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Cooperativismo, prática futurista e transformadora

13.07.2021

A Semana do Cooperativismo foi finalizada na manhã de sexta-feira (9), na Cocamar, com uma palestra proferida por Augusto Júnior, o Guto, diretor executivo do Instituto Anga, professor convidado da Fundação Dom Cabral e colunista na Revista HSM.

Velocidade - Interagindo durante transmissão ao vivo com o gerente de Cooperativismo, João Sadao, Guto falou inicialmente sobre a velocidade com que as tecnologias vêm acontecendo atualmente em nível mundial, muitas delas em ritmo exponencial. Segundo ele, há uma tendência da prática de um capitalismo mais humano, de valorização do ser humano, de uma estrutura de negócios onde todos saem ganhando.

Todos precisam ganhar - Guto destacou que, nesse cenário, o cooperativismo se sobressai como uma prática futura, sendo referência para uma transformação no mundo dos negócios. “O capitalismo, por outro lado, não pode mais ser aquela velha versão que olha apenas para o acionista”, disse. E completou: “o sucesso de uma empresa, hoje em dia, se avalia quando todos saem ganhando”.

Atuais e futuristas - Os princípios que nortearam a origem do cooperativismo em 1844, em Rochdale, Inglaterra, “são incrivelmente atuais e futuristas”, ressaltou o palestrante, explicando que à época, a Revolução Industrial sufocou a mão de obra e os senhores feudais praticamente escravizavam os trabalhadores, disseminando a pobreza. O grupo de apenas 28 tecelões que decidiu formar a primeira cooperativa do mundo, estava semeando um modelo transformador que atualmente muda a realidade nos países. “As nações mais desenvolvidas são os que possuem o sistema cooperativista mais evoluído”, mencionou, comentando a seguir os sete princípios que regem o sistema.

Os princípios - O primeiro compreende a adesão livre e voluntária, sem discriminação de cor, gênero, credo, padrão social e poder econômico. O segundo, a gestão democrática: “o cooperativismo é um jeito de ensaiar um mundo sem corrupção”, afirmou Guto. O terceiro, a participação econômica: o cooperado é dono da cooperativa. O quarto, autonomia e independência. O quinto, educação, formação e informação: “não investir em educação é sufocar o futuro”, lembrando que atualmente as pessoas têm a oportunidade de continuarem aprendendo a cada momento, por meio das diferentes plataformas.

Intercooperação e comunidade - O sexto princípio é a intercooperação, ou seja, vários agentes transformando juntos. E, por fim o sétimo, o interesse pela comunidade: “estar aqui neste mundo para servir, para ser útil, cooperando para a prosperidade social”. Guto comentou que se algumas empresas deixassem de existir, não fariam falta, diferente das cooperativas, que existem para transformar uma sociedade.

Sair da zona de conforto - O palestrante frisou ainda ser necessário resgatar e viver os princípios cooperativistas, “temos que ter fome de transformação, muitos de nós vivemos na zona de conforto”. E disse que tudo começa por micro transformações, a exemplo dos 28 tecelões de Rochdale. Na visão dele, é preciso se apropriar do potencial do cooperativismo, sendo que a distribuição de sobras, ao final do ano, atende o conceito de fortalecer o cooperado.

Propósito - João Sadao comentou que dos 16 mil cooperados da Cocamar, 75% são pequenos e médios, que dificilmente sobreviveriam sem a participação na cooperativa. “Somos uma empresa com propósito”, definiu João. Sobre isso, Guto afirmou ser necessário fazer mais barulho, em contraponto a muitas organizações que tentam mostrar o que elas não são.