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Com tecnologia se produz milho mesmo em clima hostil

27.07.2020

O milho de inverno ainda é visto pela maior parte dos agricultores como uma cultura sensível, que não vai bem em regiões mais frias e, muito menos, sob déficit hídrico mais severo.

No entanto, o projeto Giromilho, realizado nesta safra por Cocamar e Pioneer, mostra que é possível revisar esses conceitos. A realização tem o apoio da concessionária Zacarias Chevrolet.

Em Tamarana, município a 57km de Londrina, nem todos se arriscam a cultivar milho, principalmente no inverno. Por causa da altitude superior a 700m, em média, a região apresenta naturalmente temperaturas mais baixas, o que favorece a produção de sementes. Por isso, em vez do milho, predomina ali o cultivo de trigo.

SURPREENDE - Na propriedade da família Barbosa, a qualidade da lavoura de milho chega a surpreender. De produtores do cereal durante o verão, na década de 1990, eles estão conseguindo, agora, fazer do grão um negócio interessante em pleno inverno.

“Em 1994, 1995, por aí, a gente colhia de 260 a 270 sacas por alqueire de milho no inverno [107,4 a 111,5 sacas/hectare]. Agora, estamos alcançando essa média no inverno, o que, para a nossa região, é muito bom”, afirma Helder, que conduz os negócios ao lado do irmão Emerson e do pai Edson.


Helder explica que a janela de plantio para o milho é bastante estreita, o que exige um planejamento que inclui reorganizar o calendário da safra de soja.

PRESSÃO MAIOR - Reconhecidos pela alta produtividade de suas lavouras de soja, os Barbosa são assistidos pelo engenheiro agrônomo Vinícius Arantes, da unidade local da Cocamar. Segundo Arantes, o risco de geadas demanda características de milho mais específicas, pois há também uma pressão maior de doenças. “Com tecnologias de ponta e orientação técnica, os Barbosa e outros produtores da região estão tendo sucesso com o milho de inverno e aumentando suas áreas”, afirma Arantes.

BOA ALTERNATIVA - O agrônomo Carlos Henrique Frederico, da Pioneer, lembra que os produtores de Tamarana buscavam uma boa alternativa de inverno e encontraram no milho a cultura que atende suas expectativas. “É sempre uma opção desafiadora, porque temos o risco de geadas e é preciso escolher bem o híbrido, para que o produtor tenha segurança”, pontua. Isto deve incluir uma boa qualidade de grão, pois a incidência de grãos ardidos pode ser maior que em outras regiões. “O produtor vem aprendendo a trabalhar nesse sistema, tendo resultado e rentabilidade”, completa.


Os veranicos já não

preocupam tanto


Em Londrina e Santa Mariana, o Giromilho Cocamar Pioneer conheceu dois produtores cujas lavouras prometem boa produtividade mesmo após mais de 40 dias de estiagem.

Atendido pela unidade de Serrinha, distrito londrinense, o produtor Otacílio Ribeiro Vieira espera uma média de 103.3 sacas por hectare [250 sacas/alqueire]. “Investi para chegar nas 300 sacas por alqueire, mas o clima atrapalhou um pouco”, lamenta. “A gente corre o risco do clima, mas riscos existem em qualquer segmento”, diz Vieira, comentando que o produtor, se quiser ter bons resultados, “não pode ter muita dó de investir”.

MANEJO NUTRICIONAL - O agrônomo Guilherme Eurich, da Cocamar, explica que orientou o produtor a apostar no manejo nutricional, especialmente no aumento no ponto de nitrogênio na adubação de base. Além disso, foi incluído o enxofre, que ajuda no enchimento de grão. “Na parte de adubação nitrogenada de cobertura, trabalhamos com fontes que têm um aproveitamento maior quando comparado às fontes tradicionais do mercado. Isto faz com que a planta, em situações de seca, aguente mais e tenha um sistema radicular mais profundo”, observa. “Foi feito, também, um monitoramento para o controle de doenças e para que o milho possa expressar seu máximo potencial produtivo, com aplicações específicas para as pragas e doenças mais comuns na região, entre as quais a cigarrinha.”

