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Soja faz bonito no solo arenoso de Tapejara

19.03.2021

Na propriedade adquirida há algum tempo em Tapejara (PR) por uma família de Cianorte, a maior parte das áreas apresenta teor de argila entre 8 e 12%, mas os números obtidos no segundo ano de plantio de soja fariam brilhar os olhos de quem está acostumado a lidar com a cultura na terra roxa. O Rally foi conferir isso na quarta-feira (17/3).

Boa média - Em 135 alqueires, a média na colheita está sendo de superior à média geral colhida pelos produtores da Cocamar nesta temporada 2020/21.

Modelo empresarial - “Trabalhamos com planejamento, objetivos e acompanhamento técnico adequado”, afirma o engenheiro agrônomo Bruno Araldi, 31 anos, genro do proprietário, o empresário do segmento de avicultura industrial, Luiz Camargo Nascimento.

Antes - Quando foi adquirida, a fazenda apresentava pastos muito degradados e erosão em vários pontos, com baixa ocupação animal. Além da área para agricultura, há 150 alqueires destinados à pecuária.

Desafios - Mediante análise, Araldi deu início a um amplo programa para correção e reestruturação do solo, trabalhando com agricultura de precisão e foram adquiridos os maquinários. “A produção de soja em solo arenoso impõe muitos desafios”, resume Araldi.

Consultoria - Para avançar em seus objetivos, ele e o sogro decidiram contar também com a experiência profissional do engenheiro agrônomo José Eduardo Marcon, da Cocamar, responsável pela prestação de consultoria especializada a produtores de grãos da cooperativa. Com larga experiência em solos arenosos, Marcon trazia consigo o histórico de ter trabalhado durante anos nos municípios de Tuneiras do Oeste e Cianorte, ou seja, conhece bem a região.

Interação - Foi dado início então a uma parceria em que os dois agrônomos dialogam muito sobre cada detalhe da lavoura, como as cultivares mais apropriadas para a região, adubação, controle preventivo de pragas e doenças, e outros.

Não há fórmulas prontas - Segundo Marcon, o solo arenoso requer especificações, em que o emprego do conhecimento disponível, somado à experiência, é fundamental para que sejam tomadas as decisões corretas. Além disso, segundo ele, não há fórmulas prontas para produzir soja na areia, cada propriedade, com seu microclima, pode apresentar características diferentes. “É preciso que o produtor faça tudo bem feito, tomando todos os cuidados e com o acompanhamento técnico especializado”, frisa o profissional da cooperativa.

Práticas sustentáveis - A vulnerabilidade do solo arenoso requer práticas sustentáveis e, para a temporada 2020/21, a aveia plantada no primeiro ano para a proteção da superfície e o plantio direto foi substituída pelo capim braquiária, que oferece uma série de outros benefícios. Semeada no outono/inverno, a braquiária age no subsolo com seu enraizamento profundo, inibe a erosão, absorve melhor a água da chuva, repõe matéria orgânica e é eficiente na cobertura com palha, que preserva a umidade e controla o desenvolvimento de ervas.

Dá certo - Para Marcon, “se o produtor em região arenosa fizer um manejo adequado, com a restruturação do perfil do solo e a incorporação de matéria orgânica, a produtividade de grãos pode ser tão boa quanto a de solos com elevado teor de argila”. No caso dessa propriedade, ele destaca ainda a dedicação de Araldi e o seu interesse em trocar informações, confiando no assessoramento técnico.

Agregar - “Oitenta por cento do resultado que estamos tendo pode ser creditado ao diálogo”, confirma Araldi, salientando que esse foi mais um dos aprendizados que teve para o domínio do solo arenoso. “Quando os produtores conversam entre si e seguem uma boa orientação técnica, agregam conhecimentos”, diz.