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Programa Inovador gera renda a cooperados

02.03.2021

Pequenos e médios produtores de soja do norte e noroeste do Paraná não precisam mais sonhar em comprar terras em fronteiras agrícolas distantes, para expandir os seus negócios. A chance de passarem de sitiantes a fazendeiros está logo ali, no vizinho Pontal do Paranapanema. Basta cruzar a divisa com o estado de São Paulo. Quem diria: o extremo oeste paulista é a nova terra da promissão, que o Rally Cocamar de Produtividade percorreu pela segunda vez, na atual edição 2020/21, no final de fevereiro.

Triplicou - Zé Português, como é conhecido o cooperado José Carlos Marques Ruiz, de Maringá, precisa apenas de duas horas para vencer, com sua Parati, o trecho de 140 quilômetros até Sandovalina, a 64 de Presidente Prudente. De uma só tacada, com seu irmão e quatro sobrinhos, ele mais que triplicou as áreas de soja plantadas pela família. São 205 hectares no Paraná e 496 na nova região. “É uma oportunidade para crescer e isto não se pode deixar escapar”, afirma.

Encantamento - É curioso. Os olhos brilham quando produtores acostumados a cultivar a cobiçada terra roxa do norte paranaense, falam do Pontal, antes mais lembrado pelo solo arenoso e o clima quente, onde os canaviais rivalizam com pastagens a perder de vista.

Parceria - O que acontece ali é incomum na agricultura do país: um arranjo costurado pela cooperativa Cocamar, de Maringá, e três usinas de cana. Juntas, elas chegaram a um formato de parceria que, para algumas pessoas, parecia improvável. Do lado da indústria havia o receio de que a soja, ali chegando, concorreria no futuro com os canaviais. Hoje, menos de dois anos depois dos primeiros plantios, ninguém mais tem dúvida: a soja veio para ficar, mas em harmonia com a cana, que até abre caminho para a oleaginosa.

Reforma - Assim é o Programa de Renovação Sustentável que nasceu em 2019 do interesse da Cocamar em arrendar terras que são destinadas pelas usinas à necessária reforma de canaviais a cada final e ciclo. Seu propósito é gerar oportunidades para produtores cooperados ampliarem a renda fazendo o que sabem em um lugar relativamente perto.

Como funciona - A cooperativa cuida do arrendamento e escolhe a dedo os produtores, fornece os insumos, presta assistência técnica, recebe a produção e disponibiliza um seguro – garantindo assim que, em caso de frustração, os cooperados parceiros sejam ressarcidos em seus custos. Por sua vez, como o objetivo da usina com a reforma é restaurar a fertilidade do solo e quebrar o ciclo de pragas e doenças da cana, as terras são entregues adubadas para o Programa e ela ainda tem participação com um porcentual a partir de determinados níveis de produtividade.

Todos ganham - “É um ganha-ganha em que todas as partes envolvidas saem satisfeitas”, afirma o gerente de negócios da Cocamar e coordenador do Programa, Marco Antônio de Paula.

Continuar crescendo - Está explicado por que de 5,2 mil hectares cultivados por 19 cooperados no projeto embrionário em 2019/20 com a presença de uma usina, a iniciativa avançou no ciclo 2020/21 para mais de 25 mil hectares, cerca de 100 cooperados e três usinas envolvidas. “Nenhum dos participantes do projeto piloto desistiu”, observa de Paula. Para o período 2021/22, a expectativa do gerente é que a área continue crescendo a passos largos. “Estamos conversando com várias usinas, inclusive do Paraná. Quando alguma delas fica em dúvida, convidamos para que venha ver o que está acontecendo no Pontal, uma vitrine.”

Benefícios - O gerente esclarece: “Não estamos aqui só para arrendar terras, queremos desenvolver um trabalho juntos, que traga benefícios para todos”.

Mudanças - De uma região onde até pouco tempo não se plantava um único pé de soja, a transformação que começa a ser percebida já é de encher os olhos – e não só dos produtores.

Números - Em 2019/20 foram originadas ali 15 mil toneladas de soja, volume que deve chegar a 70 mil neste ano. Os negócios com insumos, por sua vez, saíram de R$ 10 milhões para R$ 40 milhões. No total, R$ 180 milhões devem ser movimentados na safra atual. O “ganha-ganha” vale também para a economia de cidades como Sandovalina, Teodoro Sampaio e Narandiba, entre outras. A soja está trazendo gente que ajuda a movimentar o comércio, postos de combustíveis, oficinas e demanda a locação de imóveis.

Nova geração - O maringaense Zé Português alugou uma chácara nos arredores de Sandovalina, onde os familiares se revezam durante a temporada que começa com a preparação da lavoura, em setembro, e segue até o final da colheita, em abril. “Quando viemos para cá, levamos em conta que a nova geração da família precisa de terras para prosseguir e o lugar não poderia ser melhor.”


Sobre o Rally

O Rally Cocamar de Produtividade tem como patrocinadores: Basf, Fertilizantes Viridian, Fairfax do Brasil Seguros Corporativos, Sicredi União PR/SP e Zacarias Chevrolet (principais), Cocamar Máquinas, Texaco Lubrificantes, Cocamar Irrigação, Estratégia Ambiental, Zoetis e Nutrição Animal Cocamar (institucionais). A realização conta com o apoio da Aprosoja/PR, Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) e Cooperativa Unicampo.