Na avaliação do agrônomo Carlos Henrique Frederico, da Pioneer, a lavoura está sendo muito bem conduzida e foi preparada para suportar períodos de estresse hídrico. “Para isso, o produtor tem que ter um solo bem estruturado. Não adianta ter uma boa genética se não tiver um solo bem estruturado.”

PLANTOU NO PÓ - Em Santa Mariana, a 82km de Londrina, a estiagem foi de aproximadamente 40 dias e o cooperado Antonio Boa Ventura, o Toninho, conta que efetuou a semeadura no pó, entre os dias 8 e 18 de março. Ele cita que faz a descompactação de suas terras, sem remover a camada de palha que protege o solo. “Faço perfil de solo com 70cm de profundidade em toda a área”, detalha o produtor, que aposta em uma produtividade de milho ao redor de 100 sacas por hectare. “Hoje em dia, quem ficar no baixo custo, sem investir, não sobrevive na atividade.”

Na agricultura, prossegue Boa Ventura, não há plano B e, portanto, errar pode ser fatal, como costuma dizer o seu pai, Geraldo Ângelo Boa Ventura. “O clima a gente não controla, mas o que cabe a nós, temos que fazer e fazer certo.” Numa retrospectiva da safra, lembra que faltou umidade no início, mas depois choveu; os materiais responderam bem e foi possível ver o quanto importante é fazer perfil de solo, além de todos os demais tratos culturais. “Não é mais uma safrinha, agora é safra”, resume, finalizando: “Mesmo em períodos de estiagem mais severa, nós conseguimos manter as nossas médias”.

Lucas Soares, engenheiro agrônomo da Cocamar em Santa Mariana, que presta assistência aos Boa Ventura, conta que é feito um planejamento da safra com o produtor, escolhendo-se as cultivares, a adubação, a necessidade de uma adubação diferenciada, enfim. “Isto vem trazendo um resultado bem significativo. Uma boa adubação, uma alta tecnologia, ela responde. Pra nós, como técnicos, é significativo dar um posicionamento ao produtor que, ao final, vai proporcionar um bom resultado.” Soares ressalta, ainda, que a Cocamar fomenta muito a utilização de novas tecnologias e que a família Boa Ventura está sempre na expectativa de conhecê-las, assim como novos híbridos. “Estamos cada vez mais preparados em termos de posicionamento, recomendação e desenvolvimento de materiais a campo. O produtor que faz um bom manejo de solo, trabalhando com uma adubação correta e escolhendo um material que pode trazer um resultado significativo, tem muito mais chances de sucesso”, completa.

O agrônomo da Pioneer, Max Sant’Anna, frisa que é possível trazer a melhor recomendação de materiais ao produtor, na melhor época e nas melhores situações, como estrutura de solo, a tecnologia que vai utilizar, adubação, e o manejo envolve a recomendação do híbrido. Segundo ele, a proposta não é oferecer ao produtor apenas um híbrido para plantar e, sim, todo um conjunto de informações sobre o negócio. E arremata: “Temos uma parceria muito forte com a Cocamar, e tudo isso traz um benefício que é o incremento de produtividade para o produtor. A tendência é que os outros produtores em volta enxerguem isso e tomem como referência para também crescer e obter novos níveis de produtividade”.


São 550 mil hectares

nas regiões da Cocamar


O milho de inverno é a segunda cultura de maior expressão para a Cocamar, só abaixo da soja, comenta o gerente técnico Rafael Furlanetto, que acompanhou o Giromilho na visita em Santa Mariana. São 550 mil hectares de cultivo e o advento de novas tecnologias promoveu o crescimento e a consolidação da atividade. “As tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e outras instituições de pesquisa, que são difundidas pela Cocamar, conseguiram viabilizar a produção mesmo em ambientes não tão propícios”, frisa o gerente, lembrando que isto depende também do investimento que o produtor realiza e de seguir a orientação técnica especializada prestada pela cooperativa.