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Mercado de soja e milho analisado após relatório

18.06.2021

Comentando o relatório de produção e consumo de soja e milho divulgado na última semana pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), o vice-presidente de Negócios da Cocamar, José Cícero Aderaldo, gravou um vídeo que foi distribuído na segunda-feira (14) aos associados da cooperativa.

Em relação à soja, Aderaldo destacou que a publicação aumentou em 1 milhão de toneladas (t) a produção brasileira do período 2020/21, que passa a ser agora de 137 milhões t, e reduziu o esmagamento nos Estados Unidos em 400 mil t. Com isso, o estoque norte-americano de final de safra passa a ser de 3,6 milhões t, ainda muito baixo, sendo que os estoques mundiais de final de ciclo são avaliados em 88 milhões t.

Com a divulgação do relatório, os preços imediatamente cederam em Chicago (o mercado esperava por estoques ainda mais baixos nos EUA), trazendo um certo alívio e a certeza de abastecimento.

Quanto à safra futura (a que os EUA estão terminando de semear agora e a que o Brasil começa a em setembro) não houve alterações nos números que já eram conhecidos. “Importante salientar que a projeção dos estoques norte-americanos, de qualquer forma, não será de recuperação forte, devendo ficar em torno de 4,2 milhões t, volume que representa apenas um mês de consumo daquele país.”

O vice-presidente da Cocamar chama atenção para três fatores em relação aos quais o produtor deve ficar atento a partir de agora.

1) Primeiro, é que ainda não se sabe o tamanho do plantio que está sendo finalizado nos EUA, o que somente virá a público no relatório a ser divulgado no dia 30 deste mês. Da mesma forma, a evolução do desenvolvimento da lavoura deve ser acompanhada. Na última semana, 67% apresentavam condições boas e excelentes, contra 72% em igual período no ano passado. Todas as terças-feiras, esses números são atualizados na TV Cocamar, disponível em todas as unidades da cooperativa.

2) O ritmo de comercialização do produtor brasileiro desacelerou bastante. Tanto da safra colhida quanto da futura, há muita soja ainda sem vender, quadro que difere do observado no ano passado, quando praticamente toda a safra já estava negociada em abril. Na avaliação de Aderaldo, isto deve impactar na precificação do produto no mercado interno, especialmente em uma situação de queda de braço entre produtor e indústria.

3) A cotação do dólar. O crescimento econômico do Brasil ocorrido no primeiro bimestre deste ano foi melhor do que o esperado, trazendo a expectativa de melhora nas contas do governo e aliviando a pressão sobre a moeda americana. Já há instituições financeiras projetando o dólar, este ano, abaixo de R$ 5,00.


MILHO

Quanto ao milho, na safra 2020/21 que se encerra em agosto, o relatório do Usda apontou expectativa de aumento de consumo nos EUA, puxado pelo crescimento da produção de etanol (que tem o cereal como matéria-prima). E, com isso, os estoques diminuíram cerca de 4 milhões no comparativo com o último relatório, de maio.

Por sua vez, os números da safra de inverno no Brasil foram alterados e na soma com a produção de verão, devem ser colhidos 98 milhões t no total, 4 milhões a menos que o relatório anterior. Os números estão próximos aos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 96 milhões t. É provável, segundo Aderaldo, que haja mais reduções nos próximos relatórios.

Diante disso, o Brasil vai reduzir o volume disponível para exportação, o que provocou variações nos preços do produto em Chicago.

Os fatores a observar, de acordo com o vice-presidente:

1) o plantio nos EUA está finalizado e os números da área cultivada serão conhecidos em 30/6. A exemplo da soja, é preciso observar o andamento da safra americana. Na semana passada, 72% das lavouras apresentavam condições boas e excelentes, contra 75% nesta mesma época em 2020. Os números são atualizados todas as terças-feiras na TV Cocamar.

2) A questão da safra brasileira: não se sabe, ainda, o tamanho da quebra causada por falta de chuvas. “A produção brasileira é muito importante para o abastecimento interno e também para o mercado internacional”, lembra Aderaldo. De acordo com ele, o Brasil terá milho suficiente para o seu abastecimento, mas não se sabe quanto vai ser embarcado para exportação.

3) Observar a variação cambial.



Confira a análise: https://www.youtube.com/watch?v=05bJiPdo4yU&feature=youtu.be