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Produtores semeiam mesmo com pouca chuva

19.10.2020

A umidade deixada no solo mesmo por chuvas de pouca intensidade, como as registradas nos últimos dias em algumas regiões, já vinha sendo aproveitada por produtores para iniciar a semeadura da safra de soja 2020/21. Um alento aos que não viam a hora de agilizar o trabalho e torcem para que, a partir de agora, seja possível, enfim, acelerar a operação.

Parte já realizada - Em Cianorte, no noroeste do estado, Roberto Carlos Palaro e dois irmãos já semearam 140 de seus 392 hectares em duas etapas nos dias 29 e 30 de setembro e 7 de outubro. “Sempre começamos a semear lá pelo dia 25 de setembro ou até antes”, relata Palaro, na expectativa de que venham chuvas mais volumosas para que toda essa preocupação com o clima fique para trás.

Produtividade - No ano passado, em 121 hectares, as altas temperaturas na fase final da lavoura acabaram afetando a produtividade. “Acho que perdemos de 20 a 30 sacas de soja por hectare”, estima o produtor, que colheu a média geral de 54 sacas/hectare.

Palhada - Em parte de suas terras, onde fez o cultivo de braquiária solteira durante o inverno, o solo apresenta mais umidade. “Dessecamos a braquiária há uns 70 ou 80 dias e dá até gosto de ver a palhada”, diz Palaro, que plantou 242 hectares de milho de inverno e obteve a média de 76,7 sacas/hectare. A braquiária é usada para cobrir o solo de palha e possibilitar o plantio direto.

Umidade - “Acho que 70% da soja nasce com a umidade que tem no solo”, afirma Sérgio Ishikawa, produtor de São Sebastião da Amoreira, onde cultiva 484 hectares. Ele está em plena semeadura, trabalho esse que deve durar cerca de 30 dias e quase sempre fica inserido no período de 10 de outubro a 15 de novembro.

Milho, a preferência - Segundo Ishikawa, nos talhões onde é possível semear e colher mais cedo, a preferência no inverno recai para o milho. E, onde demora mais, a opção acaba sendo o trigo.

Preocupação - Palaro, Ishikawa e muitos outros produtores têm uma preocupação adicional neste período: com a demora em plantar, e o forte calor das últimas semanas, como fica a qualidade das sementes, quanto a germinação e o vigor, especialmente se o insumo está guardado em barracões que não apresentam condições ideais de armazenamento?

Ser vivo - “A semente é um ser vivo e mantê-la em boas condições é uma corrida contra o tempo”, resume o engenheiro agrônomo Diogo Amaral, gerente da Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS) da Cocamar em São Sebastião da Amoreira, região de Londrina.

Qualidade garantida - Amaral explica que o insumo passa por várias etapas de testes e avaliações em laboratório, estufa e também em canteiro, na própria UBS, para que seja considerada apta. Em um deles é verificado o vigor, o desenvolvimento da parte aérea e também do sistema radicular. “O produtor não corre o risco de receber uma semente de baixo vigor”, assegura o gerente.

Diferencial – No tratamento industrial, feito na UBS, a semente passa por processo em que recebe aplicação de inseticida, fungicida e polímeros. O acabamento final, para melhorar sua fluidez na semeadora, inclui pó secante para a aderência dos produtos, o que confere a ela um tom esverdeado brilhante.

Evitar danos - Para o engenheiro agrônomo Elton Salata, da empresa parceira Basf, o produtor precisa ficar atento para, durante a movimentação das sementes em sua propriedade, não causar dano mecânico às mesmas, como um atrito, por exemplo. Outra recomendação é que a plantadeira esteja bem regulada. O acompanhamento técnico, acrescenta Salata, também é indispensável, pois há variedades que não apresentam maturação uniforme. “Na fase final, há plantas que já estão prontas para a colheita enquanto outras ainda vão chegar, o que vai requerer a experiência do responsável técnico pela condução das áreas”, afirma. É esse profissional, muitas vezes, quem lá no final vai recomendar uma dessecação, identificar o ponto ideal de colheita, fazer a regulagem da máquina.