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Mercado, o tema do 2º dia de pré-assembleia

28.01.2021

O segundo dia de reunião pré-assembleia digital com os cooperados, promovida na manhã desta quarta-feira (27) pela Cocamar, abordou o atual cenário de mercado para as culturas de soja, milho e trigo e projeções para os próximos meses. Na terça-feira (26), entre outros assuntos, foram apresentados os números referentes ao desempenho da cooperativa em 2020, antecipando informações sobre a pauta a ser tratada durante a Assembleia Geral Ordinária (AGO) de prestação de contas do exercício, programada para sexta-feira (29) às 10h em última chamada.

Alta participação - Com cerca de 1.750 cooperados participantes, a reunião do segundo dia, a exemplo da primeira, que teve 1.640, reservou uma parte do tempo para responder perguntas, que foram muitas, demonstrando assim que o modelo digital está sendo bem sucedido.

Dirigentes - Conduziram a reunião o vice-presidente executivo José Cícero Aderaldo, o superintendente de Negócios Anderson Alves Bertoletti e o gerente executivo de negócios grãos, Ednei de Almeida Silva, com a participação, durante as perguntas, do presidente executivo Divanir Higino.

Fatores econômicos - Em sua explanação, Aderaldo falou sobre os indicadores da economia brasileira, que se refletem na variação cambial e influenciam diretamente na cotação das commodities. Em 2020, por conta da pandemia do novo coronavírus, o PIB mundial apresentou queda de 4,30%, ante um crescimento de 2,30% em 2019, havendo a projeção de voltar a crescer 4,00% neste ano, o que vai depender do controle da crise pandêmica. Das grandes economias, apenas a China teve crescimento (2,30%, mas bem abaixo dos 6,10% de 2019 e expectativa de acelerar para 7,90% em 2021).

Aqui - No Brasil, o PIB caiu 4,37%, contra os 1,40% de crescimento em 2019 e projeção de ir a 3,45% de expansão neste ano. Em relação à taxa Selic, a estimativa para este ano é de 3,25%, frente aos 2,00% do final de 2020 e os 4,50% do ano anterior. Puxada pelos produtos do agronegócio, o saldo da balança comercial brasileira foi de 55,05 bilhões de dólares, acima dos 44,50 bilhões de 2019, devendo repetir essa performance em 2021.

Investimentos e câmbio - A retração mais impactante, observada em 2020, foi do investimento estrangeiro, de 76,12 bilhões de dólares em 2019 para 40,00 bilhões no último ano, podendo subir para 60,00 bilhões neste ano. A previsão para a taxa de câmbio é ficar em torno de 5,00 dólares em 2021, ante os 5,20 médios de 2020 e os 4,10 de 2019.

Milho - Os baixos estoques de milho causam preocupação ao mercado tanto nos países produtores, como EUA e Brasil, quanto em nível mundial. No Brasil, por exemplo, que produziu 103 milhões de toneladas no ciclo 2019/20, a demanda interna consumiu 69 milhões de toneladas e a exportação atingiu 35 milhões, para uma relação estoques/consumo de 18%. A previsão para o período 2020/21 é de uma produção de 102 milhões, consumo interno de 72 milhões e exportação de 35 milhões, para uma relação estoque/consumo de 12%.

EUA - Principais produtores mundiais, os Estados Unidos apresentam uma relação estoque/consumo de milho que deve cair de 16% para 13% entre setembro/2020 e agosto/2021. E, em nível global, também há decréscimo: de 28% em 2018/19 para 27% em 2019/20 e 25% em 2020/21.

Desconfiança - Há dúvidas, entretanto, quanto aos reais estoques chineses, país que é grande demandador do cereal. Se por um lado o gigante asiático cogita ter estoques de 190 milhões de toneladas, de outro demonstra avidez nas importações. A situação pode complicar se houver problemas climáticos nos países produtores. Detalhe: nos EUA, onde o plantio começa em abril, a soja, com preço bastante compensador, deve avançar sobre áreas de milho.

Soja - Os estoques de soja também são muito baixos no Brasil, onde a produção na temporada 2019/20 foi de 126 milhões de toneladas, para um consumo interno de 46 milhões e exportações de 82 milhões de toneladas, puxadas pela China. “No ano passado ultrapassamos os EUA como os maiores produtores mundiais de soja e devemos consolidar isso em 2021”, afirmou o vice-presidente executivo José Cícero Aderaldo.

Números - A previsão para o ciclo 2020/21 é de uma produção brasileira de 133 milhões de toneladas de soja, consumo de 48 milhões e exportações de 85 milhões de toneladas. Em três anos, a relação estoque/consumo deve ter queda de 6% para 3%. No mundo, essa mesma relação pode declinar de 33% em 2018/19 para 23% em 2020/21.