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Safra de soja deve gerar R$ 40 Bi no Paraná

22.03.2021

A safra de soja da temporada 2020/21 vai terminando na maior parte das regiões atendidas pela Cocamar e segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a previsão é que sejam colhidas cerca de 20,3 milhões de toneladas no estado, um volume abaixo em comparação às 20,7 milhões totalizadas no período anterior (2019/20). Só na área compreendida pelo núcleo regional da Seab em Maringá, que abrange 29 municípios, a previsão é de uma colheita ao redor de 1 milhão de toneladas.

Recursos - No entanto, mesmo levando em conta uma estimativa de produtividade menor em comparação à safra passada, como resultado de problemas climáticos ao longo do ciclo da lavoura, a geração de recursos será grande e impactante para a economia estadual.

Bilhões - Pelos cálculos da própria Seab, a safra de soja 2020/21, ora em fase final de colheita, deve movimentar mais de R$ 40 bilhões na economia paranaense, R$ 10 bilhões a mais em relação ao último ano. Só na região de Maringá, seriam cerca de R$ 2 bilhões.

Preço médio - O mercado avalia que a saca de 60 quilos da oleaginosa deverá ser comercializada em 2021 ao preço médio de R$ 120,00 a R$ 130,00, contra R$ 86,00 do ano passado.

Mercado - De acordo com o vice-presidente de Negócios da Cocamar, José Cícero Aderaldo, em entrevista na quinta-feira (18) para o Rally Cocamar de Produtividade, a previsão é que o resultado financeiro do produtor, nesta safra, seja bom. “As cotações desde o começo do ano passado subiram de uma maneira intensa”, lembra, mencionando que no mercado internacional o bushel do grão (medida de 27,2kg) saiu de 8,5 a 9 dólares no começo de 2020 para os atuais 14 dólares. Com isso, os preços da saca em reais estão atualmente na faixa de R$ 157,00. “São valores que a gente nunca tinha visto e nem imaginava que pudesse chegar a esse patamar de preços”, comenta, salientando que 40% da safra que está sendo colhida já foi negociada a R$ 90,00 a saca.

Contrastes - Aderaldo só lamenta que por causa de problemas climáticos, como as chuvas intensas em janeiro e início de fevereiro, houve uma intensa queda de vagens nas plantas, o que inviabilizou algumas lavouras. “Muitos só não tiveram um prejuízo maior porque contrataram seguro e foram ressarcidos em seus custos de produção”, observa. Em contrapartida, aqueles que estão obtendo uma média normal de produtividade vão ter um ano positivo.

Vendas parceladas - Quanto ao ritmo da comercialização neste ano, o vice-presidente da cooperativa assegura que não será igual ao ano passado. “No começo de 2020 o produtor foi surpreendido por preços a R$ 80,00, a R$ 85,00, a R$ 90,00 a saca, coisa que nunca tinha visto. Com isso, praticamente toda a safra foi vendida naquele período. Em 2021 é diferente: o produtor vendeu aqueles 40% em torno de R$ 90,00 e agora está colhendo, depositando na cooperativa e a tendência é que tenhamos uma comercialização mais parcelada, que, aliás, é o que a gente preconiza. Com as vendas parceladas são maiores as chances de se conseguir uma média de preços melhor.”

Boa notícia - A respeito da geração de R$ 40 bilhões que serão movimentados pela soja na economia paranaense, Aderaldo disse que “se trata da melhor notícia que o agronegócio poderia trazer para a sociedade”. Na visão dele, como a economia regional é altamente dependente dos resultados do campo, haverá um incremento de renda e isto vai ter impacto sobre todo o comércio. “Ainda não sentimos isso porque estamos na colheita e tão logo ela seja finalizada, parte dos recursos começará a ser canalizado para todos os segmentos da economia.” E acrescenta: “Estamos numa região em que, graças ao agronegócio, a retomada do crescimento será mais célere que em outras”. Ou seja, a rentabilidade do produtor vai impulsionar a economia da região.

Futuro - Quanto às perspectivas de mercado para os próximos meses, o dirigente da Cocamar cita que a produção de soja do Brasil neste ano deve ser confirmada ao redor de 135 milhões de toneladas, praticamente dentro das expectativas, ao passo que os vizinhos argentinos enfrentam dificuldades climáticas e a produção deve diminuir. As atenções se voltam principalmente, e a partir de 31 de março, para os Estados Unidos, data em que o Departamento de Agricultura (Usda) daquele país divulga sua expectativa de área de plantio para soja e milho. Em resumo: “Para manter o nível de oferta que os consumidores estão demandando, é preciso que os Estados Unidos tenham uma safra normal”, menciona o vice-presidente da Cocamar.

O Brasil é o principal produtor mundial de soja, posição que tirou no ano passado os Estados Unidos. A Argentina vem em terceiro.