanto, sob a orientação técnica da Cocamar e mediante criteriosas análises de solo, ambos os produtores promovem a rotineira correção e a reposição de nutrientes e, no inverno, incluem uma rotação periódica com capim braquiária. Por sua vez, o milho é potencializado a partir da seleção de híbridos mais tolerantes a pragas e doenças e de grande potencial produtivo.


Vitrines demonstrativas

Para demonstrar que o milho pode ser uma cultura tão interessante quanto a soja mesmo em solos assim, desde, é claro, que conduzida com tecnologias adequadas, a Pioneer instalou vitrines nas duas propriedades para apresentar aos produtores da região o desempenho de seus híbridos.


Cultura rentável

“Nós percebemos que com uma adubação mais pesada e o emprego da tecnologia, podemos ter um custo-benefício melhor quando comparado a adubações mais econômicas”, afirma Renan, que vem conseguindo médias de produtividade superiores às do seu município. “Como nós plantamos soja no começo de outubro, entramos com milho no início de fevereiro, reduzindo os riscos com o frio”, afirma, salientando ainda que o cereal tem oferecido uma boa rentabilidade – sobretudo neste ano de 2020, com a forte variação cambial.

Vale a pena investir

“A gente viu que o milho responde bastante à correção e à adubação, ou seja, vale a pena investir”, menciona Marcel, de Terra Boa, destacando que a cultura se firmou pela remuneração que tem garantido ao produtor. “Hoje a gente consegue se capitalizar com o milho, diferente de antes, quando era plantado apenas para cobrir o solo no inverno. A genética do milho evoluiu bastante.”
Expectativa de boa colheita

Sobre os híbridos, Renan diz ter sentido diferença nos materiais, principalmente no padrão das espigas, não houve requeima e a resposta à adubação é visível. “Tivemos 35 dias de estiagem mas a nossa expectativa é colher 250 sacas por alqueire [103 sacas por hectare]”. No ano passado, em que houve redução da produtividade por causa da estiagem, a média foi de 80 sacas por hectare.


Braquiária faz diferença

“As lavouras que vem sendo conduzidas com uma cobertura de braquiária apresentam boa resposta tanto no ciclo de verão quanto no inverno”, assinala o engenheiro agrônomo Kleber Brazolotto, da Cocamar/Jussara. Além de cobrir o solo, protegendo-o do sol forte, da erosão e criando um ambiente mais favorável às lavouras ao preservar por mais tempo a umidade, a palhada de braquiária inibe o desenvolvimento de ervas daninhas de difícil controle e as raízes desse capim, por serem agressivas, agem contra a camada de compactação.


Uma boa estratégia

Sobre a braquiária, em relação à qual foi pioneiro em Terra Boa, Marcel conta que começou fazendo consórcio com o milho e, mais tarde, passou a plantar apenas o capim para melhorar a palhada e a proteção do solo no verão. “Agora vamos retornar com o consórcio, que é uma estratégia excelente para essa região de solo misto”, observa, acrescentado que o perfil do solo apresenta uma boa condição e as médias de produtividade têm ficado acima da média regional.

É preciso estar atento

Marcel diz ainda que o produtor precisa ter a humildade de buscar conhecimentos, perguntar, pois depende dessa evolução tecnológica para se manter competitivo e na atividade.


Testemunha da evolução

Há 36 anos na Cocamar, o técnico Ademir Caetano, o Mirim, já passou por várias unidades e presta seus serviços atualmente em Terra Boa. É ele quem faz o acompanhamento à Marcel.


Potencial é grande

Mirim lembra que quando começou sua carreira na cooperativa, ainda nem se fazia o plantio de milho de inverno. Depois, utilizando variedades utilizadas no verão que os próprios agricultores procuravam adaptar, colhia-se não mais do que 50 sacas por hectare, metade do volume obtido atualmente. “Hoje nós avaliamos o quanto o milho já evoluiu e o potencial que ainda tem para ir longe.”


Menos exposição a riscos

O engenheiro agrônomo Matheus Bovo, da Pioneer, ressalta que o produtor está, cada vez mais, adotando manejos em que procuram amenizar ou estar menos expostos aos problemas climáticos: “Buscando uma adubação melhor, um consórcio de milho com braquiária, uma sanidade maior, milho com mais tolerância a estresse hídrico, um ciclo mais adaptado. Pra quando, se ocorrer o estresse, que é comum na região, as produtividades não diminuam tanto como em áreas onde essas medidas de manejo não são adotadas”.

Produtores inovadores

Para ele, produtores como Renan Facina e Marcel Franklin Rafael são inovadores, sempre ineressados em tecnologias e informações técnicas, realizando experimentações novas e acompanhando detalhadamente cada característica dos materiais.


Referências para crescer

“Num ambiente mais desafiador para o milho safrinha, o conhecimento técnico é importante para posicionar cada híbrido na melhor área e realizar o manejo em cima disso”, diz Matheus, completando: “eles são espelhos pra quem quer ter grandes produtividades e abrir novas fronteiras agrícolas para o milho”.